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Um futuro bem melhor para o Desporto Português ??…eu penso que sim.

Terça-feira, Janeiro 31, 2006
No passado dia 12 de Janeiro estive presente na sessão de abertura do Congresso do Desporto no âmbito da sua discussão ao nível do distrito de Coimbra.

Embora não estivesse prevista, a presença do Secretário de Estado do Desporto, Dr. Laurentino Dias e nessa altura a sua esperada mensagem de Boas Vindas, acabou por ser, pelo menos para mim, um momento muito interessante, dada a matéria que resolveu abordar e a clarividência com que brindou a assistência na sua exposição.

A sua intervenção ultrapassou em muito o que seria de esperar duma mera saudação de Boas Vindas, e deu para perceber, que tem ideias claras quanto ao rumo que quer dar ao Desporto Português.

Foi claro quando nos referiu que existem em Portugal Pavilhões sem utilização, Piscinas onde não nada ninguém, Pistas de Atletismo sem praticantes, e outros exemplos que evidenciam o desordenamento do território desportivo, consequência do pouco cuidado e rigor que estiveram na base da realização daqueles investimentos. Foi dinheiro público mal aproveitado, esbanjado, sem respeito pelos cidadãos que pagam os seus impostos.

No que respeita ao acima exposto, a quem devemos atribuir responsabilidades ? Ao IND ?, Ao Governo ? Aos políticos ? …Pois é… Mais uma vez, ficaremos sem saber quem foram os responsáveis. De qualquer modo e face ao levantamento efectuado, das infraestruturas desportivas existentes no País, deduzi das suas palavras, que vai ser exigente e criterioso nos futuros apoios a conceder. Ainda bem.

Foi claro também, quando respondeu aos que, normalmente depois dos desaires competitivos, reclamam pelos apoios que o Estado não atribui aos atletas de Alta Competição. Informou a audiência, que no ano de 2005 o Governo entregou ao Comité Olímpico Português, 2000 contos por dia, e esta verba destinada apenas ao 1º ano de um novo ciclo Olímpico, para não falar do que recebem as Federações através do IND, para apoiar os seus atletas Seleccionáveis.

É de facto muito dinheiro, e penso, salvo raras excepções, que muitos atletas e treinadores, continuam a confundir o regime de Alta Competição com o regime de competição ao nível dos Campeonatos Nacionais.

Também aqui o Secretário de Estado pôs o dedo na ferida, e deu a entender que vai ser criterioso nos apoios à Alta Competição, pois há muito mais a fazer, quando somos confrontados com o lugar que ocupamos no ranking da prática desportiva na União Europeia. O 25º lugar e último.

Assim, o objectivo traçado, e temos 4 anos pelo menos para o fazer, é abandonar a cauda da Europa. Apontou então, linhas de orientação no sentido da divulgação e massificação da prática desportiva, conducente a hábitos de trabalho que sejam a base de uma competição, suportada pela “ cúpula de um conjunto vasto de praticantes “, e não como até aqui, continuarmos a viver espaçadas e aleatórias alegrias, de cada vez que aparece um Carlos Lopes, uma Rosa Mota, uma Vanessa Fernandes, detentores de grandes sucessos desportivos, porque eles sim, optaram por trabalhar intensamente e diariamente, de acordo com as exigências correspondentes ao estatuto de atleta de Alta Competição.

Necessitamos de ter muito mais gente a praticar desporto, para termos mais atletas a competir, mais atletas de topo, de onde aí sim, sairá a elite que representará com dignidade e nível, o país nos futuros Jogos e Campeonatos da Europa e do Mundo.

Mas ao apontar na linha da massificação desportiva, também deixou claro que essa aposta passa muito pela rentabilização dos recursos locais existentes, integrados em acordos e parcerias a efectuar entre os Clubes e as entidades locais, Câmaras e Escolas, com obtenção de enormes ganhos decorrentes do aproveitamento do património desportivo existente, dos recursos humanos e da experiência técnica e competitiva existente nos Clubes.

Para descanso dos fundamentalistas do chamado “ Desporto Escolar “, que continuará a ser tutelado pelo Ministério da Educação, esta aposta decorrerá paralelamente a todas as actividades da Escola, que tem na minha opinião, um papel imprescindível no ensino da Educação Física, e uma importância enorme ao nível dos primeiros contactos com o desporto e na sensibilização da juventude para a prática de actividades e hábitos salutares e disciplinadores. Claramente dois universos, o do Desporto Escolar e o do Desporto amplamente dinamizado, massificado, que contemplará o Lazer, a Competição e o Alto rendimento.

