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FOTOS COM HISTÓRIA (8)

Terça-feira, Abril 24, 2007
1902 – A 31 de Maio, é fundada em Coimbra a Empresa Automobilista Portuguesa (hoje Auto Industrial), que foi a primeira do ramo no nosso País e tinha (tem) instalações na Avenida Navarro, à Portagem.
Representava à época a marca “Darracq” e através do seu sócio Dr. Tavares de Melo contribuiu de forma decisiva para o arranque e expansão do automobilismo desportivo em Portugal.
(foto retirada de “Primeiro Arranque”, de Vasco Callixto – 1971 – Biblioteca do Ginásio)

Desporto e sociedade (I)

Sábado, Abril 21, 2007
Acertando o passo com o mundo, o Desporto asssumiu a fisionomia da sociedade actual: é mais mercantil, mais individualizado, e medicalizou-se. A prática desportiva representa menos uma procura de movimento, de sociabilidades ou de exploração dos limites do corpo, para se transformar em "bem", procurado e oferecido sob a forma de "serviço". Os cidadãos procuram o clube para usufruir de uma prestação social (embora, curiosamente, sem as mesmas exigências de qualidade que teriam em qualquer outro serviço público), com um preço estabelecido.
Para o associativismo, são mutações de monta. Os clubes, arreigados a identidades construídas ao longo de décadas (séculos), lidam dificilmente com a eclosão de novos públicos, com necessidade de responder a motivações e afectividades que escapam ao modelo do sócio dedicado e do "amor à camisola", com a consequente dificuldade de atrair novos quadros e renovar dirigentes.
Em mundo concorrencial, quando o poder político se retira, como actor, da cena desportiva, os clubes sentem-se pressionados, contra vontade, a adoptar tecnologias empresariais de gestão para competir por receitas escassas e por um público saturado de ofertas de consumo.

Muitos clubes viram-se forçados a mudanças dolorosas, porque se viram impotentes para responder ao novo mundo. Em alguns casos, as transformações demográficas urbanas (desertificação dos centros, baixa da natalidade) levaram associações tradicionais à morte.
Neste cenário, que futuro para o associativismo? Regresso às origens, fuga para a frente, adaptação criativa à mudança? Fácil de enunciar, difícil de pôr em prática.
A riqueza social do associativismo desportivo é incalculável. Ignorá-la é tão irresponsável como acreditar que tudo vai ficar sempre na mesma.

CG

NOVO COMENTADOR - DR. CARLOS GONÇALVES

Segunda-feira, Abril 16, 2007




O Zás-Trás! tem a partir de hoje um novo Comentador residente, cuja colaboração representa uma inegável mais-valia em áreas de interesse cientifico como a Pedagogia do Desporto e a Organização do Desporto infanto-juvenil, mas não só.
Licenciado em Direito por Coimbra e em Educação Física pelo Instituto de Bucareste (Roménia), o Dr. Carlos Gonçalves é, desde 1997, Assistente da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra.
Treinador de Basquetebol desde 1975 (incluindo 5 épocas no Ginásio) e ex-seleccionador nacional de todas as categorias masculinas, é presentemente Formador de Treinadores da Federação da modalidade.

Formação? Que Formação?...

Sexta-feira, Abril 13, 2007
Lemos (ouvimos) diariamente referências aos chamados escalões de formação, com os quais muitos clubes costumam “enfeitar-se” para mostrarem obra, com vista ao subsídiozito do costume…

Mas que formação?

De hábitos saudáveis através do exercício físico, de fair play, de cidadania…enfim, de “mens sana in corpore sano”, para usar esta tão estafada como significativa expressão?

Assim devia ser, mas não é…

No futebol, e não só, os escalões ditos de formação são na realidade de exclusão dos menos aptos, alguns jogadores são pagos, vão-se frequentemente buscar às ex-colónias os que têm jeito, chega-se ao extremo de contratar jovens de 9 anos!

Com a agravante de no caso de não servirem…lixo!

Será detecção e produção de talentos desportivos, investimento em futuros profissionais, mas formação desportiva, no sentido nobre do termo, não é…

Torna-se necessário, de uma vez por todas, separar o trigo do “joio”, só possível se o Estado e as Autarquias deixarem de apoiar, quantas vezes através de artifícios legais, este tipo selectivo de formação para o espectáculo.

JS

FOTOS COM HISTÓRIA (7)

Domingo, Abril 08, 2007

Era a praia fluvial de Coimbra (1935-47), todos os verões reconstruída (!) no Mondego, no areal frente à cidade.
Tinha uma piscina de 33.33 metros, na qual se realizaram Campeonatos regionais e nacionais, em época de grande entusiasmo pela Natação na capital do distrito.
Como não podia deixar de ser…na Figueira gozava-se com a iniciativa, dizendo-se que vinha cá parar todos os anos, por ocasião das primeiras cheias.
E até seria verdade…pois há bem poucos anos, na última grande cheia, o pontão de embarque do Choupalinho chegou ao Centro Náutico da Fontela em poucas horas!

QUANDO OS "LOBOS" (RAGUEBI) UIVAM !

