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“ CARDOSO o PERITO “

Segunda-feira, Maio 29, 2006
A Itália está, outra vez, atascada em fumos de corrupção, agora outra vez, no futebol, sendo que tais sinais corruptivos envolvem dirigentes desportivos, nove árbitros, dois dirigentes da arbitragem italiana, um deles também vice-presidente da Comissão de Árbitros da UEFA, Pierluigi Pairetto.

Mas naquele emaranhado de ligações estranhas e perigosas, sempre pouco recomendáveis, surgiu, helas!, o nome de um árbitro internacional português, “ o Cardoso “ recomendado por Luciano Moggi, Director Geral da Juventus, ao vice dos árbitros da UEFA, Pierluigi Pairetto, para arbitrar um jogo da Juventus para a Liga dos Campeões.

O Cardoso é, sem tirar nem pôr, o árbitro internacional português Lucílio (Cardoso Cortez) Batista, o qual, porque lesionado, não chegou a arbitrar aquele jogo.

Entre a averiguação italiana e a portuguesa a diferença situa-se no facto de, ali, os árbitros averiguados serem arguidos e, aqui, terem sido “ peritos “.

Devo dizer, aliás, que na minha vida profissional nunca tinha visto tanta quantidade de “ peritos “ da arbitragem.

E a verdade é que o “Cardoso“ que também aqui foi ouvido como “perito“ viu ali, em Itália, serem-lhe reconhecidas as qualidades…

Vem isto a propósito daquilo que considero ser o essencial - o processo “ apito dourado “ ficou viciado quando a investigação prosseguiu ao ritmo da agenda mediática, quando perseguiu os “ culpados “ com a “culpa já formada “ na opinião pública, quando atirou às feras as vítimas convenientes ao jogo das rivalidades clubistas, geográficas e, se calhar, políticas, alimentadas pelo “ jornalismo desportivo “!

Ficou, por isso, por atacar o fundo da questão: as ligações da construção civil ao futebol, “as lavagens “ nos financiamentos do futebol, a circulação dos dinheiros nas transferências dos jogadores…

E no plano arbitral ficou por averiguar o como e os meios para a promoção dos árbitros, e auxiliares, até à 1ª categoria e desta a internacionais… e, finalmente, ao estatuto de “peritos”!

Se calhar as surpresas seriam verdadeiramente surpreendentes e não convenientes… òh Cardoso !

JG

Estudos e Alta Competição

Sexta-feira, Maio 26, 2006
Com a chegada do calor chega também a época dos exames e as angústias próprias de quem vai dar passos fundamentais e determinantes que definirão o seu futuro. Obviamente que falo da consequente entrada, ou não, no ensino superior e a perspectiva de uma profissão.

Este momento de particular tensão e ansiedade para todos os jovens envolvidos neste processo, é ainda mais intenso para aqueles estudantes que tentam conciliar uma carreira académica com uma carreira desportiva de alto nível. O que no nosso país, e atendendo às características do nosso sistema educativo, não é coisa fácil.

O Estado, consciente destas dificuldades, criou algumas condições àqueles jovens que pretendem prosseguir estudos e continuar a sua prática desportiva de bom nível. Foram criadas as figuras de percurso de alta competição e estatuto de alta competição. São duas situações diferenciadas em termos de apoios que o Estado oferece. Têm em comum a “facilidade” de acesso ao ensino superior.

Assim, um aluno que conclua o ensino secundário e que pela realização das suas marcas e prestações desportivas, seja incluído numa das situações atrás referidas, escolhe o curso superior que pretende frequentar e entra sem outros entraves.

Considero uma medida justa e correcta que reconhece a difícil conciliação entre estudo e prática desportiva de alto nível.

No entanto, isto envolve alguma perversidade.

Têm-se constatado que um número significativo de alunos/desportistas que usufruem daquela prerrogativa abandonam a prática desportiva assim que ingressam no ensino superior.
Acredito que muitos o fazem por boas e válidas razões, já que a frequência com êxito de um curso superior não é fácil.

