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O culto dos heróis do desporto

Terça-feira, Novembro 24, 2009
O filósofo Tornbjörn Tannsjö escrevia há uns anos (2001) que o nosso culto pelos heróis desportivos revestia uma dimensão perigosa pois radicava no nacionalismo, entendido como adesão aos nossos representantes em confronto com o Outro , indo de mãos dadas com a apologia do militarismo. Na sua opinião, o carácter identitário e festivo que as organizações desportivas tentam conferir ao apoio dado às "nossas" equipas ou atletas não passa de uma falácia pois a ténue linha que separa a dimensão celebratória da violência está constantemente a ser ultrapassada.
Para Tannsjö, sendo a conquista do campeonato ou da medalha bens obviamente escassos, só vale a pena ir ao estádio para ver o vencedor e celebrar a vitória dos mais fortes sobre os mais fracos.
Para além da diferença de posição sobre o significado intrínseco do desporto e considerar exagerados os propósitos atribuídos a todos os praticantes ou espectadores, ao assistir ao inconcebível e deplorável espectáculo dado por argelinos e egípcios por causa de um jogo de futebol - o último exemplo entre muitos outros em que alguns nos estão muito próximos - sinto-me tentado a dar razão a Tornbjörn Tannsjö.
CG

AS FACES OCULTAS DO FUTEBOL

O modo como Portugal se qualificou para o Mundial de África do Sul, com recurso ao “play off”, aliás à semelhança de outros países, nomeadamente a França, diz bem da maneira como a multinacional FIFA não descura os problemas da “indústria” do futebol.

Salvaram-se assim muitas faces, assim como se conseguiram chorudos proventos materiais, pois era importante que no país de Mandela estivessem selecções que digam alguma coisa aos emigrantes, mas também aos antigos administrantes.

Mas não esteve fácil a qualificação de Portugal, visto que depois de ter penado no “poderosíssimo” grupo em que foi integrado, ainda teve de eliminar a “perigosa” Bósnia, ou seja um povo que ainda luta pela pacificação interna (depois de ter sepultado largas dezenas de mortos) e tem uma população inferior à área metropolitana de Lisboa.

Numa viagem “arriscada” àquele país balcânico, com intimidações que ninguém viu (mas as centrais de informação divulgaram), os nossos “heróis” lá conseguiram o triunfo que foi pouco festejado em Portugal, para desespero das televisões que foram a correr para junto da estátua do Marquês de Pombal, mas não conseguiram captar mais do que uma dezena de basbaques, agitando o símbolo verde-rubro que merecia melhor utilização.

No entanto, os organismos federativos, de imediato, embandeiraram, as caravelas que vão tentar contornar o Adamastor, no estilo novo-riquismo que orienta também a candidatura ao Mundial de 2018, ainda que em parceria com a Espanha.

Tudo isto, quando, a nível interno, o campeão nacional não conseguiu jogar para a Taça de Portugal, por falta de condições do recinto da Oliveirense, mas também porque para utilizar o abandonado Estádio de Aveiro, foi pedida uma verba exorbitante.

Enfim, como a Lua também o futebol tem as suas Faces Ocultas que, por vezes, até dão muito jeito, para que nem tudo esteja na Face Visível.
AV

Jogo pouco limpo

Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Assisto com alguma ironia ao pretenso espanto dos dirigentes da UEFA sobre o caso dos resultados falseados em vários campeonatos europeus. Trata-se de um "segredo" do conhecimento de toda a gente e alvo de anedotas durante os últimos anos, que muitos chineses e outros povos da Ásia (os americanos, dentro da sua ignorância do mundo, apostam nos seus próprios desportos) apostam grandes quantias nos jogos de futebol das 1º e 2º divisões de França, Bélgica, Alemanha e por aí fora.
É lucrativo gastar uns milhares com um treinador ou jogador de determinado clube para ganhar milhões com a manipulação do resultado. Um intermediário bem informado sobre insatisfações contratuais ou salários em atraso pode obter o que quiser.
As apostas, legais ou ilegais, são um negócio cada vez florescente no desporto. Os dirigentes da UEFA, como bons empresários, sabem-no bem e aceitam-nas de bom grado como optimizador de receitas. Sabem também que o jogo vive historica e inevitavelmente na fronteira do ilícito. A sua única preocupação é que o vírus não chegue às competições poderosas que geram importantes receitas de televisão e publicidade e prejudique seriamente o negócio. Nos campeonatos menores é apenas um caso de polícia.
CG

