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Faculdade de Desporto

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
A Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto alterou a sua designação para Faculdade do Desporto.

O Prof. Doutor Jorge Bento, Presidente do Conselho Directivo daquela Escola, justifica esta alteração em artigo publicado no jornal “A Bola”.

Assim a eliminação da palavra “Ciência” encontra justificação pelo facto de ao referir-se a Faculdade seria uma redundância a referência à palavra “Ciência”.

Na minha humilde opinião é uma justificação pobre. Quantas faculdades, em diferentes áreas, não têm na sua designação a palavra “Ciência”? Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e de Lisboa, Médicas, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Faculdade de Ciências da Saúde, só para citar alguns exemplos.

A justificação da eliminação da designação Educação Física é, no meu ponto de vista, um pouco desrespeitosa para todos aqueles que, não só exercem a sua actividade profissional diária, mas principalmente para aqueles que em várias instituições de ensino superior têm feito investigação séria, honesta e credível nesta área.

Não posso aceitar de ânimo leve que se referencie a Educação Física como “a disciplina escolar que está incumbida de instruir, introduzir e educar nessa área. É de resto uma disciplina com designação muito pouco precisa e algo equivocada”. Revela uma visão muito redutora e simplista da Educação Física.

Ou não conhece a importância da Educação Física no contexto escolar, o que eu francamente não acredito, ou esta explicação serve outros interesses que eu desconheço.

O facto referido pelo professor Doutor Jorge Bento de que a “grossa fatia dos conteúdos e habilidades que se ensinam na disciplina de Educação Física e as capacidades que nela se devem desenvolver” serem provenientes do Desporto não a menospreza nem a torna subserviente deste. Aliás, a quantas outras áreas do saber recorre o Desporto para se constituir como ciência? Será menos digna por esse facto?

Creio que não.

Obviamente que a Faculdade pode optar pelos nomes que muito bem entender, que pessoalmente não tenho nada a haver com isso. Pode optar por outros rumos, valorizando certas áreas e certos saberes, decisões que só a ela dizem respeito. O que eu não concordo é com as justificações dadas, tanto mais quando elas são feitas menosprezando e até ridicularizando a Educação Física.

Conhecendo as dificuldades de afirmação da Educação Física na escola e na família, estas justificações vindas de alguém com responsabilidades como o professor Doutor Jorge Bento, surgem como um verdadeiro tiro no pé às intenções da valorização da Educação Física.

Apesar de não ter sido a minha escola de formação inicial, fiquei triste, eu que sou professor de Educação Física, mas também treinador. Para que não haja equívocos.

EP

Universidade e desporto

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
Gostaria de começar, na minha primeira participação no Blogue Zás-Trás, com um cumprimento a todos os ginasistas e leitores deste espaço. Na escolha difícil do primeiro tema para colocar na página inclinei-me para algo que me está muito próximo – o meio universitário.

Com a entrada para a faculdade cedo me apercebi que a falta de cultura desportiva que reina no nosso pais, se faz sentir de modo significativo entre os estudantes. Poderia esperar que, sendo jovens com alguma instrução (em relação aos pares que não continuaram no meio académico), estariam mais atentos aos benéficos que a prática regular de exercício físico lhes poderia oferecer. No entanto, constata-se que a maioria dos jovens não pratica desporto e que aqueles que o desejam fazer encontram uma barreira limitadora – a oferta desportiva universitária. O leque de actividades que é oferecido aos jovens estudantes é muito reduzido e, no caso da UP, existem vários organismos que regulam ou tentam regular o desporto, resultando numa amalgama de actividades que não cativam o público alvo. Aliando também a falta de estruturas físicas e a ideia generalizada do desporto ser sinónimo de competição, obtém-se uma mistura que afugenta os estudantes. Assim, numa altura em que “ainda” se poderia introduzir hábitos de exercício físico, num grupo etário que parece já estar a sofrer do terrível “stress” quotidiano, reforçam-se, infelizmente, os hábitos menos positivos de compensação.

Questiono-me sobre a raiz do problema. Sendo tão vasto certamente terá inúmeras variáveis, mas creio que o desporto escolar e a disciplina de educação física, estão na génese desta falta de cultura desportiva. Não se pode esperar ingenuamente que sejam os pais, que muitas vezes também não praticam actividade física, a incutir esses valores aos filhos. Assim, o eixo escola é dos poucos que o poderá fazer. Os clubes desportivos e os seus membros também têm um papel nesta equação, sendo necessário que estes entrem nas escolas e chamem os jovens para o desporto. Se existisse uma procura massiva de desporto por parte de jovens, as universidades seriam obrigadas a responder em conformidade.