Considero no entanto, que este sistema necessita urgentemente de ser aperfeiçoado. Por um lado, criando mecanismos de controlo, incluindo penalizações, evitando situações de abandono por comodismo e por considerarem que o seu objectivo foi conseguido: entrar na faculdade; por outro lado, exigindo às faculdades o cumprimento da lei que dá condições especiais aos alunos, evitando deste modo o abandono da prática desportiva por alegada falta de condições.

Tornar-se-á desta forma um sistema mais justo e menos sujeito a subversões.

EP

A ilusão?

Terça-feira, Maio 23, 2006


Para a generalidade do público, desporto é sinónimo de futebol e, claro, ninguém treina mais afincadamente do que um futebolista.

Certo estou que todos sabem que não se podem comparar modalidades e que o treino é específico para cada uma, mas, na última edição da revista Noticias (suplemento do JN), vinha uma reportagem sobre o Ronaldo que fundamentava a ilusão sobre o desporto num simples parágrafo:

Ronaldo, que às vezes treina duas vezes por dia .... Treina de manhã e assina autógrafos para a loja oficial do clube entre as 10 e as 13... passando o resto da tarde em compromissos publicitários ou entre os seus DVD´s ou jogos de consola (era mais ou menos assim).

Não duvido das capacidades dos jogadores nem do seu profissionalismo...mas poderiam exigir mais um pouco - não??

(in www.arturantunes.blogspot.com/ )

Dirigismo desportivo: os desafios da renovação de gerações e das mentalidades

Segunda-feira, Maio 22, 2006
A comunicação social deu - nos conta, nos últimos tempos, das comemorações dos 150 anos da Associação Naval de Lisboa, o clube mais antigo de Portugal, e ainda dos êxitos, em diversas modalidades desportivas, do Ginásio Clube Figueirense, outra instituição centenária.

Ninguém duvide que estas longevidades se devem à dedicação e competência de sucessivas gerações de associados, que nunca cruzaram os braços, transpondo todos os obstáculos que se lhe depararam, dedicando – se com entusiasmo às suas tarefas e confiando nas suas capacidades para resolver os problemas da vida dos seus clubes.

Também é verdade que nos clubes e instituições desportivas, cujo dia - a - dia é mediatizado pelas mais diversas formas, é mais fácil encontrar pessoas disponíveis para ocupar cargos nos seus orgãos sociais.

Talvez esteja aqui uma das razões pela qual o poder é algo que não se pode explicar muito bem, pois tem um código de conduta que não é transmissível, e é, por isso mesmo, um mundo à parte.

Contudo, o poder torna as pessoas estranhas, vaidosas, e fá - las perder a cabeça, de tal modo que estas se julgam muito importantes, quase insubstituíveis, acabando a sua imagem e credibilidade por serem afectadas.

Sem dúvida que é este desejo de ser importante que torna os seres humanos diferentes dos outros seres vivos e é responsável, em certa medida, pelas civilizações dos nossos dias, mas este comportamento afasta as pessoas da realidade, de quem perdem o contacto, como, de certa forma, retrata esta situação por mim vivida no estrangeiro.

Há uns anos atrás, quando se estavam a eleger os dirigentes para federações e comités olímpicos nacionais responsáveis pelos planos quadrienais até aos Jogos Olímpicos de Barcelona, encontrava – me eu em Itália, a norte de Roma, a frequentar uma acção de formação, na qual participaram, durante algumas semanas, técnicos de todos os continentes, uns de países emergentes, outros de países economicamente ricos e desportivamente avançados.

Acontecia que, todos os dias, nos intervalos das sessões de trabalho, se ouviam histórias, sobre as fortunas pessoais gastas nas campanhas eleitorais para a conquista das presidências de diferentes organizações desses países, muitas vezes relatadas de uma forma anedótica, com a ridicularização dos protagonistas nelas intervenientes, pois tudo faziam pela conquista do poder, sem olhar a meios.

Já no decorrer do ano 2006, constatei que tal ambição de poder não está generalizada, pois em processos eleitorais recentes, que acompanhei de perto, houve dificuldade em encontrar novos dirigentes e dirigentes novos, tendo alguns daqueles que desempenhavam cargos continuado em actividade, porque não apareceram candidatos à sua substituição. Por esse motivo, com um grande espírito de sacrifício, mantiveram - se em funções, evitando o “entregar das chaves”.

