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Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Foi publicada no dia 16 de Janeiro a nova Lei de Bases do Desporto, mais concretamente a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto.

A alteração da designação do nome de Lei de Bases do Sistema Desportivo para Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto parece indicar uma mudança do paradigma da lei. Torna mais amplo o enquadramento legal das actividades físicas, não se restringindo apenas ao sistema desportivo. Reconhece implicitamente que existe todo um leque de actividades físicas que não se enquadram no sistema desportivo, mas que necessita de ser regulamentado, regulado e controlado (por exemplo, sobre questões de segurança, níveis de responsabilização e aptidões técnicas para a organização e realização de actividades).

Entre as várias novidades apresentadas pela nova lei destaco as seguintes:
  • Elaboração da Carta Desportiva Nacional que permitirá uma avaliação séria e rigorosa sobre a situação desportiva nacional. Por exemplo, descobrir assimetrias na construção de equipamento e instalações desportivas, verificar a efectiva actividade do associativismo desportivo, entre outros.
  • Maior valorização do papel da Educação Física e Desporto Escolar como componentes essenciais da formação integral dos alunos, visando especificamente a promoção da saúde e condição física, a aquisição de hábitos e condutas motoras e o entendimento do desporto como factor de cultura que devem ser promovidos;
  • A substituição do termo "alta competição" por "alto rendimento" poderá parecer à primeira vista irrelevante. No entanto, esta alteração implica que à alta competição seja efectivamente associado o conceito de alto rendimento, o que, actualmente, nem sempre é verificado;
  • Condiciona os apoios financeiros à prática desportiva ao cumprimento das respectivas obrigações fiscais.
Apesar destas novidades, parece-nos um texto muito generalista e a pedir urgentemente a sua regulamentação. Sob pena de se tornar praticamente inútil.

Infelizmente não faltam exemplos de leis com boas intenções, mas cuja regulamentação nunca surgiu, tornando-as pouco eficazes.

EP

O 5º ÁRBITRO OU O MESTRE ENTRE BRUXAS!

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Vem este meu comentário a propósito dos esclarecimentos, mais uma vez!, prestados pela Comissão Disciplinar da Liga, através do seu Presidente, Mestre Ricardo Costa.

Confesso que estes sucessivos esclarecimentos me espantaram já que, tenho para mim, uma entidade jurisdicional pune (ou absolve) por aplicação da lei (dos regulamentos) e na exacta medida em que o faz coerentemente e com equilíbrio relativo, faz pedagogia.

A necessidade destes esclarecimentos praticamente semanais preocupa-me pois que como alguém dizia “quem sabe, faz! Quem não sabe fazer, ensina!”, no caso, explica!
Ora na sua última explicação o Sr. Presidente veio explicar-nos, e bem!, não ser, nem pretender ser o 5º Árbitro.

Pois não!

Mas o que não pode é ficar na mão dos árbitros que não vêem, fingem não ver, não querem ver ou escrevem não ter visto o que lhes apetecer ou lhes é conveniente…

O que não pode é a Comissão Disciplinar ficar na mão dos árbitros que sobre o mesmo lance escrevem no relatório no final do jogo “agressão ao adversário” “entrada violenta sobre o adversário” “entrada dura sobre o adversário” “jogada antidesportiva”, etc., etc.
Temo pois que a curto prazo, uma vez que o campeonato está mais competitivo que nunca, graves queixas se irão ouvir de um Mestre que, assim, se deixou ficar nas mãos das bruxas (no caso, os árbitros!)

É que, a meu ver, a Comissão disciplinar tem que estabelecer, por aplicação do regulamento disciplinar, o equilíbrio relativo e a equidade na competição face ao exercício discricionário dos árbitros.

A punição dos erros arbitrais já é outra questão, da competência de outra instância, o C. de Arbitragem.

Ou muito me engano ou o C. de Justiça da F.P.F. vai reduzir o castigo de Quaresma (já sem efeito útil por causa das “compensações” com Derlei…) e o Presidente da Comissão Disciplinar vai ficar na fotografia…porque se deixa ficar nas mãos das bruxas!

JG

FOTOS COM HISTÓRIA (4)

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Esta foto tem mesmo muita história!