A percentagem da população que mantém uma prática desportiva e/ou associativa é um meio pelo qual se pode inferir sobre o grau de evolução de uma sociedade.

É urgente quebrar o ciclo….

AA

Remando para a vitória

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
Esta é uma história que li numa revista inglesa. Ela tenta chamar a atenção para os cuidados a ter com o “benchmarking” e com algumas “loucuras” em que empresas e autarquias, no frenesim de melhorar a gestão, têm tendência para embarcar. E como a história tem a ver não só com o remo mas também com as políticas de gestão de empresas, autarquias e clubes, achei que valia a pena trazê-lo para o nosso blogue.

Era uma vez uma empresa que resolveu fazer uma equipa de remo e desafiar o clube de remo local para fazer uma regata. Cada barco teria 8 homens. Ambas as equipas trabalharam arduamente para conseguirem a melhor forma e no dia da prova pode-se dizer que estavam ambas em condições muito semelhantes.

O Clube de remo ganhou por dois comprimentos.

O ambiente na equipa da empresa era de cortar à faca. O grupo de gestão decidiu que tinham que ganhar a regata no ano seguinte – estava traçado o objectivo. Assim sendo, criaram uma comissão de analistas internos com um representante de cada serviço e um da comissão de trabalhadores (um tipo que sabia qualquer coisa de remo, parece que quando andava na escola costumava passear turistas no lago em dias de pic-nic). A missão desta comissão era averiguar a situação, fazer uma análise de risco e recomendar uma solução apropriada.

Depois de várias semanas de análises detalhadas, a comissão concluiu que a equipa do clube tinha 7 remadores e um capitão enquanto que a equipa da empresa tinha 7 capitães e apenas um remador. Perante este cenário crítico, o grupo de gestão da empresa mostrou uma sabedoria extraordinária: contratou uma equipa de consultores para reestruturar a equipa da empresa.

Passados vários meses os consultores, tendo concordado com a conclusão de que a equipa tinha demasiados capitães e poucos remadores propuseram que a estrutura da equipa da empresa fosse mudada – a partir de agora ela teria apenas 4 capitães, chefiados por dois directores e um presidente. Além disso, sugeriram que a empresa investisse no melhoramento do ambiente de trabalho do remador, instituísse um prémio de dedicação para os directores e aumentasse o bónus de desempenho do presidente. O remador teria que participar num “workshop” de 5 dias.

No ano seguinte uma equipa da Câmara Municipal juntou-se à regata. Como as autarquias se sentem encorajadas a copiar, nem sempre no seu melhor, o mundo empresarial, resolveram fazer “benchmarking” com a equipa da empresa. Resultado: as equipas da empresa e da autarquia empataram e o clube ganhou por três comprimentos.

Como resultado, o grupo de gestão da empresa despediu o único remador da equipa com base no seu fraco desempenho e pagou um bónus aos directores pela dedicação mostrada durante a fase de preparação. O grupo de consultores preparou uma análise do resultado que concluiu que a estratégia era adequada, a motivação razoável mas as ferramentas não eram da melhor qualidade.

Assim sendo, foi nomeado um novo grupo dinamizador para a equipa, estão a construir um barco novo e os Recursos Humanos puseram um anúncio nos melhores jornais para recrutarem um remador de alta qualidade que participará na próxima regata em Junho.

Em Maio será feita uma avaliação da situação.

A autarquia aplaudiu e copiou o modelo.

Ficamos à espera dos resultados em Junho…

AMC

Novo colaborador

Domingo, Fevereiro 19, 2006


Artur Antunes é o novo comentador residente deste blogue. Aluno do 5º ano da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, foi remador internacional do Caminhense e presentemente representa o Ginásio.
Em 1999, juntamente com Bruno Antunes, conquistou para Portugal o primeiro título mundial na modalidade - double-scull juniores - tendo, na sequência, sido agraciado pelo Governo com a Medalha de Mérito Desportivo.
Mantém na net o blogue www.arturantunes.blogspot.com, um local para conversar sobre Remo.

O que é nacional é bom?

