…que vem do PASSADO…
é do PRESENTE
e, será do FUTURO!...
APONTAMENTOS HISTÓRICOS(Cópia, parcial ou total, INTERDITA)
1 – O termo: DOPING... DE ONDE DERIVA?...
Alguns sábios senhores ensinaram-nos que a palavra seria de origem holandesa porém, chegou-nos da América... Afinal como?
…Então, teria sido assim. No século XII, holandeses emigrados para o continente americano trabalharam na fundação de uma cidade na ilha de Manhattan, que se chamaria de: New Amsterdam, a qual, mais tarde iria ser conhecida por New York!
As fundações iniciais desta cidade foram construídas sobre estacaria de madeira, em cujo trabalho foram explorados os nativos daquele continente, ainda hoje conhecidos por “índios” ou “peles vermelhas”, que, produzindo um árduo e difícil trabalho, tinham de espetar no fundo do rio Hudson pesados e longos troncos de árvore!
Por sua vez, os emigrantes ou colonos holandeses, gente rude e vigorosa, animada pelo zelo que caracterizava os pioneiros dessa época confeccionaram uma beberagem ou caldo fortificante... um tipo de lubrificante espesso, à base de explosivos!... que eles baptizaram de «doop», que significa, em flamengo: qualquer coisa como mistura... de cujo vocábulo derivou a palavra «dooping» e depois doping.
A referida beberagem - dizia-se – possuía tais virtudes estimulantes que aceleravam, os batimentos do coração, a uma cadência tão elevada que os responsáveis da comunidade decidiram promulgar uma lei tendente a interditar a sua utilização.
Estes senhores deviam ser uns santos homens, porque não é muito comum ver chefes de empreitada a aceitarem a ideia de eliminar um processo cuja natureza, ou objectivo era aumentar o rendimento do operário... Se assim terá sido… foi pois aquela disposição, então promulgada, que constituiu a primeira lei anti - doping de que há memória!... já que, estávamos em 1666!
A palavra doping, tendo adquirido os seus títulos de nobreza, se assim se pode dizer, na América, acabaria por ser aceite mais tarde na “Encyclopedia Britannia”.
Por seu lado e por sua vez, R. Guillet, na sua obra: “O Doping do Homem e do cavalo” definiu, em 1876, nos Estados Unidos, que a palavra designava também: uma misteriosa preparação, utilizada nos sapatos para facilitar o seu escorregamento sobre a neve.
O termo doping foi em seguida adoptado, como “calão”, digamos, nos meios hípicos, para designar os estimulantes administrados aos cavalos de corrida... E então, eis que aqui estamos nós... que dos meios hípicos... passamos aos ambientes desportivos e chegamos, obviamente às competições ciclistas, em pista e depois na estrada... no fim de contas ao Doping no Ciclismo, que é meu Tema de hoje...
A terminologia ciclista seria “enriquecida” com o decorrer dos anos. Com efeito, o uso dos estimulantes, duma maneira ou de outra, esteve sempre presente no espírito das pessoas, tornando-se assim, uma fonte de inspiração... Quer relativamente aos “produtos”, “mesinhas”, ou… determinado tipo de atitudes que se tomavam antes e durante as competições. Os “produtos” e as “mesinhas” deram lugar à moda / uso dum “bidon” especial de reduzidas dimensões, conhecido em França pelo nome de “topette” ou “petit-bidon”... que em Portugal se popularizaria como “bidon pequeno”...conhecido, na zona Norte, por “bidon da remessa”.
O corredor transportava este recipiente num pequeno bolso especial para o efeito, situado na traseira dos calções, constituindo portanto uma situação mais ou menos normal da vivência do corredor de bicicleta dos anos 40 / 50 / 60 do Século XX...
Apesar da relativa normalidade dessa situação, que os franceses, identificavam pelo eufemismo de preparação biológica, ela não deixava de ser conhecida pelos tais termos que “enriqueceram” a gíria ciclista como: “bombas”, “carga”, “dinamite”, “remessa” e outras terminologias de expressão específica mais alargada, do estilo de: ”bomba à partia, bomba em cima dos ferros”, ou “se uma faz bem, duas fazem melhor!
De qualquer modo, muito embora se tratasse dum, fenómeno conhecido, não deixava porém de, como já se referiu, estar envolvido num relativo secretismo... Ninguém tomava nada... “corriam” todos... à água mineral, como então se dizia !
No entanto, o uso das bebidas alcoólicas, da cafeína, da estricnina, e da Kola, eram práticas e produtos já conhecidos em Portugal nos anos 30 do Século XX! Ficou atrás, uma alusão indirecta ao álcool... mas é bom que se fale também do... éter foi, frequentemente utilizado e, é voz corrente que, pelos vistos, também “fez” vítimas!
A História das práticas, ditas dopantes, nas corridas de bicicleta, tanto no mundo como em Portugal, possui matéria que, só por si, justificaria um livro... ou mais! Aliás, já existem muitas e variadas obras sobre o assunto que, desde a primeira hora, particularmente, desde que o Doping passou a lei desportiva e depois lei criminal, se tornou notícia, e tema altamente polémico!... Assim sendo e, convencidos de que também temos opinião e algum conhecimento do polémico problema, não nos furtamos a deixar aqui o nosso ponto de vista.
É nesse sentido portanto que “pegamos” no assunto, tendo como referência cronológica, a época em que os franceses lhe chamavam de preparação biológica. Porém vamos situar-nos em Portugal, ainda e sempre no Século XX, fins de década de 40 princípios de 50, quando os corredores de bicicleta, portugueses, originários na sua maioria, das classes mais desfavorecidas, sendo portanto, simultaneamente, trabalhadores e atletas, que viviam, principalmente, do seu labor profissional, pois o desporto não era profissional para ninguém. Era evidente portanto que, para esses corredores, isso de preparação biológica, era realmente ficção!