Numa primeira abordagem, penso que as linhas orientadores apresentadas, evidenciam que a tutela do Desporto sabe o que quer, para onde ir e como viajar até lá.

Sem quererem afirmar-se como únicos detentores da verdade, os actuais responsáveis pelo desporto, ao nível da Secretaria de Estado, organizaram o Congresso, promovendo o debate com sessões abertas a intervenções dos vários agentes desportivos, em vários distritos do País, o que nos dá alguma garantia de que as suas conclusões sejam práticas, modernas, consensuais, adequadas ao nosso país e de certo modo algo dinamizadoras, pelo que tenho alguma esperança que o Desporto Português tenha um futuro diferente e para melhor.

Muitos clubes e os seus atletas bem o merecem.

JT

A Educação Física e o Poder Político

A legislação que regulamenta a avaliação dos alunos que frequentam actualmente os 10º e 11º anos do ensino secundário (Decreto-Lei n.º 74/2004), atribui à disciplina de Educação Física uma importância igual, para efeitos de avaliação, às outras disciplinas que compõem o currículo deste grau de ensino. Isto tem como consequência que o aluno, ao contrário do que acontecia anteriormente, tem de ter positiva à disciplina de Educação Física, sob pena de não concluir o ensino secundário. Outra consequência é o facto de esta disciplina contar para a média do curso do ensino secundário. Até aqui tudo normal.

O que parece estranho é que o Senhor Secretário de Estado da Educação apresentasse, para parecer do Conselho Nacional de Educação, uma proposta que implicaria que a classificação da disciplina de Educação Física deixasse de ser considerada para a obtenção da média do curso do ensino secundário.

Todo o investimento que o Estado tem feito em infra-estruturas desportivas escolares e na formação superior de professores de Educação Física parece desprovido de sentido. Apesar de todos os estudos defenderem que para uma formação equilibrada do jovem a componente psicomotora é essencial.

Num país com fraca participação dos jovens em actividades físicas e desportivas e com graves problemas de obesidade em jovens, não conseguimos perceber a intenção do Senhor Secretário de Estado.

Felizmente que o Conselho Nacional de Educação ao responder que a proposta “…não fundamentada pelo Ministério da Educação, esbarra com o princípio da sua inclusão na formação geral e pode conduzir a disciplina a um estatuto de disciplina menor dentro do currículo.” O CNE sugere ainda “…que faria mais sentido alterar o modelo de cálculo da classificação de acesso ao ensino superior ou até concentrar esta sobre as disciplinas da formação específica.”

As alterações ao Decreto-Lei n.º 74/2004 já foram aprovadas em Conselho de Ministros e ao que parece não apresentam alterações ao estatuto da Educação Física.

Aliás, ao consumar-se esta pretensão, não era a Educação Física que ficaria a perder, mas sim o seu alvo privilegiado – os alunos.

EP

África minha

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
Não tenho qualquer razão para saudosismos africanos,continente onde estive por uma vez apenas e por razões pessoais profundamente desagradáveis.

Não tenho pois qualquer razão para ter sentido a especial sedução africana da maioria dos europeus que por lá passaram uns tempos.

Acontece porém que ao assistir,a espaços,a alguns dos jogos de futebol da CAN 2006 estou cada vez mais seduzido pelo futebol africano.

E uma tal sedução é-me induzida pelos aspectos em que o futebol africano se afasta daquilo a que se convencionou designar de rigor tactico (leia-se,defensivo)do futebol europeu.

Os "catedráticos da bola"nacional logo dirão que as selecções nacionais africanas exibem na CAN 2006 um futebol ingénuo,tacticamente deficitário,mas com elevado potencial - estes os lugares comuns da imprensa desportiva nacional!

Eu prefiro dizer que o futebol africano ainda apresenta uma especial magia,um perfume único,uma música feita ao rimo do batuque...o que permite verificar que os jogadores ainda têm prazer em jogar futebol.

E quando assim é,então é também um prazer assistir a tais jogos de futebol,ao invés da maioria dos jogos europeus (excepção feita a Espanha e Inglaterra) circunscritos a 40 metros de marcações defensivas individuais só ultrapassadas pelos "artistas" cada vez mais raros.

Parece que aos africanos ainda lhes dá gozo jogar à bola,a mim tem-me dado gozo assistir aos jogos da CAN 2006.