Sem remédio

Quarta-feira, Novembro 18, 2009
A Sociedade do Espectáculo, teorizada há 40 anos por Debord, continua a fazer letra morta do bom senso e de algum conhecimento que vamos adquirindo. Vem isto a propósito de uma notícia do jornal Público de Domingo, que dá conta de um programa de promoção do desporto no município de Paços de Ferreira que abarca 1300 crianças e jovens do concelho, dos quais 75% são futebolistas.
Aceito à partida a bondade e o mérito da acção da autarquia que deverá representar importante esforço financeiro. Mas, quando o tratamento mediático aponta para "fábrica de craques", "resolvidos problemas de recrutamento dos clubes", "mais fácil construir equipa de seniores", e explora os sonhos de crianças que exprimem expectativas sociais que os próprios media divulgam, apetece dizer que não aprendemos nada.
Sendo generosos, podemos admitir que 2% dos praticantes chegarão ao alto rendimento desportivo. Vamos contar pois, daqui a 10 anos, com 26 novos craques. Sabemos que a preparação para a especialização desportiva não se compadece com a quantidade, é exclusiva, elitista e requer concentração de qualidade ao nível do praticante e do enquadramento. A excelência é incompatível com treinos sobrelotados, instalações exíguas e treinadores sem tempo.
Um programa de massificação e os objectivos que lhe são socialmente (falsamente?) traçados pela comunicação social arriscam-se a perpetuar na opinião pública um entendimento de iniciação e participação desportiva desadequada à realidade actual.
A verdadeira avaliação do programa seria feita daqui a 20 anos, aferindo quantos participantes, então adultos, recordariam com prazer a sua experiência desportiva e continuariam a encarar o desporto como uma fonte de prazer, integrado nas suas vidas.
CG

FOTOS COM HISTÓRIA (36)

Quinta-feira, Novembro 12, 2009
Agosto de 1967, Piscina-Praia, Festival nocturno de confraternização de antigos nadadores do Ginásio.
A finalizar, um jogo de "Brutobol aquático", uma das balizas vê-se à direita, a bola era medicinal, valia tudo...
Desfila a equipa dos pijamas (com penico...), vêem-se Manuel Tenreiro, Jorge Raio, António Alberto Costa, e um pouco atrás, em segundo plano, elementos da equipa das camisas de dormir (com palmatória e vela...), reconhecendo-se Caniceiro Campos e Luciano Amaral.
O árbitro, totalmente equipado de caçador submarino, era o autor destas linhas.
Prospectos em quatro línguas profusamente distribuidos na cidade, para atrair turistas, assistência (pagante, pois claro) que superlotou a Piscina, era assim naquela época.

A DIFÍCIL PROFISSÃO DE TREINADOR

Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Apercebi – me em Outubro passado, após a 7ª jornada da Liga Sagres, do número de “chicotadas psicológicas” que tinham ocorrido no escalão maior do nosso futebol.

Ao constatar esta situação, a curiosidade levou-me à leitura do enquadramento normativo dos treinadores desportivos, contemplado no decreto-lei nº 248 – A/2008, de 31 de Dezembro.

Este diploma tem como objecto “ o regime de acesso e o exercício da actividade de treinador de desporto”, e o seu artigo 5ª diz que para o exercício desta actividade é necessário possuir “cédula de treinador de desporto”, que pode ser obtida por “a) habilitação académica de nível superior ou qualificação, na área do desporto, no âmbito do sistema nacional de qualificações”ou “b) experiência profissional” ou “c) reconhecimento de títulos obtidos noutros países”.

Acrescenta ainda que a “actividade de treinador compreende não só o treino e a competição de praticantes, mas também o enquadramento técnico de uma actividade física e desportiva”.