Na maior parte dos casos, a própria alimentação diária era insuficiente! Saliente-se como referência o facto, aliás muito frequente, dos vários corredores regionais que, quando participavam nas Voltas a Portugal dos anos 30, chegavam ao fim dos 15 dias de prova com vários quilos a mais do que o seu peso à partida!... E porquê?... Porque, instalados e, a comer nas melhores instalações hoteleiras do país... “tiravam a barriguinha de miséria”!
Por outro lado, em termos de alfabetização, a situação também não era famosa... Os conhecimentos limitados da maioria dos praticantes de ciclismo, aliados à dureza da modalidade e ao esforço físico exigido, proporcionava um ambiente psicológico, excepcionalmente fértil à crença nas “mesinhas”, produtos fortificantes, etc..
Então, independentemente de ter qualquer relação com a famosa preparação biológica, dos franceses, cá, cada um “tratava-se”, mais ou menos às escondidas, com “produtos” ou “métodos” que, quer fossem adversários, ou mesmo colegas de equipa, nenhum podia conhecer!... Com efeito, à mesa, de refeição, de uma mesma equipa, ia-se ao ponto de rasgar os rótulos dum simples frasco de um qualquer xarope, ou fortificante, ou ainda, a esconder a caixa das ampolas bebíveis, que o seu amigo médico lhe recomendara.
A apresentação destes episódios tem a ver com a nossa convicção de que eles – tendo acontecido de uma maneira ou de outra, por todo o mundo -- estão, de algum modo, na origem das práticas dopantes. Por isso, não me custa muito aceitar que, do DOPING NO DESPORTO, tenha sido e, continue a ser, o Ciclismo… o “muro das lamentações”!
Como estamos a tratar o assunto dentro duma perspectiva, digamos, histórica – um pouco nacional, mas também um pouco universal – passemos agora a um novo capítulo que denominaremos de:
2 - A GRANDE ILUSÃO«O homem moderno, segundo afirma o AmericanoTitchie Calder, trás num bolso a pílula que tranqüiliza e no outro a que dopa». Com efeito a nossa época está marcada pelo signo da produção e do consumo, exagerado em todos os domínios: o valor dos seres e das coisas, mede-se com base no rendimento, o qual se tornou numa prioridade na nossa sociedade. Solicitado por um trabalho cada vez mais desgastante, o homem tenta escapar, por todos os meios, aos inevitáveis efeitos da fadiga, no intuito de acompanhar o turbilhão da vida moderna, É preciso “estar em forma”... “ficar em forma”... Para isso, são particularmente procurados, tranquilizantes, estimulantes e outras técnicas reconstituintes.
No entanto, este fenómeno não é só de hoje. Desde as civilizações mais antigas, que o ser humano tem tido de recorrer a tais produtos para combater a fadiga e aumentar a sua capacidade de trabalho. Os chineses conhecem há mais de 3000 anos as virtudes estimulantes do Giseng. O Hidromel, bebida dos deuses, foi muito preferida e usada pelos gregos. Os romanos, recorriam às propriedades das folhas de salva – a propósito dos romanos e do tema em questão, não deixaremos de nos referir, aqui, às famosas “sopas de cavalo cansado”, que tiveram a sua origem nas Corridas de Quadrigas, (espectacular competição) que os jovens da minha geração reviveram na super produção cinematográfica, BENHUR --. Os heróis das lendas nórdicas, segundo Boge, aumentavam a sua força, absorvendo cogumelos “amanita muscaria”. As tropas do general espanhol Cortez, utilizavam durante as suas longas caminhadas, o “peyote”, planta que contem mescalina. Para eliminar a sensação de fome e a fadiga, grande parte dos habitantes da América do Sul, ainda hoje mascam folhas de coca, enquanto que, por sua vez os que vivem junto ao do Mar Vermelho, mastigam ”khat”. A estes exemplos, não deixa de ser oportuno acrescentarmos também o curioso herói, Asterix que decuplicava as suas forças através da famosa “Poção Mágica”!...
O desporto, por sua vez, testemunho do valor individual, não podia, obviamente, escapar a esta prática, que foi denominada de Doping, que varreu estádios, pistas, estradas e outros recintos de prática desportiva!
As competições exigem prestações cada vez mais elevadas. As consequências / resultados, económicos, sociais e também políticos duma vitória desportiva, conduzem os atletas, (e não só – também o seu enquadramento – seja ele familiar, de clube / equipa, ou de selecção...) a recorrer a este processo de “preparação desportiva suplementar”!
Implícito no acaba de ser referido está ainda o facto de que o valor desportivo de uma nação se contabiliza em medalhas ganhas, em golos marcados, em recordes batidos e, para isso, todos os meios são pretensamente “bons”.
De qualquer modo, é sabido que o Doping não resolve o problema do rendimento, ou o do excesso de treino, (sobretudo neste caso, até agrava). Em contra - partida, os riscos em que incorre o atleta dopado, são imensos e diversificados!... No entanto, para lutar contra este flagelo é necessário, antes de mais informar, objectivamente e, desde cedo, os desportistas dos perigos e da pseudo – eficácia do doping – que afinal não substitui a falta do trabalho de treino, das condições físicas inatas e do talento – Importa INFORMAR antes de REPRIMIR tem sido aquilo que sempre pensámos como melhor....
Termino, por aqui, esta minha intervenção em termos de Doping... vou voltar a este mesmo assunto, tendo como base actual Volta a França, cuja prova, já Alguém definiu como: o TOUR DA VERGONHA que quer ser o TOUR DA LIMPEZA.
AB