É da 4ª Volta a Portugal (1932), mostra o desfile dos corredores no estádio, antes do início da prova, e repare-se na saudação fascista que os ciclistas eram obrigados a fazer.

Foi recortada do jornal que a publicou e colada num álbum (manuscrito) que “o entusiasta de ciclismo” Ruy da Trindade, de Santarém, organizou e ofereceu ao seu “glorioso Benfica”.

Como veio parar às mãos do Alves Barbosa, cujo pai, José, correu esta volta em representação do Ginásio, é outra história interessante que ele há-de contar, aqui no Zás Trás.

PORTUGAL, 50 ANOS DE CICLISMO (3)

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

Mas a ciência não pára de alargar os seus horizontes e, por isso a evolução das novas tecnologias de ponta, continua registando progressos contínuos… Daí que o dito treino com “Pulsómetro”, seja hoje, uma prática vulgarizada.

Na sequência desse progresso contínuo o ano de 2007 tem a assinalar, nesse aspecto, o lançamento, no mercado, de um novo tipo dessa sofisticada máquina produzida pelo gigante da indústria de mini computadores do mar Báltico.

E, assim estamos na presença do revolucionário modelo, “CS 600”…

Que permite ao atleta (e ao treinador) incrementar a eficiência da pedalada, (que é o ponto de partida) para a análise da produção mecânica da potência, em relação ao consumo de oxigénio. Quanto mais alta for a eficiência do movimento, mais potência se pode produzir, com a mesma quantidade de oxigénio. A eficiência é determinada em função da altura, peso, género, (masculino / feminino), e naturalmente da forma física e técnica do, ou da desportista.

No que respeita às novidades do novo “CS 600”, talvez uma da mais apelativas ou interessantes, para muitos ciclistas, seja a de poder dispor de imediato, (no mostrador do seu “pulsómetro”), de dados relativos à inclinação exacta da subida, ou da descida. Para além disso, outras vantagens do“CS 600”, são: o registo do consumo de quilo / calorias por quilómetro; o teste indicativo dos efeitos do treino e estado de recuperação, (para evitar o chamado excesso de treino); o “own zone”, (para adequar a carga de treino ao estado de forma diário); o “own index”, teste de condição física, que indica o VO2 máximo e permite seguir a evolução da capacidade cardiovascular do ciclista.

Se acrescentarmos que todos estes dados podem ficar em memória no CS 600” e, posteriormente, transferidos por inter face para o computador de registo da evolução do treino e forma física do atleta, somos levados a concluir que o treinador dos anos 40 / 50 do Século XX, gravita a muitos anos – luz dos seus colegas da Actualidade.
AB

Envie-nos uma FOTO COM HISTÓRIA

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007
Esta recente iniciativa do Zás-Trás! vai depender muito da colaboração dos nossos leitores.

Se é possuidor de alguma foto interessante... e com história, não hesite.

Remeta-a com uma breve identificação e (ou) comentário, para o e-mail zas-tras@sapo.pt

EM QUE ESTÁ A PENSAR SEVERO BISCAIA…??!!!...

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Quando das minhas deambulações pelo arquivo fotográfico, encontrei a foto acima que me despertou a atenção, em virtude do semblante algo enigmático do nosso Severo Biscaia. De tal modo que, ao reconhecer a Taça que Severo empunha no meio da pequena multidão, a Taça Alzira, me fez ir ao encontro da sua história e perceber o meio sorriso que Severo Biscaia dirige a alguém.

A minha versão é esta. Severo, com a Taça Alzira na mão, dirige o olhar a alguém que bem conhece, e transmite-lhe…qualquer coisa do género:

- “Pois é…pregámos-te outra partida, e a Alzira fica outra vez no Ginásio…”

É que a Taça, que ficaria definitivamente no clube que a conquistasse 3 vezes seguidas, tinha sido ganha pela Naval nas duas edições anteriores em 1922 e 1923, e o Ginásio em 1924 (ano da foto), tinha quebrado outra vez essa sequência vitoriosa. Curiosamente foi a última vez que foi disputada entre os dois rivais. “Ardeu duas vezes”, e nenhum dos dois clubes a possui. A sua história ficará para outro dia…
JT

PORTUGAL, 50 ANOS DE CICLISMO (2)

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

No sentido de fazer algumas considerações, relativamente a estas matérias e ir um pouco mais ao cerne destas questões, começo por referir a “CÂMARA DESPRESSURIZADA”, tecnologia, cujo objectivo… é cuidar e vigiar a taxa do hematócrito… sistema que, já era, há uma dúzia de anos a esta parte, secretamente utilizada por quem mais informado, apoiado e financiado, se dava ao luxo de possuir.

