<body><iframe src="http://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID=13830544&amp;blogName=Zas+Tras&amp;publishMode=PUBLISH_MODE_BLOGSPOT&amp;navbarType=BLUE&amp;layoutType=CLASSIC&amp;homepageUrl=http%3A%2F%2Fzas-tras.blogspot.com%2F&amp;searchRoot=http%3A%2F%2Fzas-tras.blogspot.com%2Fsearch" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" height="30px" width="100%" id="navbar-iframe" title="Blogger Navigation and Search"></iframe> <div id="space-for-ie"></div>

Portugal - 50 anos de Ciclismo - 3

Quinta-feira, Novembro 30, 2006
Na TERCEIRA E ÚLTIMA PARTE, irei falar na evolução ou alteração por que passaram os modelos Técnico / Tácticos, nos últimos 50 anos de ciclismo.

Com efeito, em termos tácticos e técnicos, também se verificaram diferenças substanciais.

Nos anos 40 / 50 / 60, a classificação Individual era prioritariamente mais importante que a Colectiva. Nesse tempo, era dada muita atenção às ditas Provas Clássicas de um dia, como: “Porto – Lisboa”; “Lisboa – Porto”; “Lisboa – Coimbra”; “Volta dos Campeões”; “Voltas à Gafa, etc. Por isso, a componente individual tinha muita popularidade, e acabava por se sobrepor ao colectivo. Os resultados das corridas eram fundamentalmente influenciados pelo poder e favoritismo de determinados corredores. No entanto, também existiam equipas que, até tinham um prestígio acrescentado, já que os grandes clubes do desporto português possuíam equipas de ciclismo (Sporting, Benfica, Porto, Boavista, Salgueiros… até o Belenenses).

A partir dos anos 70 o calendário nacional de ELITES desvalorizou as provas de um dia, passando a ser maioritariamente preenchido por provas por etapas. Começando com a Volta a Portugal, como vértice da “pirâmide”, toda a restante movimentação constava de realizações com as mesmas características, sendo aqui referidas, aleatoriamente, algumas dessas realizações. Assim tínhamos as provas seguintes: “G. Prémio JN”, “G. Prémio O JOGO”, “, “G. Prémio COSTA AZUL”, , “G. Prémio de TORRES VEDRAS / Tr. JOAQUIM AGOSTINHO”, “G. Prémio ABIMOTA”, “Volta ao ALGARVE”, “Volta ao ALENTEJO”, “Volta ao MINHO”, etc.. Este tipo de competição, por etapas, veio alterar os princípios tácticos, tradicionais, que até aí tinham prevalecido! E, então, nessa área, os problemas passaram a ser resolvidos tendo, normalmente, em conta parâmetros como:

• As equipas mais carenciadas em ternos de discussão da Classificação Geral “jogavam as suas chances” na perspectiva de vitória nas etapas intermédias e / ou na candidatura ao triunfo em uma das Classificações Colaterais, (Montanha, Metas Volantes, Camisola Verde, ou Outras);

• As equipas mais credenciadas, (as de maior índice técnico – atlético), onde alinhavam os tradicionais candidatos à vitória, orientavam-se, tendo como objectivo, reservar a decisão e a conquista do triunfo para a zona montanhosa, se era aí que os seus corredores se superiorizavam, ou para a etapa contra – relógio, se no seu efectivo dispunham de especialistas;

Perante estes dois parâmetros o sistema táctico - técnico de disputa das corridas portuguesas, (começando, naturalmente na 1.ª etapa) estratificou-se, no seguinte:

a) – Os corredores das equipas ditas, de menos possibilidades, eram protagonistas das primeiras escaramuças, das quais, invariavelmente, resultavam uma ou outra escapada, colectiva ou individual, que, eventualmente dava em vitória de etapa, mas que quase sempre dava para conquistar pontos para uma ou mais das Classificações Colaterais;

b) – Às equipas consideradas mais fortes ficava reservada a missão de controlar a corrida, manter a velocidade de perseguição ou, meramente de cruzeiro, conforme os objectivos que pretendiam alcançar;

c) – Para a segunda etapa (e para as seguintes), já havendo camisola amarela, ou símbolo de líder, a obrigação de controlo da corrida passava, naturalmente, para a equipa do 1.º da classificação geral, a qual, normalmente assumia a missão de “rebocar “o pelotão;

d) – Sumariamente, mais coisa menos coisa este foi o ambiente competitivo, que o nosso ciclismo de “Top” protagonizou de então até agora.

