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Centros de Alto Rendimento

Quinta-feira, Março 23, 2006
O Centro de Alto Rendimento, mais conhecido por CAR foi criado pelo Decreto-Lei n.º 64/97 de 26 de Março, funcionava no Complexo Desportivo do Jamor e estava aberto a várias modalidades.

Com o Decreto-Lei n.º 96/2003 de 7 de Maio que criou o Instituto do Desporto de Portugal foi revogado o Decreto-Lei n.º 64/97, existindo um vazio no funcionamento do CAR, já que a nova lei aponta para um novo modelo de gestão do Complexo Desportivo do Jamor onde se incluem o CAR e o Centro de Estágio da Cruz Quebrada. Modelo que nunca foi apresentado.

Surgiram, no entanto, algumas notícias recentes que referem a intenção da tutela de descentralizar os centros de alto rendimento, passando cada modalidade a ter um centro de treino de alto rendimento em determinada localidade. Assim falam-se, como certas, as hipóteses do atletismo vir a funcionar em Vila Real de Santo António, o voleibol em Lamego, o remo na Barragem do Pocinho e a canoagem em Montemor-o-Velho.

Estes centros para além de oferecerem excelentes condições para a prática da respectiva modalidade deverão disponibilizar todo o tipo de apoios que a preparação de alto nível requer: controlo de treino, técnico, psicológico, médico, escolar…
Julgo que é uma medida acertada, mas convém reflectir sobre a experiência do funcionamento do CAR no Jamor. Por exemplo sabe-se que o apoio psicológico aos atletas bem como o seu acompanhamento escolar não era o desejado nem o necessário.

EP

O pai da droga ou droga de pai no dia do Pai

Quarta-feira, Março 22, 2006
Cristophe Fauvian, pai dos tenistas franceses Maxime e Valentine Fauvian, foi condenado a pena de prisão de oito anos por “batota” nos jogos dos filhos.

Qual então a malfeitoria do condenado pai dos tenistas franceses?

Pura e simplesmente, aproveitando momentos de distracção dos adversários dos filhos, introduzia, discretamente, nas suas garrafas de água um sedativo, Temesta, que produz um efeito calmante, do tipo do Lorenin.

Um dos adversários dos filhos do Sr. Fauvian, de entre mais três rapazes e vinte e uma raparigas vítimas do seu método sedativo, veio a falecer logo após o jogo do qual se retirou, antes do final, por cansaço.

Morreu em consequência de acidente de viação, após adormecer ao volante.

Na autópsia foram detectados vestígios daquele sedativo no sangue da vítima.

O Sr. Fauvian estava determinado a tudo, mas tudo, fazer para que os seus filhos, de 15 e 13 anos, ele e ela, ganhassem os torneios em que participavam.

E para o pai Fauvian o tudo fazer, está visto, era tudo mesmo, sem limites, sem barreiras éticas, morais, desportivas, legais … o fim último, que sustentava no amor aos filhos, justificava todos os meios!

Pergunto-me se de amor paternal se tratou ou se, ao invés, o móbil do ilícito desportivo, que redundou em ilícito criminal, não terá sido o “amor ao prize money”!

Pergunto-me se os filhos não foram afinal o instrumento útil para o acumular dos prémios monetários que aumentaram a conta bancária da família Fauvian!

Pergunto-me se os tempos da valorização do sucesso, da eficácia, do resultado, independentemente dos meios para, e dos princípios norteadores da acção, não potenciam estes exemplos!

Pergunto-me se, nestes tempos, já nem da formação dos filhos se cuida, se já não releva o aforismo latino da mente sã em corpo são, se já nem os filhos escapam à contabilidade.

Perguntas em Dia do pai!

JG 19.Março.2006

"Onde não há dinheiro também não há palhaços"

Terça-feira, Março 21, 2006
Foi desta forma impressiva e feliz que Rui Nabeiro sintetizou o fim do futebol profissional do Campomaiorense, em 2001.

Cinco anos depois,o "Público" foi a Campo Maior avaliar a situação,para concluir que "existem outras formas de conduzir as coisas e o Campomaiorense é um exemplo flagrante de como o fim do futebol profissional até pode ser positivo".

