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A BOLA e a MARCA

Segunda-feira, Julho 31, 2006
Um Comentário recente do nosso colega Joaquim Gil sobre as 56 páginas (em 64) que o "Record" de 22 de Junho dedicava ao futebol,fez-me recordar um outro Comentário que publiquei, já lá vão 35 anos, na página desportiva "Podium", do jornal "O Dever",a qual dirigi durante cerca de dois anos.

Intitulava-se "Colunas = nível de vida" e comparava os periódicos "Marca",de Madrid, e "A Bola",publicados no mesmo dia (16/01/71).

Na "Marca", o futebol ocupava 44% do espaço e o conjunto dos outros desportos 56%.

"A Bola" dedicava 85% ao futebol e 15% às outras modalidades.

Concluia então estar "reflectida a diferença entre o Desporto espanhol e o português, e portanto necessáriamente a diferença de nível de vida."

Repeti a experiência no sábado.

A edição da "Marca" apresentava as percentagens de 58 para o futebol e 42 para as restantes modalidades.

Os números correspondentes de "A Bola" eram ...imagine-se...85 e l5%!

Comentários para quê?!

JS

Férias do desporto

Quarta-feira, Julho 26, 2006
Com as férias escolares é também tempo de férias para a maior parte das modalidades desportivas, salvo aquelas em que o verão é uma condicionante favorável à sua prática. Estas férias são aproveitadas pelos intervenientes desportivos para fazerem um balanço sobre a forma como decorreu a época que entretanto terminou.
Os treinadores fazem um balanço sobre o modelo de treino, condições e meios de prática, competições envolvidas e resultados obtidos.
Os dirigentes, directores e seccionistas, reflectem sobre a organização do clube e da secção, meios financeiros obtidos, enquadramento técnico das equipas, meios e materiais ao dispor de cada modalidade.
De imediato iniciam a preparação da próxima época, realizando esforços e tomando medidas para que os constrangimentos detectados na época anterior sejam ultrapassados com sucesso na época vindoura.

Assim se faz o progresso.

No entanto, duas intenções governamentais podem comprometer irremediavelmente o desporto associativo, e como consequência, o desporto nacional.

Uma das medidas atinge o topo da organização desportiva e tem a ver com a intenção de eliminar a figura do “Estatuto de alta competição”. É omissa na proposta da nova Lei de Bases do Desporto; o Presidente do Conselho de Reitores tem-se referido a ela de forma pouco positiva, particularmente no que diz respeito ao acesso ao ensino superior.

Sendo certo que o sistema era alvo de algumas perversões, aliás já referidas anteriormente neste local, nada justificava a sua eliminação. O que se solicitava era um aperfeiçoamento do sistema vigente. Esta medida pode levar ao abandono precoce de muitos jovens, que viam naquela possibilidade uma forma de prolongar a sua vida desportiva que seria mais tarde compensada por condições de acesso ao ensino superior mais favoráveis.

A outra medida dirige-se à base do sistema desportivo e diz respeito à intenção do governo manter na escola as crianças do 1º ciclo até às 17.30 horas. Este aspecto vai trazer grandes dificuldades de organização e de intervenção às instituições que, como o Ginásio Clube Figueirense, promovem a formação desportiva dos nossos jovens.

Será necessária mais imaginação e criatividade para ultrapassar estas dificuldades.

EP

No desmontar da tenda do Mundial - Coisas da bola

Domingo, Julho 23, 2006
Desmontada a tenda, passado o folclore inerente e ultrapassada alguma euforia colectiva excessiva, assente pois a poeira mediática proponho-me à reflexão de alguns aspectos não tratados,nem pensados no mês e meio do espectáculo Alemanha 2006.

Nesta primeira abordagem quero relevar as manifestações nacionalistas que o Mundial de Futebol evidenciou.

Ou seja, quando o futebol se transformou no espectáculo global por excelência, no espectáculo mediático capaz de parar todos os continentes, em suma, no espectáculo do planeta, simultâneamente foram evidentes os sinais da afirmação dos símbolos nacionais por ocasião dos jogos de futebol.

A questão é ainda mais evidente na Europa quando, definitivamente afastados os sinais claros da afirmação soberana (fronteiras e moeda próprias...), se recolocam as questões da Constituição Europeia, da defesa comum com eventual exército único...e, por causa do futebol, se manifesta o orgulho nacional com o gritar, a plenos pulmões, do hino nacional, o vestir das cores nacionais, a presença do Presidente da República junto da selecção de futebol, afinal, a simbologia nacional em força!