Porém, em contra – ponto de todos os modelos tácticos, que têm vindo a ser descritos, aparece agora a Volta a Portugal deste ano, que, em termos tácticos e espectaculares, se demarcou das realizações precedentes. Na verdade, todos se lembram, de que ela nos deu a possibilidade de ver um sistema aparentemente anárquico, mas espectacularmente gratificante, simbolizado pelas alternâncias diárias da Classificação Geral, e as inerentes mudanças das camisolas de líder! Mais ainda… o gratificante, que atrás mencionei tem a ver com o facto de terem sido os jovens do ciclismo português, os principais protagonistas, dessa revolução. O aparecimento desta nova vaga no nosso ciclismo, com as capacidades já demonstradas, vem afinal dizer-nos que o futuro desta modalidade está garantido!

Pelo meu lado, espero que esses jovens façam também renascer aquilo a que eu chamo de… Personalidade Individual de Campeão…

…Que é possível desenvolver nos:

João Cabreira
Ricardo Mestre
Tiago Machado
Lizuarte Martins
Bruno Pires

,,, e, naqueles outros que ajudaram a subir o nível de combatividade
que caracterizou a VOLTA A PORTUGAL DE 2006.

AB

Pequenos e Desconhecidos abalam FIFA

Segunda-feira, Novembro 27, 2006
De há muito venho formando a convicção de que as, até há pouco, imutáveis regras do futebol impostas pela toda poderosa FIFA e International Board, teriam que ceder perante as regras e jurisdição comuns, em tudo o que não tiver a ver com o jogo em si e a especificidade do futebol.

E se calhar ninguém tem dúvidas quando se considera o contrato de trabalho dos agentes desportivos, o contrato de trabalho desportivo, passando pelo contrato de agência dos empresários desportivos, pelo contrato de seguro desportivo, contratos publicitários e de imagem entre outros: todos aceitamos a aplicação das regras do direito comum e o julgamento dos litígios pela jurisdição comum.

Mas foi preciso um então desconhecido jogador de futebol, um tal Bosman, para forçar as instâncias do futebol a submeterem-se à legislação comunitária da liberdade de trabalho e da livre circulação.

Mais uma vez, um pequeno e quase desconhecido clube, “Royal Sporting Charleroi”, recorreu ao Tribunal Europeu de Justiça, pondo em causa as regras FIFA sobre a obrigatoriedade de dispensa de jogadores às selecções nacionais.

No caso, o clube pretende ser indemnizado por ter estado privado por oito meses de um seu jogador marroquino que se lesionou ao serviço da sua selecção.

É também minha convicção que serão os pequenos e desconhecidos a ir até ao fim nos litígios com as instâncias do futebol, forçando a adaptação das suas regras à legislação ordinária.

São os pequenos e desconhecidos que nada têm a perder, os que resistem à pressão e chantagem das instâncias do futebol – veja-se o caso Mateus e a pressão sobre o Gil Vicente.

Foi assim com Bosman, parece ser assim com o Royal Sporting Charleroi, mas não sei se será assim com o Gil Vicente!


JG

Reconhecimento

Domingo, Novembro 26, 2006


Durante cerca de dez anos o professor Luís Rama exerceu o cargo de Director Técnico Regional da Associação de Natação de Coimbra (ANC).

Estes anos foram marcados pela sua exigência e organização pouco comuns. Sempre na procura da melhor organização, dos melhores processos, desafiando e questionando os treinadores na pesquisa de soluções inovadoras no processo de treino.

Foi inequívoco o seu apoio a projectos novos para a implementação da natação nesta região: recorde-se os exemplos de Oliveira do Hospital, Seia, Gouveia e Lousã.