Aos dirigentes dos clubes portugueses parece que o gozo lhes vem de expedições ao Brasil...para contratar (raptar?!) os jogadores brasileiros que enxameiam o futebol português.

São gostos...

JG

Quando nostalgia e saudade se confundem

Quarta-feira, Janeiro 18, 2006
Quis o destino que em Dezembro voltasse à Figueira da Foz e ao Ginásio Figueirense por duas vezes na mesma semana, mas por motivos bem diferentes.

A 1ª visita deu-se ao Pavilhão Galamba Marques para ao serviço do meu novo clube defrontar o clube anterior, onde passei oito épocas ( não oito meses) facto pouco usual no desporto português, mas normal num clube especial como é o G.F., afinal mais de dez por cento duma vida terá sido passado ao serviço desta colectividade com muito orgulho e respeito por todos os que encontrei.

No Galamba Marques senti nostalgia e revivi antes do jogo emoções que não mais esquecerei e vieram-me á memória pessoas que conheci e já desapareceram, ficando a saudade e uma grata recordação por ter feito parte do " seu grupo de amigos", obrigado Galamba Marques e Nicolau Mónica.

A 2ª visita ao clube deu-se uma semana depois, para juntamente com alguns directores romar a Buarcos para "visitar" o meu antigo capitão Rui Roxo, veio a saudade e as recordações dum jovem que me marcou para sempre, pela frontalidade e amor ao jogo " sui generis".

O Rui será sempre para mim uma recordação inesquecivel, não só pela sua trágica morte, mas também pelo que de novo encerrava na mistica da equipa, num ano de transição para ele e para o clube.

Amava a competição, nada fazia com mais gosto na vida do que competir, mas surprendentemente após anos de alguma "rebeldia" saudável,incómoda para quem com ele convivia, no ano de 2004/05, afirmava-se como jogador de liga profissional, como capitão e como lider e homem da confiança do treinador ( e no desporto profissional não há muitos).

A saudade que tive obriga-me a sugerir que o clube assuma este simbolo como referência obrigatória dos mais jovens,e se promova a realização de um Torneio anual de formação RUI ROXO, sendo uma tarefa que a todos diz respeito.

O Rui lá longe estará ao nosso lado a torcer por todos nós.

Vai D Arrinca

OS

Centenários com (e sem)cem anos...

Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
O Presidente da Comissão do Centenário do Sporting , Ernesto Ferreira da Silva , defendeu recentemente , em declarações ao jornal " O Jogo " , que os leões são os únicos entre os três grandes a " comemorar um centenário de cem anos ".

Relativamente ao F.C.Porto , a afirmação é totalmente pertinente , pois não tem qualquer consistência a tese , relativamente recente , da sua fundação em 1893 , ao invés de 1906 ( ver "A antiguidade dos Clubes desportivos",comentário que inseri neste Blogue em 23 de Setembro ).

Já quanto ao Benfica , desconhecia qualquer contestação à data oficial da fundação(1904), pelo que bem gostava de saber qual a justificação da afirmação do Senhor Presidente.

Mas ele nada explicou...

JS

AS PRESIDENCIAIS E O DESPORTO

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
Tenho vontade de escrever sobre as Presidenciais e o Desporto aqui, neste espaço, estou mortinho por fazê-lo...

Não, não vou resistir... está-me na massa do sangue, vou ajogo, vamos a isso!

Avisado estou, por mim próprio, que o não devo fazer, prevejo a tormenta, a borrasca, eu sei lá...

Vamos a isso!

Acaso, nesta pré-campanha Presidencial, os candidatos esqueceram o Desporto, no sentido em que, neste espaço, o temos considerado?

Dizem-me que sim, logo há falhanço dos candidatos, déficit na afirmação da respectiva proposta.

É que eles, a bem dizer, eleitos Presidente, logo resolvem o déficit das contas públicas (um mais que o outro) a ausência do investimento e do crescimento económico (um mais que o outro) e promovem o empenho nacional para a qualificação, modernização e o cimentar de uma identidade nacional (o outro mais que o um).

Eu sei lá quantos mais "lugares comuns" assim considerados por um ou o outro com referência ao inverso...!

E do desporto?

Nada, nem uma palavrita... apenas...

Esqueceram eles a velha máxima latina...

Esqueceram-se eles do atletismo de que um diz ter sido praticante e da Académica, resposta do outro, quando, Presidente da República, numa final da Taça de Portugal, foi questionado pela sua simpatia clubista...