Concluindo direi que, em tempos de globalização, foi o futebol que afirmou, vincadamente, sentimentos nacionais e algum, desvanecido, orgulho português.

Para os que, por regra, com desdém se referem ao futebol deixo a conclusão: afinal o futebol fez mais pela, saudável e desejável, afirmação nacional que as manifestações e discursos inflamados anti globalização!

Coisas da bola!

JG

A Escola de Ciclismo Alves Barbosa

Quinta-feira, Julho 20, 2006
O "nosso" Alves Barbosa idealizou há alguns anos o projecto de uma Escola de Ciclismo.

Tinha ouvido (e lido) referências, mas só agora, pelo próprio, tive um conhecimento mais pormenorizado.

Para além dum inegável interesse desportivo e recreativo, abrangendo de forma evolutiva as imensas possibilidades do Ciclismo para ocupação dos tempos livres dos jovens, pareceu-me um projecto realista e facilmente exequível, sem sombra das megalomanias a que vamos estando (mal) habituados...

Até já esteve no terreno, em Montemor- o -Velho, mas uma cheia do Mondego destruiu a mini - pista que começava a tomar forma.

A Câmara de Montemor continua a manifestar-se interessada em avançar e de Sangalhos já veio uma proposta...

Mas o tempo passa e de concreto...nada!

Seja em Montemor ou em Sangalhos, estou convicto que este projecto constituirá uma mais valia para a terra que o adoptar.

E porque não na Figueira da Foz, terra daquela Escola de Ciclismo onde tantos jovens aprenderam a andar de bicicleta pela mão do Pai Barbosa?

JS

DOPING!... Fenómeno / Problema … Crime?

Quarta-feira, Julho 12, 2006
…que vem do PASSADO…
é do PRESENTE
e, será do FUTURO!...


APONTAMENTOS HISTÓRICOS

(Cópia, parcial ou total, INTERDITA)


1 – O termo: DOPING... DE ONDE DERIVA?...