Ficaram célebres os estágios pré-juniores onde os nadadores da ANC eram avaliados.
Só a organização meticulosa imprimida pelo Luís Rama podia levar à recolha sistemática do tão vasto número de dados sobre os nadadores avaliados. Cada estágio terminado constituía, em tempo útil, fonte de informação privilegiada para os treinadores.

Numa altura em que, por motivos relacionados com a sua actividade docente na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra, deixa o cargo, a direcção da ANC resolveu homenageá-lo. Fez bem.
Foi o que aconteceu no sábado à noite, num restaurante da zona da Figueira da Foz. Aí estiveram amigos, dirigentes, árbitros, atletas, funcionários e treinadores para prestar uma homenagem justa e sincera pelo trabalho desenvolvido pelo Luís Rama na ANC.

Para os figueirenses a sua ligação tem um significado ainda mais especial. Ele foi a figura central do projecto para o relançamento da natação do Ginásio. Era então presidente do Clube, o Engenheiro Simões Pereira.
Também foi ele o líder natural de uma equipa que a nível regional conseguiu, em 1994, criar as condições necessárias para que a Associação Portuguesa de Técnicos de Natação organizasse o seu congresso anual na Figueira da Foz.

Da minha parte um grande abraço e um voto que volte a encontrar disponibilidade para a natação. Tenho a certeza que muito terá a dar à natação regional e nacional. E porque não ao Ginásio?
Até breve, Luís.

EP

Portugal - 50 anos de Ciclismo - 2

Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Numa SEGUNDA PARTE, passo a apresentar o que EU VI, olhando, retrospectivamente, da VOLTA / 2006… para os 50 ANOS DE CICLISMO… que a precederam…

E aí, como é natural, vi toda a EVOLUÇÃO que, em meio século, se processou na actividade, a que sempre tenho estado ligado e sempre me tem apaixonado.
Nessa EVOLUÇÃO, deve ser assinalado que todas as transformações foram determinadas, fundamentalmente, pela evolução científica, em vários domínios.
O amadorismo, a forma de agir por tentativa e erro, foram substituídos pela introdução de novas teorias científicas que tornaram a prática desportiva muito mais consciente e rigorosa. E isso naturalmente deu os seus frutos.
Assim, nestes 50 anos, pudemos assistir a importantes progressos e benefícios, em várias áreas, que passo a citar:

• As melhorias que, a nível de peso, e aperfeiçoamentos técnicos e tecnológicos, foram introduzidas, no Veículo – BICICLETA, os quais eram pura ficção, quando eu, em 1949, comecei a correr de bicicleta. Nesse tempo, a gama de mudanças, (desmultiplicações / Velocidades), não ia além das 8, (isto é, 2 pedaleiras e uma roda – livre de 4 cremalheiras). Hoje, as bicicletas de competição podem ser montadas com 20 ou 30 hipóteses diferentes de mudanças, em alguns casos com comando eléctrico.

• As ESTRADAS rugosas empedradas e poeirentas passaram a dispor de pisos que fazem inveja a qualquer dos Velódromos existentes em Portugal. O traçado e desnível das estradas passaram a ser cientificamente programados e postos em prática, permitindo hoje uma mais fácil ascensão da alta montanha e uma maior velocidade nas descidas.


• A PREPARAÇÃO FÍSICA e TREINO ESPECÍFICO, empíricos, (duas ou três vezes por semana), viraram Actividade diária ou bi – diária, segundo princípios científicos e também de modelos informatizados. O acesso aos registos de intensidade, desgaste físico, ou outros dados, por parte do treinador e atleta possibilita-lhes uma avaliação rigorosa do trabalho, que se vai fazendo, por forma a uma adaptação individualizada e conducente ao atingir dos objectivos propostos.