O Presidente João Nabeiro, filho do patrão da Delta Cafés, explica que "as esperanças de haver um retorno do capital investido nunca se concretizaram" e que "ainda hoje muitos clubes vivem com essa esperança, que não são mais do que isso, esperanças".

Mas o sensato aviso de quem até tinha possibilidades de prosseguir, caiu em saco roto...

Depois disso já vários clubes faliram, outros estão na calha... muitos vivem de ilusões...

De ilusões porque os estádios, com poucas excepções, estão às moscas...

De ilusões porque os patrocinadores privados se afastam cada vez mais, salvo algumas grandes empresas que vão apoiando... os "grandes".

De ilusões porque das Câmaras, quase todas falidas, já não vêm subsídios chorudos nem terrenos para vender... e comprar jogadores.

Restam as Televisões e a economia paralela...

Mas à medida que o cerco fiscal e os "apitos dourados" forem apertando, cada vez menos haverá lugar para projectos sem sustentabilidade visível, alicerçados na ficção de que se está a promover a economia e o turismo das terras...

Quem, como eu, gosta de futebol e considera o desporto profissional uma actividade legítima e um espectáculo com facetas positivas para a divulgação e promoção desportiva, não pode ficar indiferente a este caminho para o abismo do futebol português.

É tempo de encarar de frente a situação e passarmos a viver... também no futebol... dentro das nossas reais possibilidades.

JS

De pequenino se torce o pepino

Terça-feira, Março 07, 2006
O associativismo desportivo, entendido como organização de cidadãos que, sem fins lucrativos, promove a prática desportiva tem, no nosso país colectividades centenárias (Associação Naval de Lisboa, 150 anos, Ginásio Clube Figueirense, 111 anos, como exemplos), que conseguiram esta longevidade à custa do trabalho voluntário de muitos dos seus associados, os quais tiveram uma acção de indiscutível importância social e pública ao proporcionarem a milhares de pessoas os benefícios da prática de um desporto.

Na definição do Conselho da Europa, o trabalho voluntário desportivo é caracterizado por uma actividade não remunerada que serve a promoção dos valores do Desporto, que se realiza em benefício de outras pessoas e organizações, e fora do horário normal do trabalho profissional.

Para o voluntário, os benefícios da sua actividade traduzem-se em proveitos pessoais intangíveis, como assistir em lugares de honra a cerimónias oficiais, ou ter ganhos sociais que elevem o seu amor-próprio, ou ainda o reconhecimento público da sua actividade.

Todos sabemos que o trabalho do voluntário no desporto representa um valor incalculável na economia social, que significa anos e anos de trabalho não remunerado.

Para se ter uma ideia da importância deste trabalho benévolo dado à sociedade por todos os agentes envolvidos no desporto, imaginemos, e isto ´é só no campo das hipóteses, que todos estes benévolos cessavam simultaneamente a sua actividade e o Estado tivesse de assumir as funções desempenhadas por estes, suportando a totalidade dos custos daí resultantes.

Aí, sim, teríamos uma noção mais rigorosa da magnitude do contributo destes voluntários à sociedade e ao bem-estar de todos.

Focalizando – nos, agora, no nosso país, constatamos que a oferta de trabalho voluntário para as actividades desportivas é insuficiente face às necessidades sempre crescentes dos clubes, talvez como resultado da participação cívica dos cidadãos na actividade política e sindical, do envelhecimento da população e do elevado número de desempregados. Sem dúvida que tudo isto tem contribuído para o abandono precoce da prática desportiva e para a diminuição do número de voluntários nos clubes.

Daí que considere importante o papel que os jovens possam desempenhar, nesta conjuntura, para inverter este estado de coisas.

Se é certo que o presente é uma consequência do passado, não é menos verdade que o futuro será uma consequência do que fizermos hoje.

Todas as gerações tiveram, nas suas épocas de juventude, os seus problemas e, para os resolver, ultrapassaram dificuldades. Os jovens de hoje não são excepção.

Pessoalmente, tenho confiança no futuro e justifico este meu optimismo.

Assisti, no Verão passado, e durante o período dos incêndios, ao trabalho solidário de muitos jovens, combatendo as chamas, dia e noite, numa época de férias onde a oferta de diversões atinge o auge do ano.

