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Compras de Natal

Sábado, Dezembro 31, 2005
Se há época propícia às compras , ao consumo , às prendas , o Natal aí está como período consumista por excelência , mesmo em tempos de crise e penúria.

Também no futebol , de há anos a esta parte , o Natal foi transformado em período de transferências , época de "compras" , de "prendas" natalícias.

Deixo para já a questão de , apenas quatro meses depois de constituidos os quadros das equipas de futebol , aí estarem os ajustamentos , os reforços , às vezes até a reformulação dos plantéis - ou seja , nem os treinadores , nem os dirigentes são responsabilizados por constituirem equipas que reformulam quatro meses depois !

Quanto custa ? Quanto custa a clubes que têm salários em atraso ( e são quase todos...!)?

O que hoje quero tratar é dos mercados das compras de Natal no futebol - aí está , sempre e outra vez , o Brasil !

Pergunto-me porque não a Àfrica , concretamente a lusófona ?

Veja-se o exemplo da França , repare-se na composição africana de quase toda a selecção francesa , mas constate-se que a observação e acompanhamento dos jogadores começa quando muito jovens , vão para França , para os centros de estágio dos principais clubes , onde a sua evolução é acompanhada e ensinada.

Os resultados não são de curto prazo , são do médio prazo e , é certo , nem todas as apostas se concretizam.

Os clubes portugueses , estranhamente , não vão a Àfrica , dizem que por causa do estilo africano dos jogadores e sua dificuldade de adaptação ao futebol europeu.

Até pode ser verdade , mas a questão é a das apostas : ou formação , acompanhamento , ensino , evolução , o que determina investimento ; ou então ir ao Brasil comprar barato (!?) jogadores feitos que têm não menos dificuldade de adaptação ao futebol europeu.

Os dirigentes dos clubes portugueses continuam a preferir a segunda hipótese e aí temos brasileiros e argentinos no sapatinho do Natal.

A formação , mesmo com os novos centros de estágio , continua a ser , assim , conversa da treta e factor de pressão para subsídios públicos... Apenas !

JG

Bons atletas, bons alunos

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Com as férias escolares chegam as avaliações do trabalho desenvolvido no período imediatamente anterior. Infelizmente para uma grande percentagem dos nossos jovens a essas avaliações não correspondem boas notícias. Como consequência, e numa atitude quase desesperada, os pais e ou encarregados de educação tomam medidas para que no próximo período esta situação seja corrigida.
Uma medida frequentemente adoptada é a suspensão (mais ou menos temporária, nalguns casos para sempre) do seu educando, da prática do desporto que vinha realizando até aí.
O treinador tem então a terrível tarefa de demonstrar aos pais que esta solução não é a mais adequada. Por vários factores:
Mais tempo disponível para o estudo não significa que o jovem estude mais. Se não houver acompanhamento no trabalho escolar diário esta medida não se torna eficaz.
Uma consequência do ponto anterior é que o jovem fica com mais tempo para outras actividades, tais como ver televisão ou navegar pela internet.
Mas mesmo que o aluno necessite de mais tempo para o estudo e preparação das actividades escolares, não é desejável, nem saudável que as horas de estudo sejam consecutivas e em excesso.
Estudar mais de três horas seguidas não é vantajoso nem do ponto de vista das aprendizagens nem da saúde do jovem em crescimento e desenvolvimento. Um intervalo, que pode ser coincidente com o período de treino, pode ajudar a resolver este problema.
A prática desportiva pode ser a única actividade social em que o jovem se sinta realmente integrado. A impossibilidade de a realizar pode agravar o seu sentimento de frustração e reduzir a estima e autoconfiança.
Percebendo a preocupação dos pais o treinador deve apontar para outros caminhos: maior e melhor acompanhamento das actividades escolares, melhor controlo dos tempos livres, e no caso de lhe ser necessário retirar alguma actividade, a prática desportiva não deve ser a escolhida.
A nossa experiência mostra que o impedimento da prática desportiva, não leva por si só à melhoria do aproveitamento escolar do jovem.

Perde-se um atleta e não se tem a certeza de ter ganho um bom aluno. A única certeza é que se deixou de contribuir para a saúde física e psicológica do jovem.
Bom 2006 com bons cidadãos, bons alunos e bons atletas!