Numa delas, com uma história de dezenas de anos, os jovens que a dirigiram durante o último mandato, e apesar da relevância do seu trabalho na dinamização da vida desportiva, cultural e recreativa da população onde se inseriam, não se candidataram de novo, pois as famílias e o trabalho profissional absorvente, não lhes deixavam tempo suficiente para o cabal desempenho das suas funções.

Por todas estas razões, são os clubes mais pequenos que são o alvo das minhas preocupações, e não as superestruturas, nas quais, os eleitos que as dirigem, gastam mundos e fundos para as dirigirem.

Sabemos que, no nosso país, a seguir ao 25 de Abril, muitas vocações de participação cívica se integraram em sindicatos e partidos políticos, representando esta inclusão uma perda para o movimento associativo desportivo.

Acresce ainda que, à medida que os anos foram passando, a população foi envelhecendo, houve uma diminuição da taxa de natalidade, um aumento das dificuldades económicas, e, ultimamente, legislação que prolongou a idade da reforma por velhice.

As alterações sócio demográficas referidas no parágrafo anterior, a maior mobilidade social e a duração actual da escolaridade, exigem dos responsáveis desportivos – políticos e associativos –, medidas inovadoras do fomento da prática desportiva e da melhoria da saúde de todos.

Não esqueçamos que uma parte significativa da nossa população teve e tem uma reduzida relação com o desporto, como são o caso dos idosos, desempregados, inactivos e imigrantes.

E é neste quadro, que reflecte uma nova realidade social, que os clubes e as federações têm de encontrar um outro modelo organizacional das suas actividades, isto é, têm de se ajustar e adequar a todas as camadas da população, incluindo, nos seus planos de actividades, programas para o lazer, a saúde e o contacto com a natureza.

Antes de terminar, gostaria de chamar a atenção para estes indicadores, publicados já no século XXI, pelo então chamado Ministério do Desporto, ao caracterizar os dirigentes dos clubes. Assim, temos que, na ocupação de cargos dirigentes por grupo etário, os sócios entre os 55 e 64 anos são aqueles que apresentam valores mais elevados, seguindo – se os sócios entre os 25 e os 44 anos.

Segundo a mesma fonte, e no momento do inquérito, cerca de 2% dos sócios dos clubes, entre os 15 e os 74 anos, ocupava cargos de dirigente, e 5% já os ocupou no passado, o que quer dizer que 7% tem vivência no dirigismo desportivo.

Dos que têm experiência como dirigente desportivo, mais de metade ( 53% ) já ocupou um cargo com a duração de, pelo menos, 2 anos, e 12% com mais de 10 anos, situando – se a franja entre os 6 e 10 anos nos 11%.

A prática desportiva ocupa o quinto lugar ( 19% ) das actividades de lazer dos portugueses, envolvendo 23% da população entre os 15 e os 74 anos, repartindo – se 19% pelo lazer e 4% pelo desporto de competição federado.

Entre a população que foi praticante desportivo, segundo o mesmo estudo, 41% continua a praticar desporto, e os restantes 59% abandonaram – no, significando isto que os hábitos desportivos, quando adquiridos na juventude, tendem a influenciar o resto da vida.

Daí a importância, no meu entendimento, do associativismo desportivo juvenil, conforme já escrevi neste blogue, em artigo anterior.

E é nos clubes com uma longa longevidade que podemos encontrar exemplos para os tempos presentes.

Por isso, recordo, nesta oportunidade, que, em Novembro de 1985, a convite do Ginásio Clube Figueirense, passei uma semana na Figueira da Foz, dando um modesto contributo ao clube, informando e motivando um grupo de pessoas (maioritariamente jovens) na resolução dos problemas desportivos então existentes.

Passados 20 anos, ninguém duvida que o Ginásio teve um crescimento exponencial, em número de praticantes, em resultados desportivos, em património, em organização de eventos, sendo os seus dirigentes referência de gestão de sucesso desportivo.

Jamais aqueles que o dirigiram durante este período de tempo passarão ao lado da sua história, pois eles já são parte da história.

Para os cépticos, eu lembro que o caminho já está percorrido e o futuro nunca o esquecerá.

F. E.

Bravo Ginásio!

Foi uma pena, lá isso foi.