Alguns sábios senhores ensinaram-nos que a palavra seria de origem holandesa porém, chegou-nos da América... Afinal como?
…Então, teria sido assim. No século XII, holandeses emigrados para o continente americano trabalharam na fundação de uma cidade na ilha de Manhattan, que se chamaria de: New Amsterdam, a qual, mais tarde iria ser conhecida por New York!
As fundações iniciais desta cidade foram construídas sobre estacaria de madeira, em cujo trabalho foram explorados os nativos daquele continente, ainda hoje conhecidos por “índios” ou “peles vermelhas”, que, produzindo um árduo e difícil trabalho, tinham de espetar no fundo do rio Hudson pesados e longos troncos de árvore!
Por sua vez, os emigrantes ou colonos holandeses, gente rude e vigorosa, animada pelo zelo que caracterizava os pioneiros dessa época confeccionaram uma beberagem ou caldo fortificante... um tipo de lubrificante espesso, à base de explosivos!... que eles baptizaram de «doop», que significa, em flamengo: qualquer coisa como mistura... de cujo vocábulo derivou a palavra «dooping» e depois doping.
A referida beberagem - dizia-se – possuía tais virtudes estimulantes que aceleravam, os batimentos do coração, a uma cadência tão elevada que os responsáveis da comunidade decidiram promulgar uma lei tendente a interditar a sua utilização.
Estes senhores deviam ser uns santos homens, porque não é muito comum ver chefes de empreitada a aceitarem a ideia de eliminar um processo cuja natureza, ou objectivo era aumentar o rendimento do operário... Se assim terá sido… foi pois aquela disposição, então promulgada, que constituiu a primeira lei anti - doping de que há memória!... já que, estávamos em 1666!
A palavra doping, tendo adquirido os seus títulos de nobreza, se assim se pode dizer, na América, acabaria por ser aceite mais tarde na “Encyclopedia Britannia”.
Por seu lado e por sua vez, R. Guillet, na sua obra: “O Doping do Homem e do cavalo” definiu, em 1876, nos Estados Unidos, que a palavra designava também: uma misteriosa preparação, utilizada nos sapatos para facilitar o seu escorregamento sobre a neve.
O termo doping foi em seguida adoptado, como “calão”, digamos, nos meios hípicos, para designar os estimulantes administrados aos cavalos de corrida... E então, eis que aqui estamos nós... que dos meios hípicos... passamos aos ambientes desportivos e chegamos, obviamente às competições ciclistas, em pista e depois na estrada... no fim de contas ao Doping no Ciclismo, que é meu Tema de hoje...
A terminologia ciclista seria “enriquecida” com o decorrer dos anos. Com efeito, o uso dos estimulantes, duma maneira ou de outra, esteve sempre presente no espírito das pessoas, tornando-se assim, uma fonte de inspiração... Quer relativamente aos “produtos”, “mesinhas”, ou… determinado tipo de atitudes que se tomavam antes e durante as competições. Os “produtos” e as “mesinhas” deram lugar à moda / uso dum “bidon” especial de reduzidas dimensões, conhecido em França pelo nome de “topette” ou “petit-bidon”... que em Portugal se popularizaria como “bidon pequeno”...conhecido, na zona Norte, por “bidon da remessa”.
O corredor transportava este recipiente num pequeno bolso especial para o efeito, situado na traseira dos calções, constituindo portanto uma situação mais ou menos normal da vivência do corredor de bicicleta dos anos 40 / 50 / 60 do Século XX...
Apesar da relativa normalidade dessa situação, que os franceses, identificavam pelo eufemismo de preparação biológica, ela não deixava de ser conhecida pelos tais termos que “enriqueceram” a gíria ciclista como: “bombas”, “carga”, “dinamite”, “remessa” e outras terminologias de expressão específica mais alargada, do estilo de: ”bomba à partia, bomba em cima dos ferros”, ou “se uma faz bem, duas fazem melhor!
De qualquer modo, muito embora se tratasse dum, fenómeno conhecido, não deixava porém de, como já se referiu, estar envolvido num relativo secretismo... Ninguém tomava nada... “corriam” todos... à água mineral, como então se dizia !
No entanto, o uso das bebidas alcoólicas, da cafeína, da estricnina, e da Kola, eram práticas e produtos já conhecidos em Portugal nos anos 30 do Século XX! Ficou atrás, uma alusão indirecta ao álcool... mas é bom que se fale também do... éter foi, frequentemente utilizado e, é voz corrente que, pelos vistos, também “fez” vítimas!
A História das práticas, ditas dopantes, nas corridas de bicicleta, tanto no mundo como em Portugal, possui matéria que, só por si, justificaria um livro... ou mais! Aliás, já existem muitas e variadas obras sobre o assunto que, desde a primeira hora, particularmente, desde que o Doping passou a lei desportiva e depois lei criminal, se tornou notícia, e tema altamente polémico!... Assim sendo e, convencidos de que também temos opinião e algum conhecimento do polémico problema, não nos furtamos a deixar aqui o nosso ponto de vista.
É nesse sentido portanto que “pegamos” no assunto, tendo como referência cronológica, a época em que os franceses lhe chamavam de preparação biológica. Porém vamos situar-nos em Portugal, ainda e sempre no Século XX, fins de década de 40 princípios de 50, quando os corredores de bicicleta, portugueses, originários na sua maioria, das classes mais desfavorecidas, sendo portanto, simultaneamente, trabalhadores e atletas, que viviam, principalmente, do seu labor profissional, pois o desporto não era profissional para ninguém. Era evidente portanto que, para esses corredores, isso de preparação biológica, era realmente ficção!
Na maior parte dos casos, a própria alimentação diária era insuficiente! Saliente-se como referência o facto, aliás muito frequente, dos vários corredores regionais que, quando participavam nas Voltas a Portugal dos anos 30, chegavam ao fim dos 15 dias de prova com vários quilos a mais do que o seu peso à partida!... E porquê?... Porque, instalados e, a comer nas melhores instalações hoteleiras do país... “tiravam a barriguinha de miséria”!
Por outro lado, em termos de alfabetização, a situação também não era famosa... Os conhecimentos limitados da maioria dos praticantes de ciclismo, aliados à dureza da modalidade e ao esforço físico exigido, proporcionava um ambiente psicológico, excepcionalmente fértil à crença nas “mesinhas”, produtos fortificantes, etc..
Então, independentemente de ter qualquer relação com a famosa preparação biológica, dos franceses, cá, cada um “tratava-se”, mais ou menos às escondidas, com “produtos” ou “métodos” que, quer fossem adversários, ou mesmo colegas de equipa, nenhum podia conhecer!... Com efeito, à mesa, de refeição, de uma mesma equipa, ia-se ao ponto de rasgar os rótulos dum simples frasco de um qualquer xarope, ou fortificante, ou ainda, a esconder a caixa das ampolas bebíveis, que o seu amigo médico lhe recomendara.
A apresentação destes episódios tem a ver com a nossa convicção de que eles – tendo acontecido de uma maneira ou de outra, por todo o mundo -- estão, de algum modo, na origem das práticas dopantes. Por isso, não me custa muito aceitar que, do DOPING NO DESPORTO, tenha sido e, continue a ser, o Ciclismo… o “muro das lamentações”!
Como estamos a tratar o assunto dentro duma perspectiva, digamos, histórica – um pouco nacional, mas também um pouco universal – passemos agora a um novo capítulo que denominaremos de:



2 - A GRANDE ILUSÃO

«O homem moderno, segundo afirma o AmericanoTitchie Calder, trás num bolso a pílula que tranqüiliza e no outro a que dopa». Com efeito a nossa época está marcada pelo signo da produção e do consumo, exagerado em todos os domínios: o valor dos seres e das coisas, mede-se com base no rendimento, o qual se tornou numa prioridade na nossa sociedade. Solicitado por um trabalho cada vez mais desgastante, o homem tenta escapar, por todos os meios, aos inevitáveis efeitos da fadiga, no intuito de acompanhar o turbilhão da vida moderna, É preciso “estar em forma”... “ficar em forma”... Para isso, são particularmente procurados, tranquilizantes, estimulantes e outras técnicas reconstituintes.
No entanto, este fenómeno não é só de hoje. Desde as civilizações mais antigas, que o ser humano tem tido de recorrer a tais produtos para combater a fadiga e aumentar a sua capacidade de trabalho. Os chineses conhecem há mais de 3000 anos as virtudes estimulantes do Giseng. O Hidromel, bebida dos deuses, foi muito preferida e usada pelos gregos. Os romanos, recorriam às propriedades das folhas de salva – a propósito dos romanos e do tema em questão, não deixaremos de nos referir, aqui, às famosas “sopas de cavalo cansado”, que tiveram a sua origem nas Corridas de Quadrigas, (espectacular competição) que os jovens da minha geração reviveram na super produção cinematográfica, BENHUR --. Os heróis das lendas nórdicas, segundo Boge, aumentavam a sua força, absorvendo cogumelos “amanita muscaria”. As tropas do general espanhol Cortez, utilizavam durante as suas longas caminhadas, o “peyote”, planta que contem mescalina. Para eliminar a sensação de fome e a fadiga, grande parte dos habitantes da América do Sul, ainda hoje mascam folhas de coca, enquanto que, por sua vez os que vivem junto ao do Mar Vermelho, mastigam ”khat”. A estes exemplos, não deixa de ser oportuno acrescentarmos também o curioso herói, Asterix que decuplicava as suas forças através da famosa “Poção Mágica”!...
O desporto, por sua vez, testemunho do valor individual, não podia, obviamente, escapar a esta prática, que foi denominada de Doping, que varreu estádios, pistas, estradas e outros recintos de prática desportiva!
As competições exigem prestações cada vez mais elevadas. As consequências / resultados, económicos, sociais e também políticos duma vitória desportiva, conduzem os atletas, (e não só – também o seu enquadramento – seja ele familiar, de clube / equipa, ou de selecção...) a recorrer a este processo de “preparação desportiva suplementar”!
Implícito no acaba de ser referido está ainda o facto de que o valor desportivo de uma nação se contabiliza em medalhas ganhas, em golos marcados, em recordes batidos e, para isso, todos os meios são pretensamente “bons”.
De qualquer modo, é sabido que o Doping não resolve o problema do rendimento, ou o do excesso de treino, (sobretudo neste caso, até agrava). Em contra - partida, os riscos em que incorre o atleta dopado, são imensos e diversificados!... No entanto, para lutar contra este flagelo é necessário, antes de mais informar, objectivamente e, desde cedo, os desportistas dos perigos e da pseudo – eficácia do doping – que afinal não substitui a falta do trabalho de treino, das condições físicas inatas e do talento – Importa INFORMAR antes de REPRIMIR tem sido aquilo que sempre pensámos como melhor....
Termino, por aqui, esta minha intervenção em termos de Doping... vou voltar a este mesmo assunto, tendo como base actual Volta a França, cuja prova, já Alguém definiu como: o TOUR DA VERGONHA que quer ser o TOUR DA LIMPEZA.

AB

Mais do mesmo...

Segunda-feira, Julho 10, 2006
Perante a apresentação pública da nova lei de bases do sistema desportivo português, somos sempre tentados a especular sobre o que irá de novo acontecer no nosso querido desporto português.