• A ALIMENTAÇÃO dos atletas, (tanto em Corrida como no Dia a Dia), passou – no primeiro caso – da fruta natural mais a cristalizada e da perna de frango ou da sanduíche, com água ou chá… aos produtos energéticos, em forma de tabletes ou gel, (facilmente digeríveis e transportáveis) e ainda todos os preparados bebíveis compostos com sais minerais e glícidos indispensáveis às necessidades energéticas de um corredor de bicicleta.


No que diz respeito às normais refeições diárias, antigamente, os cuidados na sua escolha, eram muito poucos. A preocupação era comer tanto quanto possível, bebendo do que se gostava! Nos últimos tempos porém, independentemente, das diferenças de hábitos e culturas, os corredores já se vão adaptando a dietas mais cuidadas, tendo em vista a sua condição de atletas duma modalidade excepcionalmente exigente, em termos dietéticos.

• O Reabastecimento ou, melhor dizendo, o Abastecimento em competição, que vem sendo facultado nos últimos 20 / 30 anos, não tem nada a ver com as regras que vigoravam nas décadas de 40 / 50 / 60 do Século XX… Agora… ou seja, de há 20 / 30 para cá, os carros de apoio das equipas vão ao pelotão e, reabastecem, directamente, os ciclistas, de bebidas frescas e variadas! Por sua vez, os ciclistas dos anos 40 a 60, só conseguiam a água, que lhes era dada pelos espectadores da borda da estrada, ou nas fontes que, eventualmente, apareciam ao longo do percurso. De resto, qualquer bidon, dado sub-repticiamente, pelo director desportivo, resultava, quase sempre, em pesadas sanções, (em tempo e dinheiro), ao corredor e ao director!

• O Equipamento / Vestuário e a evolução dos Capacetes Protectores e a sua Obrigatoriedade, foram áreas que também registaram progressos extraordinários… Em particular nas camisolas e calções em lã pura, que, quando molhados (pela chuva, transpiração ou água que era arremessada pelo público da beira da estrada), pesavam “toneladas”. A este facto era acrescentada uma outra situação terrivelmente incómoda – a aspereza do tecido molhado desencadeava, (com o atrito pele / camisola), um dolorosa inflamação nos mamilos, que só podia ser evitada, protegendo-os com adesivo.

Por sua vez, em relação aos calções, deve ser dito que inicialmente, era desconhecida a protecção interna em pele de camurça, (a qual só aparece nos anos 50). Esse facto dava lugar a que as salientes costuras internas desse vestuário, com o atrito, resultante do movimento, constante dos membros inferiores dava, frequentemente, origem a ferimentos na região inguinal os quais facilmente infectavam, provocando um dos flagelos dos corredores dos anos 40 e 50 que era a Furunculose. Quanto aos Capacetes e á sua obrigatoriedade, a evolução desse mesmo problema pode ser considerada como uma das maiores conquistas e melhorias conseguidas para o Ciclismo de Competição, nos últimos anos do Século XX! Os progressos na construção dessa componente do equipamento, fundamentalmente “empurrados” pela popularidade da variante BTT, foram determinantes para se conseguir vulgarizar o uso dessa protecção, absolutamente essencial numa modalidade em que as quedas são, muitas vezes, de alto risco.

• Antigamente, as Comunicações Director Desportivo – Corredor só eram possíveis através de diálogo directo. E, houve tempos, em que foi, terminantemente interditada, a ida do Director Desportivo ao pelotão para falar com o corredor. Esse facto daria, aliás, lugar a hilariantes situações desencadeadas pelo uso dos mais variados e estridentes sinais sonoros emitidos pelos claxons de cada carro de apoio, para chamar a atenção do ou dos seus corredores para descerem à posição da viatura do seu director desportivo.

Hoje, sofisticados meios de transmissões possibilitam as trocas de opiniões ou directrizes técnico – tácticas, entre Director / Treinador e qualquer dos seus corredores, estejam eles onde estiverem (mais á frente ou mais atrás)! Portanto, equacionando todas estas premissas, teremos de concluir que, como é aliás natural, o ciclismo de competição de agora, não tem nada a ver com o que se passava há 40 / 50 anos.