Podíamos ter ganho aquele jogo contra a Ovarense.

Mas foi uma partida muito bem disputada.

Imprópria para cardíacos, convenhamos, mas a lembrar os velhos tempos de pavilhões cheios e jogos alegres.

O nosso Ginásio não deixou os seus créditos por mãos alheias.

Faltou-lhe aquele niquinho de sorte que faria o jogo oscilar definitivamente no nosso sentido.

Mas a equipa fez-nos sentir muito orgulhosos do nosso Clube.

E a assistência, embora não tão aguerrida como a da Ovarense (parabéns Ovarense!), apoiou muito bem e demonstrou um civismo e um “fair-play” hoje em dia, infelizmente, não muito comuns em jogos em que a equipa da casa sai derrotada.

Por tudo isso, vai d’arrinca Ginásio! E força para a próxima época!

AMC

Vitamina F

Domingo, Maio 21, 2006
No tempo do dr. Salazar corria a anedota dita dos três FFF:

Um visitante perguntava ao Presidente do Conselho da ditadura como conseguia manter os portugueses satisfeitos ?

Dou-lhes vitamina F.

E explicava : até aos 25 anos Futebol , dos 25 aos 50 Fado , dos 50 em diante Fátima.

Deixo ao leitor a comparação com as doses de vitamina F que tomamos hoje ... em plena democracia !

JS

Mistérios ou Influências?

Quarta-feira, Maio 17, 2006
No Sábado passado disputava-se o 4º jogo dos “play-off” para apurar o campeão da I Divisão Nacional em basquetebol feminino, entre o Marítimo da Madeira e o Instituto D. João V.

Depois da vitória do Instituto no 2º jogo no Funchal por 6 pontos e no 3º jogo no Louriçal por quase 30, o 4º jogo parecia uma vitória pelo menos acessível.

Mas estas coisas do desporto de facto nunca são o que esperamos e nem sempre a causa são os jogadores, o estado do terreno, ou o formato da bola.

Por vezes são mais as mentes retorcidas, as leis enviesadas, ou os jogos de influências.

E essas, se não nos deixam a frustração de um jogo mal perdido porque os “defesas” são ganharam os ressaltos ou os “craques” falharam os 3 pontos, deixam-nos a cabeça cheia de dúvidas, uma desconfortável sensação de estarmos a ser levados ou a raiva de nada podermos fazer.

Voltemos então a sábado.

Cheguei ao pavilhão do Instituto D. João V dois ou três minutos antes da hora marcada para o início do jogo e para grande surpresa minha vi duas atletas do Marítimo sentadas no parque de estacionamento do pavilhão a conversar e no bar outras duas com o mesmo ar descontraído (por sinal a verem o jogo do Ginásio na televisão).

No campo, apenas a equipa do Instituto aquecia. Estranho!, pensei. Passa-se aqui qualquer coisa.

Mal este pensamento me tinha fugido e eis que ouço, absolutamente por acaso, um presumível dirigente da equipa da Madeira dizer às jovens “Tenham calma, elas ainda vão demorar meia hora mas está tudo controlado”.

Fiquei então, por aqui e por ali, a saber as coisas mais estranhas: que a equipa que tinha jogado na 6ª feira não estava completa porque algumas das jogadoras disputavam ao mesmo tempo em Algés a final da Liga Feminina jogando, pasme-se, pelo CAB Madeira; que algumas das jogadoras que deveriam disputar aquele 4º jogo, tinham jogado nessa mesma manhã, às 11,30, em Vila Real, uma final de um Torneio de Juniores pelo CAB Madeira; que, segundo se dizia na bancada – já que ninguém teve a amabilidade de comunicar à assistência o que se passava – o Presidente da Federação de Arbitragem (ou seja lá quem for com título igualmente sonante) teria telefonado aos árbitros do encontro dando instruções rigorosas de que deveriam esperar o tempo que fosse preciso.

E a verdade é que, com ou sem telefonema fosse de quem fosse, assim foi.

A equipa do Marítimo (ou do CAB, já não sei) chegou ao pavilhão com mais de meia hora de atraso e ainda lhes foi concedido um período de aquecimento de 15 minutos.