Tal equipamento está hoje, amplamente, divulgado e popularizado e, livremente comercializado, como podemos constatar na figura anexa…

Relacionado com o que atrás ficou mencionado, recordo o tal problema do hematócrito, (que tem a ver com a necessidade do aumento da quantidade de Glóbulos Vermelhos no sangue), necessidade que, foi durante muito tempo, desde os anos 70 do Século XX, resolvida com estágios de treino em altitude – para quem os podia efectuar – e sempre sem qualquer medida restritiva oficial.

Independentemente da questão dos glóbulo vermelhos, o treino e preparação física, do corredor de bicicleta, na sua constante evolução prosseguiu de um forma, periodicamente, diagnosticada e controlada em laboratório, segundo os tais princípios científicos e modos informatizados, controlando níveis aeróbio e anaeróbico, capacidade de ventilação, frequência cardíaca, VO2 máximo, etc...


(Continua)

AB

FOTOS COM HISTÓRIA (3)

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Lisboa, 1932, Festival de Atletismo do jornal “Os Sports”, partida da prova de 100 jardas. Da esquerda para a direita, o ginasista José Cordeiro de Matos, Mário Porto, Uva Cansado, Júlio Caiola e Adriano Pires. Cordeiro de Matos (1905-93) foi campeão nacional de Juniores dos 300 metros planos e à data do seu falecimento era o sócio nº 1 do Ginásio.

Os ricos estão cada vez mais pobres!...

Sábado, Fevereiro 10, 2007
Ao que vem sendo noticiado, na época de 2005/2006, o Benfica obteve proveitos que o colocaram na 20ª posição mundial de clubes. Parabéns ao Benfica!...
No entanto, a notícia que hoje de manhã ouvi no Canal Público de televisão foi que o Benfica era o 20º clube mais rico do mundo!....
Confundir receitas com capitais próprios ou riqueza é erro grosseiro ou sensacionalismo indesculpável que só desacredita quem o propala e com maioria de razão o canal público. Mais uma verificação do rigor informativo da RTP, que diariamente se faz sentir nas grandes, como nas notícias de menor importância.
Por curiosidade, fui ver as contas dos três principais clubes referente à época 2005/2006. Encontrei as contas do Benfica SAD, do Sporting SAD e do FCPorto consolidadas.
Aí vão.
Benfica SADActivo: 164; Passivo: 152; Capitais Próprios: 12Proveitos: 63,5; Custos: 64,7; Resultados: -1,2
Sporting SADActivo: 90; Passivo: 66; Capitais Próprios: 34Proveitos: 40,3; Custos: 40; Resultados: 0,3(com a reserva de as contas disponíveis consultadas conterem lapsos, aliás patenteados no facto de que, a serem verdadeiros os valores do activo e do passivo, os capitais seriam 24 milhões de euros, em vez do valor apresentado).
F.C. Porto-Contas ConsolidadasActivo: 133; Passivo: 125; Capitais Próprios: 8Proveitos: 51; Custos: 81; Resultados: -30
Refira-se que o volume de negócios do F.C. Porto SAD foi de 115 milhões de euros em 2004 e 78 milhões em 2005, em qualquer um dos anos provavelmente (porque deverão incluir as mais-valias de vendas de direitos desportivos sobre jogadores) superiores aos do Benfica em 2006, mas que se traduziram nos anos seguintes num desbaratar de receitas feito com enorme competência e digno do Guiness e num empobrecimento notável!...
Parabéns ao Benfica...mas com tal riqueza bem se pode dizer que os ricos estão cada vez mais pobres!...


posted by Pinho Cardão in QUARTA REPUBLICA
Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

PORTUGAL, 50 ANOS DE CICLISMO (1)

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Recentemente, teve lugar em Alcobaça um evento intitulado PORTUGAL 50 ANOS DE CICLISMO (1956 / 2006), cujo Programa de actividades se prolongou por uma semana.
Constou desse mesmo Programa, como um dos pontos mais importantes, uma PALESTRA, na qual intervieram: o jornalista, Guita Júnior, eu próprio, o Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, o Presidente da Câmara Municipal de Tavira e, também Presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, Eng. Macário Correia, e o Prof. Dr. Marçal Grilo.

