Portugal - 50 anos de Ciclismo - 3
Quinta-feira, Novembro 30, 2006
Na TERCEIRA E ÚLTIMA PARTE, irei falar na evolução ou alteração por que passaram os modelos Técnico / Tácticos, nos últimos 50 anos de ciclismo.
Com efeito, em termos tácticos e técnicos, também se verificaram diferenças substanciais.
Nos anos 40 / 50 / 60, a classificação Individual era prioritariamente mais importante que a Colectiva. Nesse tempo, era dada muita atenção às ditas Provas Clássicas de um dia, como: “Porto – Lisboa”; “Lisboa – Porto”; “Lisboa – Coimbra”; “Volta dos Campeões”; “Voltas à Gafa, etc. Por isso, a componente individual tinha muita popularidade, e acabava por se sobrepor ao colectivo. Os resultados das corridas eram fundamentalmente influenciados pelo poder e favoritismo de determinados corredores. No entanto, também existiam equipas que, até tinham um prestígio acrescentado, já que os grandes clubes do desporto português possuíam equipas de ciclismo (Sporting, Benfica, Porto, Boavista, Salgueiros… até o Belenenses).
A partir dos anos 70 o calendário nacional de ELITES desvalorizou as provas de um dia, passando a ser maioritariamente preenchido por provas por etapas. Começando com a Volta a Portugal, como vértice da “pirâmide”, toda a restante movimentação constava de realizações com as mesmas características, sendo aqui referidas, aleatoriamente, algumas dessas realizações. Assim tínhamos as provas seguintes: “G. Prémio JN”, “G. Prémio O JOGO”, “, “G. Prémio COSTA AZUL”, , “G. Prémio de TORRES VEDRAS / Tr. JOAQUIM AGOSTINHO”, “G. Prémio ABIMOTA”, “Volta ao ALGARVE”, “Volta ao ALENTEJO”, “Volta ao MINHO”, etc.. Este tipo de competição, por etapas, veio alterar os princípios tácticos, tradicionais, que até aí tinham prevalecido! E, então, nessa área, os problemas passaram a ser resolvidos tendo, normalmente, em conta parâmetros como:
• As equipas mais carenciadas em ternos de discussão da Classificação Geral “jogavam as suas chances” na perspectiva de vitória nas etapas intermédias e / ou na candidatura ao triunfo em uma das Classificações Colaterais, (Montanha, Metas Volantes, Camisola Verde, ou Outras);
• As equipas mais credenciadas, (as de maior índice técnico – atlético), onde alinhavam os tradicionais candidatos à vitória, orientavam-se, tendo como objectivo, reservar a decisão e a conquista do triunfo para a zona montanhosa, se era aí que os seus corredores se superiorizavam, ou para a etapa contra – relógio, se no seu efectivo dispunham de especialistas;
Perante estes dois parâmetros o sistema táctico - técnico de disputa das corridas portuguesas, (começando, naturalmente na 1.ª etapa) estratificou-se, no seguinte:
a) – Os corredores das equipas ditas, de menos possibilidades, eram protagonistas das primeiras escaramuças, das quais, invariavelmente, resultavam uma ou outra escapada, colectiva ou individual, que, eventualmente dava em vitória de etapa, mas que quase sempre dava para conquistar pontos para uma ou mais das Classificações Colaterais;
b) – Às equipas consideradas mais fortes ficava reservada a missão de controlar a corrida, manter a velocidade de perseguição ou, meramente de cruzeiro, conforme os objectivos que pretendiam alcançar;
c) – Para a segunda etapa (e para as seguintes), já havendo camisola amarela, ou símbolo de líder, a obrigação de controlo da corrida passava, naturalmente, para a equipa do 1.º da classificação geral, a qual, normalmente assumia a missão de “rebocar “o pelotão;
d) – Sumariamente, mais coisa menos coisa este foi o ambiente competitivo, que o nosso ciclismo de “Top” protagonizou de então até agora.
Porém, em contra – ponto de todos os modelos tácticos, que têm vindo a ser descritos, aparece agora a Volta a Portugal deste ano, que, em termos tácticos e espectaculares, se demarcou das realizações precedentes. Na verdade, todos se lembram, de que ela nos deu a possibilidade de ver um sistema aparentemente anárquico, mas espectacularmente gratificante, simbolizado pelas alternâncias diárias da Classificação Geral, e as inerentes mudanças das camisolas de líder! Mais ainda… o gratificante, que atrás mencionei tem a ver com o facto de terem sido os jovens do ciclismo português, os principais protagonistas, dessa revolução. O aparecimento desta nova vaga no nosso ciclismo, com as capacidades já demonstradas, vem afinal dizer-nos que o futuro desta modalidade está garantido!
Pelo meu lado, espero que esses jovens façam também renascer aquilo a que eu chamo de… Personalidade Individual de Campeão…
…Que é possível desenvolver nos:
João Cabreira
Ricardo Mestre
Tiago Machado
Lizuarte Martins
Bruno Pires
,,, e, naqueles outros que ajudaram a subir o nível de combatividade
que caracterizou a VOLTA A PORTUGAL DE 2006.