Quarta-feira, Abril 04, 2007
A selecção nacional de raguebi, os Lobos!, acaba de marcar notável e definitivamente o desporto português ao lograr o apuramento para o Campeonato do Mundo, situando-se assim entre as desasseis melhores selecções mundiais.

Os Lobos uivaram!

E uivaram de forma tão mais aguda quanto é certo que à excepção de um ou dois jogadores, todos os demais são amadores puros que procuram compatibilizar os estudos, o trabalho com a prática da modalidade.

Os Lobos uivaram, pois!

Eu que por lá andei em rapaz e com eles aprendi que este era o jogo mais leal, vibrei intensamente quando os lobos atacaram "à mão" nos primeiros 15 minutos da 2ª parte e com eles ajudei na defesa estoica nos 20 minutos finais!

Então todos os lobos uivámos!

A questão é que no dia seguinte tomei conhecimento da detenção pela polícia uruguaia de seis jogadores da selecção nacional, em razão de excessos nas comemorações do apuramento -" uns copos!" disse o presidente federativo!

O Sr Presidente e os seis detidos não tinham, por certo, ouvido as declarações do seleccionador nacional, Tomaz Morais, "Agora temos mais responsabilidade"!

O Sr. Presidente e os seis tiveram menos!

Aqueles lobos uivaram baixinho e sem agudos!

Não quero desvalorizar o enorme êxito desportivo do raguebi nacional, mas pergunto-me porque é que tendo sido para mim, a prática da modalidade, uma escola de virtude e lealdade, de há anos a esta parte a vitória e a derrota são o pretexto para partir, destruir ou exibir a força bruta, imbecil e estúpida - ali onde aprendi a utilizar a força de forma inteligente e solidária,com o apoio da velocidade e mãos firmes para o ensaio!

Agora que os Lobos são exemplo que uivem exemplarmente com maior responsabilidade ainda no plano desportivo e social - eles são hoje o factor de estímulo dos jovens para a prática da modalidade!

Logo, que os Lobos uivem!

JG

Um país que vê passar os comboios

Domingo, Abril 01, 2007

Chego a casa cansado, de noite. Afundo-me no sofá, ligo a televisão num canal ao acaso. Aparece-me a RTP-N, está a começar um programa que nunca vi: a Liga dos Últimos – ideia de Daniel Deusdado, apresentação de Álvaro Costa. Dois ou três minutos depois, estou conquistado: é um programa brilhante. Contrariando toda a lógica das emissões “desportivas” da TV, que só sabem lançar os holofotes sobre os primeiros, esta Liga dos Últimos vai à procura dos clubes que estão no fundo de todas as tabelas. Em Portugal e até no estrangeiro.Esta original ideia materializa-se aqui num jornalismo de qualidade. Que nos mostra um retrato pitoresco do País – não o País que figura nos telejornais, o dos casos de sucesso ou o que grita nas ruas. É um país humilde, de gente incapaz de triunfar mas que nem por isso deixa de disputar desafios. O país dos jogos Atalaia 3-Pedra 2 e Anços 0-Santa Iria 1. Um futebol onde se contam tostões em vez de se ganhar milhões. Um futebol onde é possível o treinador perder todos os jogos e mesmo assim manter-se em funções porque é simultaneamente o presidente do clube. Um futebol onde o jogo que se pratica é tão mau que os escassos espectadores desistem de olhar para a bola.- Porque é que está de costas para o jogo? – pergunta a jornalista.- Porque estou mais interessado na bifana – responde o desiludido tifoso, entre duas dentadas.


É um futebol de mães desiludidas com a prestação dos próprios filhos.- Porque está aqui?- Porque o meu filho pertence aqui à bola. O meu filho é aquele alto que está lá dentro.É um país espontâneo, sem truques nem maquilhagens. Um país em que um dos frustrados futebolistas amadores, cantoneiro de profissão, se apresenta desta forma defronte das câmaras:- Sou Xuxu, um dos melhores jogadores da equipa. O problema é que chega-se ao jogo, começa logo tudo a discutir, e assim não há motivação para ganhar.Um país em que um treinador-de-trazer-por-casa, depois de levar cinco secos, desabafa assim:- Qual é a motivação que um treinador tem em vir para aqui à chuva para treinar quando só seis jogadores aparecem para os treinos? Além de treinar, tenho também que apanhar bolas, tenho que abrir o balneário, tenho que fechar o balneário.

É um país que vê passar os comboios. Literalmente.- Já ganhámos cá um jogo porque a equipa adversária nunca tinha visto um comboio e quando passou o comboio começou a olhar para o comboio e nós ganhámos – lembra um fervoroso adepto do Anços.É um país que não escolhe as palavras para dizer o que pensa:- Esse árbitro é um passarinho e o bandeirinha é um passarão. Não são capazes...- Porquê?- Se fossem árbitros capazes, não vinham para aqui.Este programa conquistou-me como nenhum outro o tem feito de há muito para cá. Os últimos, neste caso, são os primeiros.É Portugal no seu melhor.

Pedro Correia, in Corta-Fitas