AB
(Continua)

Lusofonia

Terça-feira, Novembro 21, 2006
Passado quase um mês do final dos Jogos da Lusofonia em Macau, e agora que já poisou a poeira vinda da enorme envolvência humana, é chegado o tempo de balanço organizativo, desportivo e cultural.

Da nossa parte que estivemos a participar com a selecção sénior masculina de basquetebol, com um contributo excelente para a representação portuguesa, vitória na competição e medalha de ouro, cumpre-nos aqui deixar um contributo da experiência vivida.

A nível organizativo o patamar atingido pela estrutura Macaense, atingiu um limiar muito próximo da perfeição e portanto vem aí tarefa difícil para Portugal nos próximos jogos de 2009. A grandiosidade da cerimónia de abertura, a eficácia do encerramento, a excelência das instalações desportivas e a qualidade da hotelaria ao dispor das representações, demonstram bem a qualidade organizativa de Macau.

Do ponto de vista desportivo, as competições nas várias modalidades apresentaram um claro e já esperado domínio de Portugal e Brasil, aqui e ali contestado e interrompido em especial pelo sangue africano de Angola e Moçambique.

A participação de países com pouca capacidade competitiva como Timor-Leste, Sirilanka ou mesmo Índia com uma representação a cargo de Diu, conduziu a competição em vários momentos a patamares baixíssimos e por isso mesmo, no futuro deverão ser objecto de estudo os novos quadros competitivos realçando as modalidades colectivas que tiveram o seu ponto alto nos confrontos que envolveram Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.

Sendo na verdade o principal objectivo dos jogos manter uma aproximação dos países ou zonas com tradição de língua lusófona, ele foi bem alcançado, não sendo pois os níveis técnicos dos participantes ou a fadiga da deslocação, que poderão beliscar a experiência humana vivida e traduzida na troca de contactos com diferentes povos dos cinco continentes unidas pela língua portuguesa.

Reconstruir a história é relembrar a nossa presença nos PALOPs a nossa marca que ainda perdura em Macau, Ceilão (actual Sirilanka) e Damão e Diu (actual Índia) e colocar toda esta gente a dormir, comer, competir e a falar junta durante duas semanas.

Para terminar, deixar aqui expresso o privilégio que foi convivermos com uma família figueirense residente em Macau, a qual o basquetebol apadrinhou de “Soteros family”, o que nos permitiu relembrar batalhas desportivas com o António, adversário muito respeitado pelo meu Sangalhos, e ainda conhecer a simpatia das suas jóias da coroa, mulher e filhotes. Para eles e para Macau um até já…

OS

PORTUGAL - 50 ANOS DE CICLISMO - 1

Sexta-feira, Novembro 17, 2006
Como introdução, esclareço que elegi a “Volta a Portugal”deste ano como: “observatório”… “lupa”… ou “telescópio” para “ver ” o Portugal - 50 anos de ciclismo.

Partirei assim do presente – A Volta de 2006 – para o passado, procurando alguns dos campos em que este último meio século veio introduzir mais mudanças no ciclismo, para regressar ao presente e, de certo modo, interrogar o futuro.

Por isso, num primeiro momento, “olhei” para a “VOLTA A PORTUGAL” DESTE ANO, em si mesma, mas ao fazê-lo acabei por, desde logo, me surpreender com dois “aspectos” negativos, que vieram ensombrar o "TELESCÓPIO”, que escolhi… De qualquer modo, apesar desses dois aspectos, a “VOLTA” deste ano fica na história da prova como tendo sido uma das mais espectaculares, podendo considerar-se um evento que terá mesmo marcado uma viragem no Ciclismo em Portugal!

Referindo-me concretamente a esses dois, dispensáveis, aspectos, começarei pela actuação, não direi desastrosa mas pelo menos medíocre, do Colégio de Comissários, com especial destaque para o seu Presidente que, sendo Comissário Internacional UCI, vindo do ciclismo italiano, não veio ensinar nada aos portugueses!... Pelo contrário, talvez tenha vindo, sim, estabelecer a confusão.