E, no desporto, também os jovens de hoje conseguem pertencer à mesma equipa, que luta pelos mesmos objectivos, e isto apesar de estes mesmos jovens serem concorrentes ao mesmo emprego, ou até à mesma vaga para a entrada num curso superior, muitas vezes separados por uma décima.

O empreendorismo, a produtividade no trabalho, o reconhecimento internacional nas mais diversas áreas, fazem-me admirar a geração actual e recordar aos saudosistas que dizem “ no meu tempo é que era...” que o sucesso, em todas as épocas, significou dificuldades vencidas, conflitos sanados e um permanente combate.

Por todas estas razões, tendo em conta o que já anteriormente referi sobre o escasso número de praticantes desportivos da nossa população, a dificuldade em aumentar o número de voluntários, e reconhecendo que a actividade física e o desporto estão, felizmente, entre as primeiras prioridades dos mais jovens na ocupação da sua vida não académica, entendo que é de incentivar a população juvenil, a participar no seu próprio processo de desenvolvimento desportivo, orientando os seus projectos desportivos para a organização e ocupação dos tempos livres, privilegiando actividades que, para o seu sucesso, tenham conteúdos simples e levem à participação efectiva em todos os níveis de intervenção, para isso responsabilizando – os pelo desempenho de todas as tarefas que lhes forem atribuídas.

Mas para que estes projectos do associativismo juvenil tenham êxito, isto é, permitam aos praticantes que neles participem a aquisição de hábitos de vida desportiva e contribuam para uma motivação continuada no movimento associativo, há que facilitar aspectos burocráticos (licenças, inscrições, inspecções médicas, etc), pois o funcionamento das estruturas dos clubes, neste domínio, impede uma participação generalizada.

Antes de terminar, gostaria de lembrar que o Estado reconhece nos clubes desportivos um dos mais importantes operadores da política desportiva e, dado que, alguns deles, possuem o estatuto de utilidade pública, isto quer dizer que a sua acção vai muito mais para além do interesse dos seus próprios associados.

O direito ao desporto está intimamente ligado ao associativismo desportivo e, para o desenvolvimento deste, os clubes têm um papel fulcral junto dos mais jovens, estimulando o aproveitamento das suas capacidades criativas e de cooperação na prática desportiva, com um alcance que ultrapasse a mera realização de actividades, quer do Desporto de Recreação, quer do Desporto de Rendimento, podendo constituir um elemento de inegável valor para impulsionar de forma decisiva e duradoura o desenvolvimento do nosso desporto.

Por acreditar nisto, lembrei – me do provérbio “ de pequenino se torce o pepino”.

F.E.

Portugal nos Jogos Olímpicos de Inverno - Ai que desgraça!

Segunda-feira, Março 06, 2006
Portugal esteve representado nos Jogos Olímpicos de Inverno, Turim 2006, pelo luso descendente nascido nos EUA, Danny Silva, que se classificou em 93º lugar, entre 96 concorrentes que terminaram a prova de 15 km esqui, perdendo à razão de um minuto por km para o primeiro classificado.

Não foi admitido a participar na prova dos 50 km.

É comum dizer-se que o espírito olímpico se traduz nisso mesmo, na participação pela participação, independentemente dos resultados.

Seguramente que sim!

A questão para mim é, porem, outra, ou seja, a de saber se aquela participação, com tal resultado também, justifica os apoios financeiros que para ela foram canalizados, que justifica a integração no chamado projecto olímpico.

Tenho as minhas dúvidas!

Pergunto-me em que é que esta participação contribuiu para fomentar, dinamizar, motivar a pratica dos desportos de Inverno em Portugal, em que é que ela foi um factor de exemplo, de estímulo, de emulação juntos dos jovens.

Com total franqueza direi que, na minha modestíssima opinião, a resposta é, em nada!

A participação portuguesa foi, afinal, um acumular de desgraças:
• O resultado desportivo, foi a primeira desgraça!
• A segunda delas é que o esquiador português não esquia na neve, mas rola em Almeirim, no asfalto, com esquis com rodados adaptados, a que chama “Roller Ski”!
• A terceira foi a queda do Presidente do Comité Olímpico Português, Vicente Moura, que também inadaptado à neve e gelo, caiu fracturando algumas costelas…

Não obstante tanta desgraça Danny Silva mantém-se integrado no projecto olímpico…

JG