A presente reflexão foi-me sugerida pela circunstância de,há dias,o S.L.Benfica ter jogado com dois ou três jogadores portugueses,sendo que o Inter de Milão jogou com sete argentinos,três brasileiros e um português,portanto com nenhum italiano de nascimento.

Dá,de facto,que pensar...

Ainda me recordo do S.L.Benfica fazer gala de jogar apenas com jogadores portugueses e,ou,oriundos das colónias portuguesas.

Também me lembro,mais recentemente,do União da Madeira conseguir naturalizar uma série de jogadores brasileiros e,sobretudo,do leste europeu,por via de rápidos casamentos,prenhes do amor mais puro,de umas quantas jovens casadoiras,numa conhecida conservatória madeirense.

Hoje,com o alargamento comunitário e o vincar da livre circulação também das pessoas,aquela conservatória terá menor receita emolumentar,assim como diminuiram,drásticamente,as viagens ao Consulado de Vigo para renovação dos vistos de permanência em Portugal de jogadores estrangeiros...

Dizem-me que,por via destes sinais dos tempos,temos no Brasileirão jovens jogadores,até aos 18/19 anos, ao lado dos "trintões"regressados da Europa,de que Romário,já nos quarenta,é o expoente.

Ou seja,pululam pela Europa,pelo Mundo do futebol, os jogadores brasileiros da faixa etária dos 20 ou 30 anos...

Ora uma tal realidade,incontornável,obriga-nos a pensar como salvaguardar a ideia de jogos e campeonatos nacionais,jogados por nacionais,ou por uma maioria ou uma quota de jogadores nacionais...

Ou,sei lá,a conformarmo-nos com um futuro campeonato europeu ao jeito da NBA...com campeonatos "distritais" correspondentes aos hoje designados de nacionais...

A reflectir!

JG

Fé e Misticismo

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006
À crença irracional que relaciona certas acções ou comportamentos com sorte ou azar chama-se superstição. A superstição também pode ser expressa em crenças ou práticas religiosas, crer em acontecimentos extraordinários ou intervenções sobrenaturais.

O crer, a fé e o acreditar nas suas potencialidades são factores importantes para a vitória e o sucesso desportivo.

Muitos são os atletas que antes de uma prova importante se obrigam a uma série de comportamentos sem os quais não acreditam que possam ter sucesso. Ou pelo menos não acreditam que a prova lhes possa correr tão bem quanto gostariam.

De vez em quando, a comunicação social dá conta de certos rituais de atletas de renome ou de equipas que no seu colectivo, realizam algumas práticas que parecem bizarras ou esquisitas. Ou até de indivíduos que, pela sua acção pessoal, pretendem contribuir favoravelmente para que certos acontecimentos tenham um fim determinado.

Foi o que aconteceu recentemente, quando foi tornada pública a intenção do chamado “bruxo de Fafe” fazer uma pequena “peregrinação” até ao santuário do Sameiro em Braga, para que o clube do seu coração ficasse liberto de algumas más influências que prejudicariam o desempenho dos seus jogadores.

E não é que o clube em questão, ganhou, coisa que não acontecia desde meados de Dezembro!

Ele há coisas!!!

EP

Obviamente que sim…

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006


Em 2 de Janeiro, escrevi neste Blogue o Comentário “O milagre que nunca existiu…”, no qual, tomando como ponto de partida declarações recentes da antiga nadadora olímpica Petra Shneider, a propósito dum record obtido com recurso a doping, ensaiei algumas considerações sobre o modelo desportivo dos países do ex-bloco soviético, para a certa altura perguntar:

Será que este modelo estatizado, utilizado por países totalitários para fins de propaganda externa, do qual foi exemplo típico o tão incensado “milagre desportivo da ex-RDA”, ainda subsiste?

Eu próprio dava a resposta:

Se pensarmos em Cuba (mesmo com nuances tropicais…) e sobretudo na China, obviamente que sim.

Nem de propósito, dou hoje de caras, no último número da “World Rowing Magazine”, órgão da FISA (Federação Internacional de Remo), com um artigo intitulado “Behind the red and gold – demystifying Chinese rowing”, do qual tento traduzir alguns trechos elucidativos:

A China foi sempre um mistério no que diz respeito ao Remo. Surgindo numa ou noutra regata internacional, depois desaparecendo para reaparecer outra vez com um novo grupo de atletas.
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O desporto chinês é planificado ao nível provincial, utilizando financiamentos locais e nacionais com um controle centralizado pelo Departamento Geral de Desportos.