AB
Com efeito, em termos tácticos e técnicos, também se verificaram diferenças substanciais.
Nos anos 40 / 50 / 60, a classificação Individual era prioritariamente mais importante que a Colectiva. Nesse tempo, era dada muita atenção às ditas Provas Clássicas de um dia, como: “Porto – Lisboa”; “Lisboa – Porto”; “Lisboa – Coimbra”; “Volta dos Campeões”; “Voltas à Gafa, etc. Por isso, a componente individual tinha muita popularidade, e acabava por se sobrepor ao colectivo. Os resultados das corridas eram fundamentalmente influenciados pelo poder e favoritismo de determinados corredores. No entanto, também existiam equipas que, até tinham um prestígio acrescentado, já que os grandes clubes do desporto português possuíam equipas de ciclismo (Sporting, Benfica, Porto, Boavista, Salgueiros… até o Belenenses).
A partir dos anos 70 o calendário nacional de ELITES desvalorizou as provas de um dia, passando a ser maioritariamente preenchido por provas por etapas. Começando com a Volta a Portugal, como vértice da “pirâmide”, toda a restante movimentação constava de realizações com as mesmas características, sendo aqui referidas, aleatoriamente, algumas dessas realizações. Assim tínhamos as provas seguintes: “G. Prémio JN”, “G. Prémio O JOGO”, “, “G. Prémio COSTA AZUL”, , “G. Prémio de TORRES VEDRAS / Tr. JOAQUIM AGOSTINHO”, “G. Prémio ABIMOTA”, “Volta ao ALGARVE”, “Volta ao ALENTEJO”, “Volta ao MINHO”, etc.. Este tipo de competição, por etapas, veio alterar os princípios tácticos, tradicionais, que até aí tinham prevalecido! E, então, nessa área, os problemas passaram a ser resolvidos tendo, normalmente, em conta parâmetros como:
• As equipas mais carenciadas em ternos de discussão da Classificação Geral “jogavam as suas chances” na perspectiva de vitória nas etapas intermédias e / ou na candidatura ao triunfo em uma das Classificações Colaterais, (Montanha, Metas Volantes, Camisola Verde, ou Outras);
• As equipas mais credenciadas, (as de maior índice técnico – atlético), onde alinhavam os tradicionais candidatos à vitória, orientavam-se, tendo como objectivo, reservar a decisão e a conquista do triunfo para a zona montanhosa, se era aí que os seus corredores se superiorizavam, ou para a etapa contra – relógio, se no seu efectivo dispunham de especialistas;
Perante estes dois parâmetros o sistema táctico - técnico de disputa das corridas portuguesas, (começando, naturalmente na 1.ª etapa) estratificou-se, no seguinte:
a) – Os corredores das equipas ditas, de menos possibilidades, eram protagonistas das primeiras escaramuças, das quais, invariavelmente, resultavam uma ou outra escapada, colectiva ou individual, que, eventualmente dava em vitória de etapa, mas que quase sempre dava para conquistar pontos para uma ou mais das Classificações Colaterais;
b) – Às equipas consideradas mais fortes ficava reservada a missão de controlar a corrida, manter a velocidade de perseguição ou, meramente de cruzeiro, conforme os objectivos que pretendiam alcançar;
c) – Para a segunda etapa (e para as seguintes), já havendo camisola amarela, ou símbolo de líder, a obrigação de controlo da corrida passava, naturalmente, para a equipa do 1.º da classificação geral, a qual, normalmente assumia a missão de “rebocar “o pelotão;
d) – Sumariamente, mais coisa menos coisa este foi o ambiente competitivo, que o nosso ciclismo de “Top” protagonizou de então até agora.
Porém, em contra – ponto de todos os modelos tácticos, que têm vindo a ser descritos, aparece agora a Volta a Portugal deste ano, que, em termos tácticos e espectaculares, se demarcou das realizações precedentes. Na verdade, todos se lembram, de que ela nos deu a possibilidade de ver um sistema aparentemente anárquico, mas espectacularmente gratificante, simbolizado pelas alternâncias diárias da Classificação Geral, e as inerentes mudanças das camisolas de líder! Mais ainda… o gratificante, que atrás mencionei tem a ver com o facto de terem sido os jovens do ciclismo português, os principais protagonistas, dessa revolução. O aparecimento desta nova vaga no nosso ciclismo, com as capacidades já demonstradas, vem afinal dizer-nos que o futuro desta modalidade está garantido!
Pelo meu lado, espero que esses jovens façam também renascer aquilo a que eu chamo de… Personalidade Individual de Campeão…
…Que é possível desenvolver nos:
João Cabreira
Ricardo Mestre
Tiago Machado
Lizuarte Martins
Bruno Pires
,,, e, naqueles outros que ajudaram a subir o nível de combatividade
que caracterizou a VOLTA A PORTUGAL DE 2006.
AB