Ora, sendo esta formação destinada a adultos, é bom que na formação de treinadores se tenha em conta alguns princípios de andragogia, dos quais destaco:

- o adulto precisa de saber os motivos da aprendizagem e não aprender por aprender

- a aprendizagem para o adulto serve para resolver os seus problemas do dia a dia

- o ambiente da formação deve ser de sucesso, pois os adultos suportam mal o fracasso

- a necessidade de se terem em conta as características individuais e as diferentes experiências de vida de cada um

Dois casos da minha vivência desportiva quero partilhar com os que me estão agora a ler.

O primeiro, ocorreu no nosso país, numa reunião no Instituto do Desporto, destinada a encontrar soluções que optimizassem o processo de formação de treinadores. Um dos mais prestigiados técnicos do nosso desporto interveio pedindo que os conteúdos programáticos dos cursos de treinadores contemplassem mais o treino, e não as ciências auxiliares do treino, que era o que vinha acontecendo.

O segundo, passou – se num país estrangeiro, com um património invejável de títulos mundiais e olímpicos em diferentes desportos. Um responsável máximo da sua hierarquia desportiva disse – me que em cada 100 treinadores, com a mesma formação académica e experiência desportiva, só 5 eram bons ou muito bons.

Por aqui se vê que não é o diploma, nem a função técnico – administrativa, que devem determinar o valor do treinador, mas sim a sua eficiência, a sua honestidade intelectual, o seu método, a sua seriedade, a sua subtileza de espírito e a sua capacidade de liderança.

Encontramos muitos treinadores com conhecimentos profundos das ciências do desporto e possuidores de experiência prática. Contudo, falta-lhes o controle emocional durante as competições e a sua actuação é, muitas vezes, mais um factor de tensão e nervosismo que afecta a prestação dos atletas.

Por este motivo, a faculdade de motivar e de inspirar plena confiança em si durante os treinos e as competições são dois atributos que caracterizam os treinadores talentosos.

É evidente que cada modalidade desportiva tem a sua especificidade, para além daquelas que já diferenciam os desportos individuais dos desportos colectivos.



Todos nós conhecemos treinadores que terminaram a sua carreira desportiva concomitantemente com a dos seus atletas (desportos individuais), ou que tiveram êxitos apenas com uma geração de desportistas (desportos colectivos). No entanto, há outros cuja actividade de sucesso atravessou diferentes gerações de atletas e durante dezenas de anos.

O desporto tem necessidade de treinadores rigorosos nos seus objectivos, mas suficientemente flexíveis nas suas tarefas diárias. Mas, para isso, é preciso que estes tenham também uma grande vontade de enriquecer permanentemente os seus conhecimentos, pois, não o fazendo, estão forçosamente condenados à estagnação e ao fracasso.

Daí a minha curiosidade em ver atribuída a habilitação profissional de treinador neste novo contexto formativo, recordando, mais uma vez, que o bom treinador não é aquele que exibe um diploma ou um atestado, mas sim aquele que é eficiente no seu trabalho, isto é, que tem resultados.

A ver vamos!

FE

Desporto sustentável 2

Sábado, Novembro 07, 2009

As notícias sobre resultados de controlo anti-doping positivos em atletas profissionais são frequentes e fazem a delícia dos media. A impressão disseminada no público é que o doping representa um fenómeno imanente ao desporto de elite e a que nenhum atleta pode escapar se desejar pertencer a essa mesma elite. Olhando com um pouco mais de atenção, reparamos que um dado que falta sempre, seja nos órgãos de comunicação, seja nos relatórios da Agência Mundial Antidopagem (AMA) é precisamente a prevalência de violação das regras no seio da população mundial dos atletas de elevado rendimento.

Tendo em conta o relatório produzido pela AMA (http://www.wada-ama.org) após os Jogos Olímpicos de Pequim, verifica-se que foram analisadas 5000 amostras de urina e que 10 deram resultados positivos. Durante o ano de 2007, a AMA levou a cabo 223898 testes, com uma percentagem de resultados positivos de 1, 97. De acordo com estes dados, o recurso ao doping seria extremamente raro no meio dos atletas de elite, com uma taxa de prevalência inferior a 2%. Poderíamos pois respirar de alívio e censurar o alarmismo sobre um problema que afinal, não é assim tão problemático.