Enquanto isso já a equipa do Instituto tinha aquecido, arrefecido e voltado a aquecer, acumulando nervos e desgastando a paciência antes do jogo.

No final de uma partida bem suada, com uma arbitragem pobre e desigual, o Instituto D. João V conseguiu sagrar-se campeão nacional, mas o mistério continua e as dúvidas acumulam-se. E pergunto:

1. Como podem jogadoras de basquetebol estar inscritas na mesma modalidade em dois clubes ao mesmo tempo?

2. Como podem disputar dois jogos no mesmo dia, ainda por cima sendo Juniores?

3. O que é que dizem realmente os regulamentos sobre a tolerância (que todos julgamos ser de 15 minutos) para uma equipa que se atrasa?

4. Quem tem o poder de decidir sobre o procedimento a seguir nestas circunstâncias: os árbitros? a mesa? a Federação?

5. Neste caso específico, seguiram-se as regras ou prevaleceram os jogos de influências?

São estes mistérios e dúvidas como estas que nos fazem descrer da “bondade” de algumas atitudes e que fazem a saúde do nosso desporto andar tão periclitante.

AMC

UMA NOTICIA ... UM ESCLARECIMENTO

Quinta-feira, Maio 11, 2006
“Passar às meias finais do play-off, é o melhor resultado de sempre do clube, numa época em que a equipa não tem tido grandes ajudas da direcção e quase não têm “banco” para fazer substituições. Quando o clube “investe” tudo no Remo e Natação … o Basquetebol deu uma grande lição”.

in A Voz da Figueira - 27/04/2006


Exma. Senhora Directora


Dado que a noticia relativa à Liga de Clubes de Basquetebol, publicada na página 15 da edição de 27 de Abril do jornal que V. Exa. dignamente dirige, contém, na sua parte final, afirmações que só a ignorância e/ou má fé podem justificar, vimos solicitar a publicação do seguinte esclarecimento:


1 – Não é, como se afirma, “o melhor resultado de sempre do clube”:
É apenas o melhor resultado das últimas nove épocas, desde que o Ginásio participa na Liga Profissional; o nosso clube pratica Basquetebol há 76 anos, no decorrer dos quais foi sete vezes Campeão de Portugal (incluindo o titulo da 1ª Divisão em 76-77), ganhou a Taça de Portugal e já participou na Liga dos Campeões Europeus.


2 – Quanto às afirmações, falaciosas e mesmo ridículas, de que “a equipa não tem tido grandes ajudas da direcção” e que “o clube investe tudo no Remo e na Natação”, caem inteiramente pela base, conforme demonstram os números das últimas Contas da Gerência e do Orçamento para o corrente ano: 50% para o Basquetebol profissional, 6% para o Basquetebol de Formação (total de 56%), 5% para o Remo e 5% para a Natação.
Acresce que o Departamento Profissional passou esta época a ter o apoio permanente dum Secretário Técnico remunerado (anteriormente inexistente) e a contar com três dos onze Directores do Clube (anteriormente eram dois).


3 – Finalmente, quanto ao comentário de que a equipa “quase não tem banco para fazer substituições”, na verdade o nosso “banco” é limitado, mas a gestão rigorosa do Orçamento disponível assim o exige.
Não queremos seguir o exemplo dos 12 (!) clubes que, em onze anos de disputa, tiveram de abandonar o Campeonato da Liga porque faliram …
Na realidade, não estamos dispostos, nunca estivemos nem vamos estar, a endividar o clube e comprometer-lhe o futuro, apenas porque meia dúzia de fundamentalistas ignorantes insistem em nos pressionar …

Esperando um melhor acompanhamento dos vossos jornalistas, junto da nossa equipa, nomeadamente quando da apresentação da nova época e em outras acções de divulgação da modalidade, agradecemos a atenção que V. Exa. sempre nos tem dispensado, subscrevemo-nos com estima e consideração.


O Presidente da Direcção


José António Martins Tomé

Ascensão e queda dum herói descartável

Sexta-feira, Maio 05, 2006
Na madrugada do S. João de 2003 na Figueira da Foz o Xano, então promissor jogador de futebol profissional da Académica, foi noticia nos jornais e televisões por força dos desacatos em que, então, se envolveu.