Por isso se irão passar algumas horas a discutir - mais uma vez- a melhor solução para o desporto federado, as diferentse teses para o desporto escolar, ou as melhores estratégias para promover hábitos desportivos numa população cada vez mais sedentária, temas já gastos vezes sem conta em cada governo que se forma de novo.

Será pois de perguntar se a nova lei trará algo de significativamente novo?

Ou virá confirmar a expressão popular tão em voga no nosso desporto- mais do mesmo..?

Mais futebol, no que ao espectáculo diz respeito;

Mais preocupações em relação à ética e prevenção da violência;

Mais referências à promocão desportiva em todas as idades;

Mais disto , mais daquilo...

Podemos considerar sem cometer graves erros que, com mais ou menos palavras, mais ou menos retórica, os programas de governos anteriores e a lei de bases anterior, apresentam quase igual número de generalidades da agora apresentada.

Efectuados que foram estudos vários sobre o sistema desportivo, detectados os problemas que afectam o seu normal desenvolvimento, pede-se coragem para atacar os verdadeiros problemas que impedem maior credibilização do sistema desportivo nacional e tragam uma real aproximação do poder central e local a quem promove o desporto no país - o associativismo .

Tenhamos esperança que algo mude, mas tememos todos que o real sucesso da nossa selecção de futebol no mundial 2006 , nos traga no futuro- MAIS DO MESMO.

OS

Ouro, por quanto??

Sexta-feira, Julho 07, 2006
Para iniciar este pequeno texto gostava de avisar: futebol não está incluído!

Passei há pouco por uma reportagem na RTP 1 sobre uma atleta nacional já com "provas dadas" e com um futuro que se espera muito proveitoso. Falo naturalmente da Vanessa Fernandes, grande tri-atleta em que estão depositadas fortes esperanças para os próximos Jogos de Pequim.
Engraçado, ou não tanto, foi verificar o esforço e a carga de trabalho a que ela e os seus companheiros (infelizmente sem os mesmos resultados) são submetidos diariamente, bem como o descanso diário numa tenda que simula o treino em altitude.
A alta competição não é saudável, desengane-se quem pense o contrário mas, chegamos a um ponto em que o sacrifício que é pedido aos vencedores do desporto me parece ser exagerado. O que interessa aos diversos governos, federações, atletas e público em geral dos países que participam nos Jogos são os resultados e, portanto, não interessa o que se faça desde que não se seja “apanhado” nas malhas do dopping – aí é cortada toda a ligação com o que normalmente é o elo mais fraco da cadeia.

Assim são criados centros de alto rendimento que transformam atletas em máquinas de vencer, apresentando resultados espantosos, desde que sejam bem geridos. O problema e uma das razões pela qual nos devemos interrogar sobre a "necessidade" de uma medalha, é o que fica depois do centro de alto rendimento – os atletas que nunca chegam ao resultado e mesmo os que o atingem, têm um futuro muitas vezes comprometido pela inadequada preparação para viver no “mundo real”, longe da segurança dos estágios e treinos, e sem o ordenado de um futebolista de elite.

Felizmente esses estabelecimentos são raros no nosso pequeno canto da Europa mas, eles vão surgindo e creio que devemos reflectir um pouco sobre este assunto (não vá aparecer um ministro com uma mente brilhante a querer implementar um modelo semelhante à China ou à ex-RDA).

AA

Os “fans” Ingleses

Quarta-feira, Julho 05, 2006
Toda a gente sabe que os Ingleses são fanáticos do futebol. Bom, se calhar seria mais exacto dizer: toda a gente sabe que os Ingleses são fanáticos, ponto. Porque de facto o futebol é apenas uma parcela do seu fanatismo. Não, não! Não se pode dizer que sejam fanáticos religiosos ou políticos. É mais outro estilo. É mais tipo fanáticos do futebol e do ténis e das celebridades e da família real e das corridas de cavalos e de cães e das apostas desenfreadas. Mas fanáticos “anyway”.

É claro que vem isto a propósito do jogo entre a Inglaterra e Portugal para o Campeonato do Mundo e das tristes figuras que os Ingleses nos proporcionaram dentro e fora do campo.