“Logo que aqui cheguei, a situação refrescou-me a memória”, explica Igor Grinko, treinador chefe recentemente reconduzido. “É como se estivesse de volta à União Soviética. Posso fazer testes psicológicos, temos médicos, massagistas, cozinheiros…”

O director adjunto da administração dos desportos náuticos, Aijie Liu, explica que isto constitui uma vantagem para a China, porque os remadores estão disponíveis a tempo inteiro, a cargo do Estado.
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Cerca de 130 atletas treinam presentemente com Grinko no Centro de Treino de Inverno de Guangzhou, perto de Hong Kong. São praticantes a tempo inteiro e, exceptuando os feriados nacionais, o treino prosseguirá diariamente até aos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim.

Um novo centro de treino de verão, no norte, está pronto para ser utilizado e vai ser criada uma base na Europa, com a sua própria frota de embarcações.

Liu é muito aberto quanto às suas perspectivas: “Temos que ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, estima. Não é um sonho, é um dever.”

Obviamente que sim…

JS

Health Club Portugal termina a sua actividade

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
O Health Club Portugal, como era conhecido o health clube que funcionava no edifício Portugal, fechou as suas portas.

Era um espaço agradável, bem equipado e com várias ofertas no âmbito das actividades físicas: squash, musculação, diversos tipos de ginástica aeróbia, natação, hidroginástica.

Por aquelas instalações passaram muitas pessoas para fazerem a sua actividade física preferida. Muitas crianças aprenderam ali a nadar.

Não sabemos que factos levaram ao encerramento deste health clube que era já uma referência na nossa cidade. Tão pouco sabemos qual vai ser o futuro daquelas instalações.

É no entanto nossa convicção que a cidade da Figueira da Foz não é tão rica em espaços de lazer e prática de actividade física, que se possa dar ao luxo de desperdiçar instalações deste nível.

EP

Futebol e Violência, casal “perfeito”

Gostaria muito mais de iniciar esta minha participação no blogue Zás Trás com um post mais positivo do que este, mas confesso que não consigo calar a minha irritação por mais um caso do nosso futebol. Não por ser do “nosso” futebol (irritar-me-ia da mesma maneira viesse ele de onde viesse) mas por ser um caso. Triste mas verdadeiro. Refiro-me obviamente aos infelizes acontecimentos ocorridos no fim-de-semana passado após o jogo entre o Porto e o Rio Ave. Inadmissível manifestação de falta de civismo, de educação, de respeito, para já não falar em “fair-play”que, por falta de entendimento, me provoca inúmeras perguntas.

O que é que passará pela cabeça daqueles “adeptos” para reagirem daquela forma? Que tipo de gente são? Como vivem em família e na sociedade? Como reagem às contrariedades do dia-a-dia, se um filho tem notas menos boas ou a mulher se atrasa a preparar o jantar? Que atitudes tomam quando perdem o comboio, têm um furo num pneu ou são preteridos no emprego? À paulada? À pedrada? À bofetada? Ou encolhem-se num canto, assobiam para o ar, atiram as culpas para os outros, arranjam quem lhes resolva os problemas?

E será que alguns responsáveis pelos clubes de futebol (sim, porque é essencialmente no futebol que estas cenas tristes acontecem), pelas mensagens que transmitem e linguagens que utilizam, não são eles próprios incentivadores destes comportamentos? A psicologia deve ter no futebol uma inesgotável fonte de matéria para análise. E nós – praticantes, apoiantes, dirigentes ou simples espectadores – educados no respeito por princípios, valores, regras ou mero bom-senso, continuamos perplexos sem entender o que leva a atitudes tão condenáveis e deprimentes.

O Sr Futebol e a D. Violência são afinal o exemplo de um casamento completamente inadequado que infelizmente parece resultar.

AMC

Nova colaboradora do Zás-Trás!

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006
Este Blogue conta a partir de hoje com uma nova Comentadora residente,Alice Mano Carbonnier (AMC).

Interessada e conhecedora do fenómeno desportivo,ou não tivesse sido atleta e dirigente de muita valia do Ginásio Figueirense,também se destacou no jornalismo,quer como responsável das publicações da Celbi,quer sobretudo pela coluna "Conversas ao acaso",que manteve no jornal "A Linha do Oeste"