Entre os assuntos versados na citada PALESTRA, saliento hoje, aqui, parte do tema que me calhou apresentar, parte essa que abordou as diferenças entre o Ciclismo actual e aquele que se fazia há 50 anos atrás. Eu suma, aquilo que determinou a evolução do desporto velocipédico português, na última metade do Século XX.

Abordei essas diferenças, pondo em evidência aquilo que, nesse aspecto, do meu ponto de vista, foi declaradamente mais importante, referindo, para isso:
A BICICLETA
As ESTRADAS
O EQUIPANENTO / VESTUÁRIO
A DIETÉTICA / ALIMENTAÇÃO
A PREPARAÇÃO FÍSICA e TREINO ESPECÍFICO
As COMUNICAÇÕES, (em Prova)

É evidente que nestes eventos, como é dada a “palavra” a vários palestrantes, é necessária uma racionalização / redução dos tempos de intervenção, facto que, por sua vez, dá origem a que cada tema tenha que ser apresentado de uma forma abrangente, mas simplificada. Daí resulta que, frequentemente, não é possível falar de detalhes, alguns, até por vezes, muito importantes, para melhor transmitir a mensagem pretendida!

Esse foi, por exemplo, o meu caso, nessa ocasião!

E, como fiquei como que engasgado, resolvi ir até ao fundo da questão, vindo ao nosso BLOGUE, “dizer” o que então tinha querido transmitir.

Assim sendo, e tendo os sub – Temas, atrás mencionados, como ponto de partida direi que relativamente à PREPARAÇÃO FÍSICA e TREINO ESPECÍFICO eu, referi na oportunidade, que essa PREPARAÇÃO e esse TREINO nas décadas de 40 / 50 do Século XX, eram feitas com base em conhecimentos empíricos e, geralmente duas ou três vezes por semana! Na actualidade, essa preparação virou actividade diária ou bi – diária, segundo princípios científicos e também de modelos informatizados. Passou então a ser possível o acesso a registos de intensidade, desgaste físico, ou outros dados, por parte de treinador e atleta, que lhes possibilita um avaliação rigorosa do trabalho em curso, por forma a adaptação individualizada e que conduza ao atingir dos objectivo propostos.

A referência que se acaba de fazer à evolução verificada nos métodos de treino do corredor ciclista, põe de facto, em evidência, as profundas diferenças, verificadas nos últimos 50 Anos do Século XX. Todavia, não deixa de ser um balanço ou uma observação muito sumária, já que, realmente não se foi ao pormenor, isto é, não se analisou o avanço científico, e a sofisticação conseguida na actualidade, no que respeita às novas tecnologias de ponta, seja na área mecânica (Bicicleta), seja do ponto de vista físico e fisiológico, no que concerne ao (Atleta).
(continua)
AB

XADREZ

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
No dia em que o Cerqueira da Rocha fez o seu último lance entre nós, recordei a intensa actividade xadrezística que, há uns anos, existia na Figueira. Ele foi um dos maiores entusiastas da secção da modalidade (custa-me chamar-lhe desporto...) no Ginásio, a par de Jorge Babo e de Edmundo Barrué, entre outros, que nos desafiavam para nos iniciarmos nos segredos de uma nova abertura. Lembro-me da sala da velha sede de que guardo memória de uns enormes tabuleiros vermelhos e brancos (claro!) colocados nas paredes e onde, em certas ocasiões se entrava com respeitoso pé-ante-pé, para não perturbar quem matutava numa jogada de mestre. Mas, para além do Ginásio e dos seus torneios abertos organizados no Casino, havia Xadrez em vários cafés da cidade, com relevância para o velho Nicola, templo sagrado de Beja da Silva, do Aristides, do Arriegas, do Virgílio Lopes, do Wanderley Gomes que atraíam regulares assistências de jovens durante horas de espesso silêncio e de atenta aprendizagem. Observávamos, comentávamos depois o desenrolar das partidas e, em dias mais afoitos, arriscávamos defrontar os nossos "mestres". Fosse pela inexperiência, fosse pelo nervosismo o resultado cifrava-se, quase sempre, numa valente e esperada "coça"...
Era um tempo em que havia tempo. Em que havia caminhos lentos de aprendizagem e esforço. Em que a idade era um posto respeitável. Em que a capacidade de pensar era um trunfo socialmente reconhecido. Bem diferente da pressa descartável dos nossos dias, consumidos com a vertigem do virtual e da sucessão das imagens.
Lembrei-me disto na tarde de Janeiro em que o Cerqueira da Rocha sucumbiu, com notável resistência, a um cheque mate definitivo.
P. M.B.