Dentro do campo são as agressões mais ou menos veladas, as fitas mais ou menos estudadas, as lesões mais ou menos fingidas. De facto aquele Rooney pode ser um bom jogador mas nunca será um “grande” jogador. E isto não tem nada a ver com a sua altura. Tem mais a ver com a sua estatura moral. O jovem é malcriado, arruaceiro, violento e isso não o há-de levar a lado nenhum. Como diz uma amiga minha inglesa “And as for Rooney – well, he might be a good player, but he's a complete animal.”

E fora do campo? É certo que os ingleses, como poucos, cantam até à exaustão uma panóplia de sons e melodias ao longo dos jogos completos, enquanto a maior parte das outras claques esmorecem às primeiras contrariedades; é certo ainda que se deslocam aos milhares para onde quer que a equipa nacional vá, que se mascaram como ninguém, que aderiram ao frenesim das bandeiras mais do que qualquer outro povo. Mas também é certo que o “apoismo” só lhes dura enquanto a equipa tem resultados positivos. Na hora da desgraça o fanatismo vira-se do avesso, os maus fígados (ou a má cerveja, ou ambos) vêm ao de cima e aqui vai disto – ele é provocação descabelada; ele é pancadaria nas ruas impedindo os outros de festejar; ele é bandeiras destruídas. E tudo “por amor” ao futebol!

Imaginem que, segundo me diz esta mesma amiga inglesa, na madrugada de domingo a seguir ao jogo, a M2, que é a auto-estrada que vai de Dover para norte, esteve encerrada durante um período razoável de tempo para poder ser limpa dos milhares de bandeiras destruídas que os “gentlemen” ingleses tinham nos carros e deitaram fora na ressaca do jogo (e não só) a caminho de casa.

Oh dear!

AMC

Novo comentador

Terça-feira, Julho 04, 2006
Desportista muito conhecido, foi sobretudo ao Rugby que se dedicou,como jogador,treinador e responsável por uma selecção nacional de juniores que participou num Campeonato do Mundo na África do Sul.

JOÃO ANTÓNIO CORTESÃO acedeu ao nosso convite para comentador residente deste Blogue, reforçando-se assim a equipa com um especialista que sempre interveio através da escrita, a propósito das suas múltiplas vivências naquela modalidade desportiva, mas não só...

O Zás-Trás dá-lhe as boas vindas!

FUTEBOL, FUTEBÓIS, FUTEBOLÂNDIA*

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo do desenvolvimento científico!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo dos Hábitos de Leitura e nas práticas culturais!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade de vida das cidades e do ordenamento do território!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo do combate às desigualdades sociais e à pobreza!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade da educação e da nossa saúde!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da qualidade dos nossos dirigentes políticos e da capacidade das nossas elites!

Que bom que era Portugal estar nas Meias-Finais do Campeonato do Mundo da defesa do nosso património!

Fico-me por aqui pois apesar de ser um crítico da "Futebolândia" excessiva que existe no nosso país sou da opinião que o futebol é das poucas áreas em que nos podemos orgulhar como lideres de mercado e um sector onde somos realmente bons em ambiente de concorrência aberta num mercado global e liberal!

Esta campanha de Portugal no Mundial de 2006 (onde antigamente existia desorganização, lobbies diversos e comportamentos arruaceiros e temos agora competência, organização e resultados)leva-me a consolidar uma ideia: o que falta a este país para ser tão desenvolvido como os demais países da UE tem muito a ver com a liderança e visão estratégica que (talvez desde o Marquês de Pombal) tem faltado nas diversas elites nacionais (culturais, económicas, sindicais, políticas, sociais, universitárias, etc). Não é por acaso que os portugueses na estrangeiro produzem e são elogiados no seu desempenho profissional pois existe toda uma lógica de organização, saber e liderança completamente diferentes do que existe neste país.

Talvez fosse a hora (em jeito de brincadeira) de tal como o fizemos no Futebol chamarmos para nos dirigir em sectores realmente vitais para nos afirmarmos como país no Século XXI os diferentes Campeões do Mundo de cada área. Um país onde o mérito, a recompensa do esforço e a ética da conduta pessoal e do trabalho são subalternizados em relação à cunha, ao carreirismo político-partidário, ao amiguismo, aos interesses e lobbies instalados e à doce mediocridade nacionais, é um país adiado e muito pouco Europeu e Moderno!

De um bibliotecário intelectual (adepto moderado do Futebol e desporto em geral) de 35 anos, amante da nossa história e deste país com 853 anos de existência que já merecia ser feliz e proporcionar aos seus habitantes uma melhor qualidade de vida....

(Jorge Lopes)

* in Abrupto, de José Pacheco Pereira