Cenas (pouco) desportivas ... (4) - O SENHOR DOUTOR
Se bem me lembro, foi no final da década de 60, estavam a terminar os “anos loucos” do futebol ginasista.
À frente da Secção, o saudoso Zé Martins era um improvisador nato e um repentista que raramente se atrapalhava, fosse qual fosse a situação, tantas vezes “encenada” por ele próprio.
Jogo do Campeonato Nacional de Juvenis em Tondela, acompanhava a equipa o Eng. Germano Alves, à época dirigente do clube.
Num expediente algumas vezes utilizado (não éramos só nós…) o Zé Martins levou um júnior (mais velho dois anos) para o pôr a jogar com o cartão de um dos titulares, e assim reforçar a equipa.
Os árbitros raramente conferem as caras dos jogadores, deixam os cartões na cabina, ia-nos dizendo para nos sossegar perante a fraude iminente.
E lá entraram em campo.
Vindo do balneário, surpresa … com os cartões na mão, o árbitro dirigiu-se para o centro do terreno e iniciou a conferência, felizmente pelos adversários.
De reflexos rápidos, o Zé entrou em campo, correu para o ilegal, e gritou-lhe: vem já embora, estás doente, não podes jogar!
O protesto do rapaz foi imediato: ó Senhor Martins, eu sinto-me muito bem, não tenho nada…
Já na presença do árbitro e do Germano, que entretanto se aproximara nas calmas, para ver o que aquilo dava, o Zé foi definitivo: já te disse, estás doente, estás cheio de febre… aqui o senhor doutor (apontando para o Germano) não te deixa jogar.
O que ele não esperava foi a resposta: mas qual senhor doutor? Esse é o senhor engenheiro, meu professor lá na Escola Industrial.
Mas o Zé nem assim se atrapalhou: não te disse? Até já estás a delirar!
E lá o trouxe por um braço, contrariado e resmungando, para então entrar em campo o verdadeiro titular de licença.
E o árbitro? Pois bem, muito diplomaticamente fez de conta que não tinha percebido nada, e foi o melhor que fez, dado que a fraude não se consumara.
JS
À frente da Secção, o saudoso Zé Martins era um improvisador nato e um repentista que raramente se atrapalhava, fosse qual fosse a situação, tantas vezes “encenada” por ele próprio.
Jogo do Campeonato Nacional de Juvenis em Tondela, acompanhava a equipa o Eng. Germano Alves, à época dirigente do clube.
Num expediente algumas vezes utilizado (não éramos só nós…) o Zé Martins levou um júnior (mais velho dois anos) para o pôr a jogar com o cartão de um dos titulares, e assim reforçar a equipa.
Os árbitros raramente conferem as caras dos jogadores, deixam os cartões na cabina, ia-nos dizendo para nos sossegar perante a fraude iminente.
E lá entraram em campo.
Vindo do balneário, surpresa … com os cartões na mão, o árbitro dirigiu-se para o centro do terreno e iniciou a conferência, felizmente pelos adversários.
De reflexos rápidos, o Zé entrou em campo, correu para o ilegal, e gritou-lhe: vem já embora, estás doente, não podes jogar!
O protesto do rapaz foi imediato: ó Senhor Martins, eu sinto-me muito bem, não tenho nada…
Já na presença do árbitro e do Germano, que entretanto se aproximara nas calmas, para ver o que aquilo dava, o Zé foi definitivo: já te disse, estás doente, estás cheio de febre… aqui o senhor doutor (apontando para o Germano) não te deixa jogar.
O que ele não esperava foi a resposta: mas qual senhor doutor? Esse é o senhor engenheiro, meu professor lá na Escola Industrial.
Mas o Zé nem assim se atrapalhou: não te disse? Até já estás a delirar!
E lá o trouxe por um braço, contrariado e resmungando, para então entrar em campo o verdadeiro titular de licença.
E o árbitro? Pois bem, muito diplomaticamente fez de conta que não tinha percebido nada, e foi o melhor que fez, dado que a fraude não se consumara.
JS