Mas afinal vêm praticando o "desporto"...

O outro sempre ao ataque... o um sempre na esquiva... o outro sem conseguir, até ver, o Ko... o um sem se deixar apanhar, jogando, até ver, na vitória aos pontos, porventura esmagadora (com a maioria dos Juizes, eleitores que somos)... o um repetindo apenas, sistematicamente, dois golpes o "Jab" de direita e o "uper cut" sempre ao centro e o outro, jogando com golpes de direita e esquerda, também ao corpo, directos, eu sei lá, todo o manancial técnico conhecido...

Eu quis, propositadamente, brincar com a situação Presidencial e o... Desporto!

Estou certo que ganhando o um/ou o outro, ganharemos todos porque, o outro ou o um, ganhando, servirão Portugal.

E aqui sem queixumes do sistema, das arbitragens, do que quer que seja.

Viva Portugal!

JG

Importância social do desporto

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
Publicou o jornal Expresso na revista Única, na edição de 30 de Dezembro, uma entrevista com Patrick Monteiro de Barros, considerado o quarto homem mais rico de Portugal. Nessa entrevista é referido várias vezes a importância que o desporto tem tido na sua vida privada e profissional. Atleta olímpico e vice campeão do mundo, campeão ibérico e várias vezes campeão nacional em Vela, teve uma intervenção importante para não dizer decisiva na realização em Portugal do Campeonato do Mundo de Vela em 2007.

São conhecidos e frequentemente referidos os efeitos para a saúde da prática regular e sistemática de uma actividade física do gosto do praticante.

No entanto, existem outros aspectos da vida humana que podem beneficiar dessa prática devidamente orientada e enquadrada.

Num processo desportivo o jovem é estimulado desde cedo a valorizar aspectos como a organização das tarefas diárias escolares e não escolares, a gestão do tempo livre, a disciplina, o respeito pelo adversário, valores que o acompanharão durante toda a sua vida.

A melhoria nos aspectos psicológicos através da elevação dos níveis de auto estima e auto conceito proporcionadas pela prática desportiva conduzem a uma melhor integração da sociedade.

O desafio, a necessidade de superação, a educação da vontade a interacção social e de convívio, aspectos da vida humana que são potenciados pelo desporto e que se repercutem positivamente na vida pessoal e profissional do indivíduo.

EP

O milagre que nunca existiu …

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
Em declarações à Televisão, Petra Shneider, antiga Campeã Olímpica de Natação (Moscovo, 1980) da ex-RDA *, veio agora sugerir que o seu recorde alemão de 400 metros estilos, obtido em 1982, deve ser pura e simplesmente “apagado”, pois foi conseguido com recurso a doping.

Mais um pequeno passo, entre os muitos que têm sido dados desde a queda do muro de Berlim, para desmistificar o modelo desportivo que vigorou nos países do bloco soviético, à época tão celebrado e imitado um pouco por todo o mundo, inclusive em Portugal, imediatamente após a Revolução de Abril.

As retumbantes e consecutivas vitórias que durante anos deslumbraram tanta gente (alguma de boa fé…) não eram afinal consequência duma base de prática desportiva alargada a toda a população, conforme a maciça e obcecante propaganda oficial pretendia fazer crer.

Bem pelo contrario, assentavam numa reduzida estrutura, funcionando à imagem e semelhança dum exército, vocacionada até à exaustão para os resultados, para tal dispondo dos mais poderosos e sofisticados meios, em flagrante contraste com o medíocre dia-a-dia da maioria dos cidadãos.

Com recrutamento (tantas vezes compulsivo …) através dum omnipresente sistema de prospecção, dirigido a jovens das mais tenras idades, escolhidos em função das suas características morfo-fisiológicas.

Será que este modelo estatizado, utilizado por países totalitários para fins de propaganda externa, do qual foi exemplo típico o tão incensado “milagre desportivo da RDA”, ainda subsiste?

Se pensarmos em Cuba (mesmo com nuances tropicais … ) e sobretudo na China, obviamente que sim.

Mas mesmo em países democráticos, que não nos anglo-saxónicos, continua a verificar-se algum peso e influência dos saudosistas do modelo e seus seguidores, sobretudo ao nível das relações institucionais entre o Estado e o Desporto federado.

É disso exemplo encapotado a legislação desportiva portuguesa do inicio dos anos 90, cuja anunciada revisão se aguarda com bastante expectativa.

*República Democrática Alemã

JS