Annus horribilis

Mal sabia a rainha D.Isabel II de que esta frase se aplicaria como uma luva ao actual rumo do remo nacional, muito da responsabilidade dos clubes e da omnipotente federação.

Pois bem, após mais um evento – aclamado como Campeonato Nacional – que roçou a mediocridade em termos de condições oferecidas, especialmente no ponto mais importante – as condições que permitiriam a verdade desportiva, só posso chegar à conclusão que este será, novamente, um mau ano para o remo nacional.

Baterias de esforços voltados para a "alta" competição – com os resultados à vista de todos – e nem a mínima preocupação (autêntica) com o resto dos plebeus. E os clubes? Nem rasto! Algumas demonstrações de actividade mas na generalidade – nada! Caímos num estado de atonia generalizado. Não existe vivacidade, não há contestação, mesmo quando duas tripulações embatem perto da linha da meta ficando uma prejudicada , os clubes remetem-se a um silêncio de “good sport”.

Enfim, a desmotivação parece estar instalada no Remo – será necessário mais para "descobrir" que é urgente mudar???

A.A.

FOTOS COM HISTÓRIA (2)

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
Equipa da Académica na época de 1955-56, treinada por Cândido de Oliveira, que concebeu um estilo de jogo adaptado às características dos jogadores – estudantes. Mestre Cândido tinha ligações familiares à Figueira, e os seus sobrinhos António Manuel, Mário Alberto e João Cândido foram destacados ginasistas.

PARA O PRESIDENTE, CINCO VALE MAIS DO QUE CINQUENTA OU AINDA OS CINCO DEDOS DA MÃO...

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
É desde o século passado, mas principalmente a seguir à Segunda Guerra Mundial, que podemos dizer que o desporto vem assumindo um papel, cada vez mais importante, na vida de todos nós.

Inicialmente acompanhando a evolução industrial, e ultimamente a par do desenvolvimento acelerado das tecnologias de informação, o desporto passou a ter relevância na melhoria das condições de vida dos cidadãos, influenciando a sua própria vida.

Significa isto que longe vão os tempos (quando do seu aparecimento, por volta de 1830), em que ele era apenas utilizado como meio educativo nas escolas e nos colégios ingleses.

Após a embrionária fase inicial, em que o conceito de desporto está ligado à formação e diversão dos seus praticantes, seguiram-se as etapas da competição, com a busca de níveis de rendimento cada vez mais exigentes, e, simultaneamente, a da oferta diversificada de actividades (lazer), dirigida mesmo àquelas populações nas quais, à partida, não lhes era reconhecida, social e culturalmente, tradição de prática de actividades físicas e desportivas.

Chegados aqui, encontramos a razão da minha intervenção de hoje, e que é esta: a dinâmica social gerada pelos grupos que, de forma voluntária e associada, têm contribuído para a edificação do associativismo desportivo (Clubes, Associações, Federações nacionais e internacionais) é muitas vezes afectada pelas ambições daqueles que o dirigem, sedentos de visibilidade e protagonismo, e para os quais o poder exerce um fascínio desmesurado e mágico.

Lembro que a implementação do desporto organizado tem, no seu processo evolutivo natural, as seguintes fases: um grupo de cidadãos funda um clube, os clubes de uma região formam uma associação, estas juntam-se dando lugar a uma Federação nacional que, por sua vez, constituem uma Federação Internacional, sempre que a universalidade da modalidade e a representação continental são atingidas.