As televisões e jornais, então, assentaram arraiais no Tribunal Judicial da Figueira da Foz.

Hoje, três anos depois, o Xano foi julgado no mesmo Tribunal pelos factos de então e absolvido de dois dos crimes por que vinha acusado e condenado com pena suspensa pelos demais (3).

Hoje, três anos depois, o Xano já não joga futebol, razão porque hoje, três anos depois, nem um jornal, nem uma rádio, nem uma televisão tratou a matéria.

Hoje, três anos depois, não fizeram falta nenhuma no Tribunal.

A questão que quero relevar é porém outra, qual seja a da facilidade com que os media fabricam estrelas para o firmamento das vedetas agora chamadas de “famosos”, afinal estrelas cadentes descartáveis ao primeiro revés, à primeira derrota, ao primeiro sinal do fracasso.

Vedetas descartáveis, fabricadas artificialmente no mundo do espectáculo, do futebol à moda, das televisões ao cinema e teatro, da capa da revista ao jornal desportivo…

O Xano não resistiu, não aguentou a pressão de uma vida de profissional ao 20 / 21 anos de idade, cedeu face à sedução da facilidade e aparência de impunidade sugeridas pela fama, pela notoriedade por um razoável vencimento, pelo circulo das novas amizades e … e caiu !

O Xano aos 23 / 24 deixou de fazer a única coisa que sabia fazer bem - dar uns pontapés na bola!

Aqueles que o idolatraram já o esqueceram !

Eu que o defendi e, por isso, o conheci bem não esqueci e quero acreditar que a queda não é irreversível !

Terrível sociedade esta a dos heróis descartáveis …!


JG

Ciclismo Internacional

Quinta-feira, Maio 04, 2006


O Look de Tom Boonen

A NOVA ESTRELA… (Conclusão)

Como deixei dito na minha última intervenção, concluiria, posteriormente, o tema da NOVA ESTRELA, com mais uns quantos testemunhos de gente credenciada, do ciclismo internacional, entre os quais salientei o de Eddy Mercks.
E, é justamente com a opinião de Mercks que dou início ao meu texto de hoje.

· EDDY MERCKS (o campeão fora de série)

Boonen tem uma forte personalidade


«Na Bélgica, a popularidade de Tom Boonen é imensa sobretudo entre os Flamengos. Ser campeão do mundo tão jovem, dá-lhe desde logo, uma bela imagem. É um ganhador, um belo atleta. Com a sua grande estatura, ele liberta, sem impor, uma significativa presença. A sua morfologia não lhe permitirá, certamente, ganhar um “Tour de France”, mas ele pode vir a ser o patrão do pelotão, nas corridas de um dia. Ele é mais que um Sprinter. Do ponto de vista humano, ele está sempre disponível e contacta muito com o público. Na nova geração, é sem dúvida aquele que revela a maior personalidade. E, finalmente, podemos confiar que o seu exemplo e imagem podem, seguramente, trazer maior número de jovens para a prática da Bicicleta».

· JEAN- MARC VANDENBERG (seu Mecânico)

Com Tom é fácil viver


«Tom efectua duas ou três sessões de regulação de posição, no início da época e, a seguir, não toca mais em nada! Na sua bicicleta de campeão mundial, ele não tem nada de particular, para além da espessura dos tubos do seu quadro, (como ficou referido no testemunho de Alain Decroix). O seu quadro tem uma Altura de 58 cm. e, um Comprimento 59,5; as suas manivelas são de 177,5 e a sua haste de guiador é bastante larga: 46 cm., proporcional ao seu gabarito. A única originalidade de Tom é a de utilizar duas passagens de fita de guiador, em qualquer das provas clássicas e etapas do ”Tour”, quando se correm no norte. Excepção feita às provas corridas sobre pisos empedrados, (“pavés”). Por outro lado, ele é um apaixonado das rodas em carbono, altas ou baixas. A empresa “Selim Itália”, nosso novo fornecedor de selins, confeccionou para ele um modelo “Flight”, mais largo que o normal, para se aproximar do Regal feito pela “San Marco”, ao qual ele estava habituado. No que diz respeito às rodas dentadas (pedaleiras), usa 53/41 nas provas de um dia, (Clássicas) e 53/39 no resto da temporada. Contrariamente a outros corredores, ele nunca utiliza a pedaleira de 54 dentes, porque não quer ter de “rebocar” durante toda a corrida. Para ele o 54 é uma “taleiga” demasiada. Estou em crer que, será uma nova tendência que ele quererá lançar. Finalmente, devo dizer que ele, quando vem para uma corrida traz sempre a sua bicicleta impecavelmente limpa! O seu pai André… deve estar por trás disso».