Mas será que o sistema de controlo é assim tão eficaz? Tendo em conta que Marion Jones, que cumpre pena por doping, nunca acusou resultados positivos, que o ciclista Riccardo Ricco foi controlado 10 vezes durante a Volta à França de 2008 e que acusou 2 testes positivos quando, segundo o próprio atleta declarou à Velonews, todos os testes deveriam ter resultados positivos, colocam-se dúvidas pertinentes sobre a metodologia de controlo, até mesmo sobre a agenda secreta do controlo.

Ao mesmo tempo, estudos realizados com atletas não profissionais elevam a taxa de prevalência de doping para mais de 30% (Yesalis & Bahrke, 2000).

Incontornável para atletas e treinadores é a nebulosa de influências, por vezes contraditórias, que modelam a sua conduta. Se os atletas competem pelo sucesso, o público dos estádios e as audiências televisivas desejam espectáculo e drama, emocionalmente potenciados pelos media até limites inconcebíveis mas, ao mesmo tempo, ancorados em difusos enquadramentos morais. Os patrocinadores querem heróis desportivos que ganhem competições de forma “honesta”, abandonando rapidamente o apoio quando surgem escândalos (os exemplos abundam e a recente reunião da Federação Internacional de Rugby, que afirma como prioridade a promoção de uma imagem “limpa” é bem a expressão dessa preocupação das organizações com a eventual fuga dos suportes financeiros).

Por último os políticos, que financiam o desporto de elite por razões identitárias e apoiam igualmente, por vias legais e económicas, a luta anti-doping.

Citando o sociólogo britânico Ellis Cashmore, no seu livro Making Sense of Sports, “nós, público, não queremos que eles (atletas) se comportem como pessoas educadas, queremos emoção, espectáculo, um pouco de sangue de vez em quando.”

CG

Joaquim Viana

Sexta-feira, Outubro 30, 2009
Não ! Longe de mim pretender ser o necrologista deste blogue. Mas a infausta notícia do falecimento de Joaquim Viana, o sócio número 1 do Ginásio, cidadão bom e de expressiva simpatia, homem discreto mas de convicções firmes, figueirense entusiasmado, parceiro imprescindível das comemorações clubistas, funcionário público de carácter exemplar, pai e marido dedicadíssimo, amigo de muitos amigos, é razão mais do que suficiente para aqui deixar a minha homenagem e o meu profundo pesar. Creio, mesmo sem lá ter estado, que no instante do último adeus o Zé Rolinho Sopas terá repicado, com emoção contida, um fortíssimo Vai d'arrinca !
-Zás-trás, respondo daqui, comovido, no silêncio destas palavras.

PMB

E AOS COSTUMES DISSE NADA...

Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Em Outubro de 2005, neste mesmo blogue, publiquei um texto, evidenciando a importância do planeamento estratégico a quatro anos das federações e dos clubes desportivos, e a sua articulação com os mandatos autárquicos e os programas de governo.

Recordo agora que, nesse mesmo ano, separadas por meses, tiveram lugar eleições legislativas, eleições autárquicas e eleições nas federações desportivas e Comité Olímpico de Portugal.

Por sua vez, o Programa do XVII Governo Constitucional referia no número IV do Capítulo III, com o título Mais e Melhor Desporto “valorizar e apoiar as actividades regulares das federações desportivas e dos respectivos clubes, estimulando a participação e a democracia interna, o equilíbrio financeiro, o cumprimento e a fiscalização dos seus planos de actividades e orçamentos anuais e plurianuais”.

Chegados a Outubro de 2009, mesmo sem recorrermos a dados estatísticos, todos concordamos que hoje, nos espaços públicos, é visivelmente maior o número de pessoas que pratica desporto não federado, nas férias, durante a semana e aos fins-de-semana e, se considerarmos o número de vezes que o fazem, podemos dizer que o praticam de uma forma mais intensiva que na década passada.

No que se refere ao desporto federado, como balanço destes quatro anos, há que analisar não só as diferentes actividades dos quadros competitivos, mas também o impacto que teve o novo enquadramento normativo na organização e autonomia das federações.