No que a nós diz respeito, podemos dizer que o associativismo português tem exemplos suficientes em que o caminho percorrido é o inverso do percurso atrás referido, isto é, primeiro apareceram as Federações, e só depois vieram as Associações, os Clubes e os praticantes.

Dito isto, aproveito esta oportunidade, para recordar que no passado dia 16 de Janeiro, foi publicada a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, precisamente numa altura em que as actuações de muitos agentes desportivos têm tido eco na comunicação social, e pelas piores razões.

O facto de a existência das leis se revelar aos olhos do cidadão só quando se recorre aos tribunais, tal não quer dizer que na maioria das vezes elas não se cumpram espontaneamente, sem ser necessária a intervenção das autoridades judiciais.

A publicação da lei-quadro acima mencionada (Lei nº5/2007) - instrumento fundamental do nosso tecido legislativo - fez-me lembrar estes dois casos, com os quais espero sensibilizar todos os que me lerem, já que agora temos um novo enquadramento normativo da prática desportiva.

Num deles, o protagonista é cidadão de um país sul americano. No outro, é de um país da velha Europa.

Na primeira situação, trata-se de um dirigente federativo que, repetidamente, se sucedia na presidência da sua Federação, em ciclos olímpicos sucessivos. Quando as competições máximas da sua modalidade se realizavam na Europa vinha sempre acompanhado por vários dirigentes ( geralmente cinco !), embora a sua delegação de atletas fosse reduzida. Interroguei-me várias vezes sobre a presença de tantos dirigentes, até que um dia a minha curiosidade ficou satisfeita, quando me explicaram que os seus acompanhantes eram os dirigentes regionais da sua confiança, e a sua integração ( permanente !) na delegação nacional, era uma recompensa pela fidelidade ao presidente.

Explicaram-me ainda que, aquando das alterações estatutárias ocorridas na Federação, resultantes da entrada em vigor de uma nova Lei do Desporto, os votos foram ardilosamente deslocados dos clubes para as estruturas regionais. Daí que, para o presidente, cinco estruturas regionais representassem muito mais do que cinquenta clubes federados.

O outro exemplo, vem de um outro país, da velha Europa. Com uma organização desportiva assente nas estruturas político-administrativas regionais, a importância das regiões, com mais votos nas assembleias gerais eleitorais, foi determinante para a sua continuada manutenção no poder.

Este presidente dizia que não perdia tempo com programas eleitorais, pois era-lhe suficiente o apoio de cinco regiões, previamente seleccionadas, tantas quantas os dedos de uma mão.

Chegados a este ponto, certamente aqueles que me estão a ler quererão saber, agora, dos resultados destas longas presidências nas suas modalidades desportivas. E é fácil responder: o número de praticantes não aumentou, o número de árbitros e de treinadores não se alterou, a distribuição geográfica dos clubes manteve-se, os resultados em Campeonatos, Continentais e do Mundo, e em Jogos Olímpicos, foram muito modestos.

O presidente do país da América do Sul envelheceu, como envelheceram todos os que o acompanharam durante esses longos anos, reconhecendo, alguns deles, no último mandato, com uma humildade louvável, que fizeram muito pouco face ao que prometeram. Viveram demasiado para si mesmos, quando o mundo, à volta deles, todos os dias mudava.

Do dirigente europeu soube, pela imprensa, que as autoridades administrativas do seu país, o tinham inabilitado, por vários anos, do exercício de funções de dirigente desportivo, após terem detectado irregularidades na gestão da sua federação.

Voltando novamente a Portugal, temos de reconhecer que a aceitação de soluções de compromisso, a opção pelo inadequado, o não - planeamento, o sub dimensionamento e a falta de dinheiro, caracterizam e justificam, muitas vezes, o estado do nosso desenvolvimento desportivo.

Pela minha parte desejo, através dos exemplos atrás citados e com a nova legislação que agora entrou em vigor, que tenhamos sempre a possibilidade de fazer algo de novo, e evitar que nos continuem a dirigir aqueles que querem que tudo fique na mesma.

Por isso eu peço a todos: estejam atentos, sejam críticos e não deixem de ser participantes.

F.E.