Na verdade, a metodologia aplicada na arbitragem da corrida, que deve privilegiar os direitos dos corredores que mais se esforçam, aqueles que, à frente, produzem a diferença, que transformam uma corrida de bicicleta… nisso mesmo, numa corrida a sério… isso, por norma, não foi acautelado! Os corredores que aceleravam o ritmo da prova, que se destacavam, tiveram quase sempre contra si a actuação “distraída” ou incompetente de um Colégio de Comissários que não estabelecia as clássicas e indispensáveis BARRAGENS aos grupos de corredores que “descolavam”… E, pior ainda, fazia “vista grossa” aos prolongados “meio-fundo” e, particularmente, às fraudulentas (rebocadoras) “entregas de bidons” a corredores “descolados”!

Foi uma pena que isto tivesse acontecido numa Volta a Portugal que foi beneficiada pela entrega dos corredores a um estilo altamente competitivo e espectacular!

O segundo aspecto, que ensombrou a “Volta”, foi “aquela chegada” na etapa que terminou em Fafe e se caracterizou por um manancial de “distracções”:

• Marcar um trajecto com três contagens para o Prémio de Montanha, mais ou menos longas e de elevada dificuldade, e fazer terminar a etapa com um circuito de 7 quilómetros de perímetro… era um risco… como se veio a confirmar. Efectivamente, a “erosão” provocada pelas três montanhas, fraccionou o pelotão em diversos grupos que obviamente acabaram por chegar com significativas diferenças, resultando que grupos atrasados terminaram a prova juntamente com corredores que circulavam à sua frente com alguns minutos de vantagem.

Registe-se a propósito que, também para resolver esta situação, o Colégio de Comissários se mostrou, uma vez mais… sem capacidade… Deveria ter fechado o Circuito quando os primeiros corredores tivessem passado, pela 2.ª vez, pelo local de entrada. A partir daí, seriam assinaladas as diferenças
a cada um dos grupos que entretanto fossem chegando… diferenças essas que, obviamente, lhes seriam debitadas na Classificação Geral.

• Ainda na chegada a Fafe tivemos que assistir a mais algumas “distracções”, estas da responsabilidade dos corredores da dianteira, mas sobretudo e, principalmente, da responsabilidade dos Directores Desportivos desses mesmos corredores, os quais… não estavam ao corrente (?!) de que depois da primeira passagem pela meta, havia que percorrer os tais 7 KM do circuito final!

ISTO FOI PORTANTO, O QUE EU “VI” DE NEGATIVO AO OLHAR, ESPECÍFICA E PARTICULARMENTE, A VOLTA A PORTUGAL / 2006

AB
(Continua)

Fuga p'ra frente !?

Terça-feira, Novembro 14, 2006
Como é sabido, o Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria, foi remodelado e ampliado para servir de palco a dois(2) jogos do Euro 2004. As forças vivas da terra, lideradas pela Câmara Municipal, entusiasmaram-se, então, com a façanha sem contudo cuidarem da sustentabilidade futura do empreendimento.
Depois do Campeonato da Europa a gestão do estádio foi entregue a uma Empresa Municipal - Leirisport - que, ainda recentemente, apresentou o resultado líquido negativo de 1.536.069 euros relativo ao primeiro semestre do ano corrente e uma diminuição do número de espectadores nos jogos da Liga de Futebol, apesar de praticar preços abaixo da média nacional. É já do domínio do anedotário desportivo nacional, os escassos adeptos do União de Leiria que, quinzenalmente, se perdem na vastidão das bancadas coloridas do Magalhães Pessoa. Por outro lado, o topo norte do estádio que serviria para realizar receitas com a sua venda para espaços comerciais ou de serviços continua sem comprador e permanece em "esqueleto" de betão, à maneira das famosas capelas imperfeitas do Mosteiro da Batalha.
Assim sendo, a Câmara Municipal de Leiria tem ali um enorme problema, aparentemente sem solução a curto prazo, que consome sem cessar recursos humanos e materiais e inviabilza a concretização de outros projectos do interesse de todos os munícipes.
É bom lembrar estes exemplos de empreendimentos desfasados da realidade, num momento em que Gilberto Madail nos vem cantar a canção da organização do Mundial de Futebol.
Para esse peditório, já demos!