Por isso, no início de um novo ciclo olímpico, e após este longo período eleitoral (assembleia da república, autarquias, federações e comité olímpico) e sem perder o optimismo, continuo com algumas das preocupações que tinha há quatro anos atrás, às quais acrescento:

- a fiscalização dos planos e orçamentos federativos por parte da Administração Central, Regional e Local

- a conformidade dos estatutos federativos com a lei que consagra o novo Regime Jurídico das Federações Desportivas e o sucesso que se pretende com a aplicação dos mesmos

- o custoso que é dotar, a grande maioria das federações, com membros dos órgãos jurisdicionais licenciados em direito, que assegurem o seu regular funcionamento nos domínios da arbitragem e da justiça. Recordo que o decreto-lei 111/97, que revogou o decreto-lei 144/93, deixou de obrigar a que todos os membros dos órgãos jurisdicionais tivessem esta habilitação académica, (restringindo-a ao órgão presidente), pois tinha-se constatado que as de menor expressão social tinham dificuldades em encontrar estes especialistas com uma disponibilidade que garantisse a resposta, em tempo oportuno, aos diferendos que surgissem entre os agentes que participam na sua actividade. Todos sabemos que esta situação eleva os níveis de conflitualidade, e prejudica a actividade regular de uma federação.

- a empregabilidade, entendida como a capacidade exigida aos empresários e aos trabalhadores de se adaptarem às novas tecnologias e à mudança na organização das empresas, após os desafios que surgem com a globalização da produção e a abertura das economias.

- os problemas na obtenção de crédito e o que isto influencia o desenvolvimento desportivo

Após tudo o que está escrito atrás, concluo que é necessário e urgente, mais do que nunca, procurar sinergias e complementaridades com todos os intervenientes no processo desportivo.

Como actualmente não estou comprometido politica e desportivamente com este processo, tenho o privilégio de o apreciar com um certo distanciamento. Lembrei-me, por isso, da Justiça e dos Tribunais, quando as testemunhas prestam juramento de que vão dizer a verdade e que não têm nenhum grau de parentesco ou afinidade especial com as partes envolvidas num determinado processo judicial. Daí, o título, e aos costumes disse nada.

FE

HÁ UM “FUTEBOL GAY”?

Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Foi notícia no início do corrente mês de Outubro no futebol francês, campeonato amador, a recusa da equipa “Créteil Bébel”, formada por futebolistas muçulmanos, em que jogou com a equipa “Paris Foot Gay”, formada por jogadores homossexuais.

Se eu já tinha a convicção de que eles andavam por aí e a suspeita de que também no futebol, agora aí está a definitiva certeza de que a homossexualidade está não só naturalmente disseminada pelo mundo do futebol – o que acho natural e em nada me perturba! – mas está agora também assumida ostensiva e provocatoriamente numa equipa de homossexuais.

Que sentido tem uma equipa de homossexuais que não seja o do espectáculo, exibicionista e provocatório, para as gentes e os tempos.

Haverá acaso um terceiro género que justifique a constituição de uma equipa de homossexuais?

Claro que não.

Mas a sequência seria de um campeonato para equipas de homossexuais a que se seguiria o campeonato da Europa e do mundo só para equipas de homossexuais … Mas tal já não pode ser por discriminatório!

Já está a ver neste “Paris Foot Gay” o sistema defensivo da “marcação à zona” definitivamente preterido pela rigorosa “marcação homem a homem”.

Questiono-me pelo critério da equipa de arbitragem perante um jogo mais físico, quero dizer, de maior contacto físico dos jogadores do “Paris Foot Gay”.

E não duvido que o “Paris foot Gay” será acabado exemplo do fair play, com exuberantes manifestações dele, em particular face a equipas adversárias constituídas por verdadeiros atletas, altos, fortes e espadaúdos e, vá lá também, elegantes… não sei se os golos da equipa adversária não serão comemorados em conjunto!

Mas pergunto-me que sucederá quando o defesa central cair de amores pelo avançado da equipa contrária ou quando o outro central se “enciumar” com a marcação apertada do seu colega ao tal avançado…

Não sei ainda o que aconteceu aos muçulmanos do “Créteil bébel” por parte das autoridades desportivas francesas, mas sei o que me vai acontecer a mim – a acusação de homofobia!

Paciência! Ainda não é crime ter esta opinião e quando o for – tudo se projecta nesse sentido – que este escrito já tenha caído no esquecimento ou “prescrito”.

JG