Lendo o seu comentário a respeito do post colocado neste blogue, cabe-me, pelo menos em parte, dar-lhe uma resposta.
Se bem que posso concordar consigo em alguns pontos, noutros, creio que será oportuno esclarecer para que a realidade não fique distorcida.
Em primeiro lugar, sugiro-lhe que deverá olhar para o texto do blogue, tal como eu o fiz, como uma forma de promoção de um grande clube de remo como o Ginásio.
Se existiu conciliação de sucesso entre a carreira desportiva e académica, creio que a resposta é sim. Ora vejamos, quantos remadores é que conhece que entraram em medicina (e não foram poucos) e que continuaram a remar? Talvez não seja assim tão simples como faz parecer. Certo está na conta – demorei objectivamente mais um ano a concluir a licenciatura.
Pela sua definição de alta competição, informo-lhe que a vertente do treino está e esteve sempre presente. Sobre a participação, se considera que estar a qualquer custo num mundial e com expectativa de qualquer resultado nos transforma num atleta de alta competição; tenho que concordar consigo, não participo há algum tempo. A ultima presença pela selecção foi na Taça do mundo de Sevilha em 2001 e não 2000.
Sobre o sucesso em 2000. A imagem que quer fazer passar é distorcida. Deixe-me esclarecer. Em 2000 estive juntamente com mais alguns atletas a treinar afincadamente para qualificação olímpica, a qual não foi alcançada por escassos metros. A participação no mundial foi a escassas 2 semanas após a regata de qualificação, com outra tripulação e outro tipo de barco. Não desculpando um 10º lugar (que para mim é uma má posição – embora pergunto quantos resultados melhores em Campeonatos do Mundo Sénior desde esse ano?) creio que será correcto não esquecer o resultado da equipa que esteve mais próxima da qualificação olímpica desde 1996 (relembre-se que nesse ano a participação foi por convite), ou até 1992 para alguns.
A interrupção da minha participação na modalidade enquanto atleta foi só de um ano e não dois. Acredito que seja importante referir que, durante esse período, estive envolvido numa das duas listas candidatas à Federação Portuguesa de Remo, como candidato à vice-presidência, tentando mostrar um projecto de desenvolvimento sustentado da modalidade, abarcando também a alta-competição. Esse processo de campanha naturalmente ocupa todo o tempo disponível.
Pergunto-lhe se conhece alguém que conseguindo resultados (e não participações) internacionais na nossa modalidade, que conclua um curso superior exigente? A resposta que fornecia durante esse período eleitoral e que ainda acredito é que não. As estruturas federativas tem é de fornecer suporte aos atletas para que, quando abandonem a alta esfera da competição, disponham de uma base segura para desenvolver a sua vida. Isso implica sinceridade (algo raro) para com os atletas: os cursos demoram mais tempo quando se rema e treina a sério.
Não me considero nem estrela, nem vedeta, todavia, estranho quando refere “ter tido” uma carreira de sucesso como seja não tivesse futuro na modalidade.
Interrogo-me e parece-me, no mínimo, curioso o facto de lhe custar ver tanta distorção da realidade e só ter reagido nesta altura. No entanto, embora atrasado, saúdo-o nesta sua intervenção cívica com vista à melhoria da modalidade.
AA