PMB

"Citius, Altius, Fortius"

Sexta-feira, Novembro 10, 2006
Esta a máxima olímpica: mais rápido, mais alto e mais forte!

Este é pois o lema do desporto na sua pureza olímpica.

Mas será que “ mais alto” vai ao ponto de conscientemente pôr em risco, sério e iminente, a integridade física e a própria vida?

Vem isto a propósito da morte de Bruno Carvalho, de 31 anos de idade, no passado dia 31 de Outubro de 2006, quando, com João Garcia e Rui Rosado, tentavam atingir o cume do Shisha Pangma, no Tibete, conhecido por “O Trono dos Deuses”.

Está visto que os Deuses se rebelaram, abanaram o trono, e Bruno Carvalho caiu por uma vertente de 300 metros, sem que o seu corpo tenha sido resgatado.

Confesso que tenho a maior dificuldade em aceitar mais esta morte ( a 21ª. em 26 anos no Trono dos Deuses) no alpinismo dito desportivo.

Confesso que não vibrei quando, há anos, no regresso de João Garcia dos Himalaias, para ele olhei e o vi significativamente mutilado.

Confesso que sempre me perguntei se o homem tem o direito de arriscar a este ponto, desafiando a natureza e os elementos, até ao limite da vida.

Confesso que me não chega a explicação de João Garcia de que “O Bruno Carvalho… foi vitima de um trágico acidente “ e de que “ todos estávamos conscientes do que íamos fazer, somos maiores de 30 anos e inteligentes” – é insuficiente se sopesar esta explicação com a perda de uma vida.

Confesso que menos convencido fico quando outra é a explicação “nesta actividade há elevado coeficiente de risco e será exactamente nesse desafio às condições adversas, perigosas para a vida, que está um dos atractivos para quem a pratica”.

Será o risco da vida um atractivo ?

Mais alto sempre, mas jamais a qualquer custo, nunca o risco da vida – é o meu sentimento mais profundo !

JG

Escola vs Comunidade

Segunda-feira, Novembro 06, 2006


Têm sido várias as tentativas de políticas educativas que implementem uma interacção sólida e consistente entre a escola e a comunidade onde ela se insere. Todas elas não têm passado de meras intenções, com a concretização de apenas algumas experiências pontuais.
Desde o ano lectivo de 2004/2005, que a Escola Secundária com 3º CEB de Cristina Torres tem em funcionamento o Curso Tecnológico de Desporto.
No âmbito deste curso, os alunos têm contactado instituições exteriores à escola e participado em actividades que normalmente não são desenvolvidas nas instalações da escola. Aos alunos do 11º ano têm sido proporcionadas actividades como natação, orientação na Serra da Boa Viagem, remo e canoagem. Têm também visitado várias instituições e colectividades do Concelho, para melhor as conhecer.
Para os alunos do 12º ano está previsto a realização de um estágio com a duração de 12 semanas em entidades exteriores à escola. As actividades a desenvolver neste estágio serão definidas tendo em conta as necessidades da instituição que acolhe o aluno-formando e as suas necessidades académicas. Existe aqui uma verdadeira partilha de interesses que irá contribuir para uma melhor formação do aluno-formando.
No presente ano lectivo o estágio terá início no dia 17 de Novembro, e os alunos irão desenvolver a sua actividade no Departamento de Desporto da Câmara Municipal da Figueira da Foz, no Grupo de Instrução Sport e no Ginásio Clube Figueirense.
A orgânica de funcionamento deste curso permite que se estabeleça uma verdadeira interacção com a comunidade educativa, que concretiza uma aspiração de longa data, está expressa no Projecto Educativo da Escola, mas que não tem sido de fácil aplicação.
De realçar que desde o primeiro contacto, todas as instituições manifestaram um grande entusiasmo em receber este grupo de alunos, factor que mostra uma grande vontade da comunidade encetar este tipo de parcerias.
EP