Os anos foram passando, até que no Congresso Extraordinário da Federação Internacional que teve lugar em Sidney, no início de 1997, são aprovadas novas regras a que tem de obedecer a construção de estádios náuticos, sendo recomendado a todos os países que os viessem a construir, um cuidado especial na observância das mesmas, pois investimentos desta grandeza implicam recursos financeiros elevados, e as regatas de Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos só poderão ter lugar em concordância com esses requisitos.
Tendo em conta estas novas exigências, os presidentes das Câmaras de Montemor – o - Velho e de Aveiro, respectivamente em 1997 e em 1998, avançaram com os projectos de construção de pistas de remo e canoagem, solicitando a consultoria da federação internacional remo, recomendando esta a inclusão, no campo de regatas, de todas as infra-estruturas de um estádio náutico.
A canoagem passava, na altura, por um período difícil da sua vida federativa, e não acompanhou o processo como certamente seria seu desejo.
Com os habituais percalços e vicissitudes que envolvem empreendimentos desta natureza, no nosso país, concretizou-se parte do projecto de Montemor-O-Velho em 2002, e foi concluído o projecto de requalificação do Baixo Vouga, no qual se inclui a pista do Rio Novo de Príncipe, em 2004.
Tanto em Cacia, como em Montemor – o - Velho, foram enaltecidas estas características, junto da federação internacional: a proximidade dos aeroportos mais próximos – Porto e Lisboa -, o acesso aos mesmos através de auto-estrada com viagens de curta duração, a possibilidade de utilização de um canal suplementar para além dos 2000 metros regulamentares da distância de competição, a oferta de alojamento a preços de época baixa ou especiais, considerando a dimensão dos grupos e a ocupação hoteleira invernal.
Nos países ricos e desportivamente mais avançados da modalidade, e de acordo com o sistema de preparação desportiva implantado, já não se investe em estruturas fixas de alojamento, dados os custos que representam a sua construção e manutenção.
Feita esta resenha histórica com os factos que considero mais relevantes, chegamos a 2007, o que quer dizer que já passaram mais de 50 anos sobre a manifestação popular que teve lugar em Aveiro, junto aos Paços do Concelho, a pedir uma pista náutica, e cinco sobre a realização em Montemor – o - Velho da Coupe de la Jeunesse (organização da qual são membros 12 países europeus, incluindo Portugal).
É, pois, oportuno, reflectir sobre a situação presente:
- o estádio náutico de Montemor – o - Velho ainda não foi concluído, e a degradação da balizagem que lá foi instalada é bem visível
-a execução do projecto da pista do Rio Novo de Príncipe ainda não teve início
-os praticantes das selecções nacionais, entre outras, Polónia, Noruega, Suécia, Holanda, Dinamarca, Rússia continuam a estagiar em Portugal, nomeadamente em Ferreira do Zêzere, Avis e Pocinho
-a FP de Remo, centralizou as suas actividades, considero que a título precário, no Pocinho
Considerando que as federações desportivas são independentes do Estado, dos partidos políticos e das instituições religiosas e desenvolvem as suas actividades de acordo com os princípios da liberdade, da democraticidade e da representatividade;
Lembrando que o preceito constitucional que está subjacente à representatividade, é aquele que fomenta a opinião de todos os interessados nas decisões que lhes digam respeito, já que representar é falar em nome das outras pessoas como se fossem elas a falar;
Conclui-se que, dada a diversidades das iniciativas em curso, as gentes do remo terão de decidir, no futuro próximo, sobre a melhor afectação dos recursos financeiros que forem consignados a esta área estratégica do seu desenvolvimento.
Isto significa que, sendo necessário um parecer e/ou vínculo federativo, só uma assembleia - geral, convocada para o efeito, poderá deliberar sobre o assunto, já que os órgãos presidente e direcção não têm competência para o fazer.
Antes de terminar, e depois de tantos esforços, por tão longo período de tempo, é altura de relembrar a letra do fado “Povo que lavas no rio as tábuas do teu caixão …” ou então o general romano que combateu na Lusitânia e que enviou para Roma esta mensagem, hoje célebre: “Este povo não se governa nem se deixa governar “.
FE