· PATRICK LEFÉVÈRE (o seu Patrão)

Ele está consciente da beleza do seu metier


«Tom tem tudo por ele e, é o Ciclismo no seu conjunto que disso colhe dividendos. Ele é belo, bem parecido, tem qualidades atléticas fenomenais e possui um verdadeiro carisma. Desde que eu sou “manager” da equipa, jamais tinha visto nada parecido. Nem mesmo com Cipollini… Com ele tudo é multiplicado: os pedidos de entrevistas, as acções caritativas ou comerciais, tudo! Tivemos mesmo que contratar um jurista para gerir a sua imagem. Felizmente que esta efervescência não o fez desviar da sua prioridade, isto é, a sua vida de corredor ciclista, Ele geriu bastante bem o período de “defeso”, (inter - épocas de competição), apresentando por isso, testes físicos prometedores. Se eu conseguir evitar que ele venha a tornar-se num “novo Vandenbroucke”, o seu domínio vai durar ainda cinco ou seis anos. Isso é possível, porque Tom parece ter já tomado consciência da beleza do seu metier. Cabe a nós gerir tudo aquilo que o cerca de agora em diante»

· JEAN-PATRICK NAZON (um dos seus adversários)

Gente assim é muito rara


«É evidente que Boonen é um bem para o nosso desporto! Temos com efeito necessidade de um atleta como ele, capaz de assegurar uma passagem de poder entre duas gerações, a de Armstrong e a seguinte. Aliás, os apaixonados da Bicicleta, devem adorar… Ele atrai um interesse mediático inacreditável, já que não é comum um jovem suscitar uma tão grande atenção sempre aparentando o ar mais natural do mundo que afinal é mesmo natural nele! Isso, é um bem para toda a gente. No mundo da bicicleta, ficámos um pouco surpreendidos, provavelmente por falta de hábito. Antes de mais, é muito raro encontrar gente assim, no pelotão, mesmo pensando ou desejando que ele nos saudasse com mais frequência. De qualquer modo penso que ele é mesmo um bom tipo. Não é porque ele não me diga “bom dia” ou “até à vista” que eu o vou criticar! Por agora ele continua a progredir e, apesar das suas declarações, eu penso que ele não está a planificar o seu fim de carreira, como se faz constar. Em minha opinião, a “era” Boonen vai durar um “século”».

· ERIC BOYER (director desportivo da equipa COFIDIS)

Este corredor tem figura e carisma


«Aí está… talvez a renovação do ciclismo. Tom Boonen tem figura, carisma e não tem medo de se exprimir sobre assuntos polémicos, que poderão provocar zangas, como a querela entre a UCI e as grandes “ Voltas”. Quando ele declara que quer brilhar na Volta à Flandres e no Paris – Roubaix, que essas provas pertençam ou não, ao “PRO TOUR”… eu acho isso muito interessante. Ele parlamenta com o seu director desportivo! Assume posições, agrada, particularmente, ao público feminino, mas permanece aberto, sem assumir o ar especial de “gente grande”. A chegada dum jovem deste género é necessária ao ciclismo. Ele é o líder de um nova geração, mas apresenta já um palmarés que o situa na linha dos De Vlaeminck, Goodefroot, Raas, ou Kuiper. Não é um novo Mercks, porque ele não ganhará nunca um “Tour de France”, mas pouco importa. Com o seu “look” e o seu sorriso, ele pode fazer sonhar os jovens que, espero, se identificarão com ele. Boonen tem muitas qualidades para se tornar num grande campeão. Eu vejo-o lançado para prosseguir por mais dez anos…»


Completarei o tema – Tom Boonen, com a inclusão de algumas fotos do personagem, ajudarão, espero, a definir NOVA ESTRELA do CICLISMO INTERNACIONAL.

AB