EP

Boas Festas e Feliz Ano Novo

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005

A Direcção do Ginásio Clube Figueirense deseja Boas Festas e Feliz Ano de 2006 aos Comentadores residentes deste Blogue, saudando-os com amizade e agradecendo a excelente colaboração que têm prestado.

10 ANOS DEPOIS DO ACÓRDÃO BOSMAN

Dez anos depois talvez seja tempo, já, para o inevitável balanço.

Antecipo já a minha, apenas minha! conclusão: tenho as mais sérias dúvidas que as vantagens dele retiradas sejam superiores às respectivas desvantagens.

Não ponho obviamente em causa, no plano dos princípios, aquela decisão, em especial os princípios da liberdade de trabalho e da livre circulação.

O que penso também é que este sector da actividade económica tem especial especificidade e não pode ser tratado como qualquer outro sector da actividade económica, assim como o contrato de trabalho desportivo tem especiais especificidades.

Note-se que até aos 18 anos é possível celebrar com os jogadores menores de idade o chamado contrato de formação desportiva com o pagamento de uma contrapartida económica.

E os regulamentos FIFA prevêem nas transferências de jogadores com menos de 23 anos a indemnização do clube formador, sendo que os regulamentos internos, nacionais, para além desta prevêem também indemnização de formação na 1ª transferência de um jogador amador (?!) para clube profissional (os da 1ª Liga e Liga de Honra).

Ora também estas indemnizações de formação estão ora postas em causa no Tribunal Europeu de Justiça pelos Sindicatos europeus de jogadores.

O que o Acórdão Bosman veio instituir foi a liberdade de celebração de novo contrato, sem indemnização ao clube de origem, pelo jogador em fim de contrato – o imprópriamente chamado de jogador a custo zero!

Creio que muito poucos foram os jogadores que beneficiaram desta abertura regulamentar – dos portugueses que jogam pela Europa creio que apenas Sérgio Conceição seguiu para a Bélgica nessas circunstâncias, e internamente apenas releva o regresso de Nuno Gomes.

Esta seria a grande vantagem da decisão, sendo que, do meu ponto de vista, a grande desvantagem se traduz no fim das indemnizações entre clubes, na contratação de jogadores, mesmo em fim de contrato.

Ora esse sistema indemnizatório era factor de equilíbrio do sistema, entre equipas “pequenas” formadoras de jogadores e as “grandes” suas compradoras.

Se se concretizar o fim das indemnizações de formação os clubes formadores, já moribundos, fenecerão inelutávelmente.

Tenho pois fundadas dúvidas sobre a bondade da decisão, ainda que, dez anos depois, relevem ainda os princípios da liberdade contratual e da livre circulação que, diria, são basilares.


JG

Seduções do profissionalismo

Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Como cidadãos pensamos sempre que a legislação por si só, deveria resolver quase todos os problemas sociais em termos de desenvolvimento geral do país; como desportista esperávamos que as leis aplicáveis ao desporto, nomeadamente, no que se refere à introdução do regime das competições profissionais, fossem um vector dinamizador de transformações do desporto que nos lançasse nos caminhos do futuro.

Nunca defenderemos corporativismos, mas é tempo de acabar com seduções efémeras e clarificar o que é uma competição profissional, quais as modalidades que têm condições para o assumirem, e quem pode participar?

O grande desafio de hoje, não é ter mais ou menos atletas, não é haver mais ou menos alta competição, é sim optar com intencionalidade pelo segmento da prática desportiva ajustada a cada modalidade e região onde se insere essa prática.

O actual sistema desportivo dá sinais preocupantes na área profissional, pois não se conseguem adicionar sinergias que promovam e suportem esta prática, enquanto factor indispensável na formação desportiva que visa modelos de referência aos mais jovens, e factor de promoção e desenvolvimento local.

Então qual o caminho a seguir?

Estabelecer relações fortes com as pessoas e organizações locais envolvendo-as nas decisões de investimento, confrontando as opções com as competências de cada uma das partes.

Atendendo a que o modelo de desenvolvimento local deve ter em atenção as necessidades colectivas e de prática individual das pessoas, o espectro do envolvimento autárquico no desporto profissional tende a clarificar-se no plano de complementaridade e não de substituição de responsabilidades das opções desportivas.

As sociedades desportivas não são clubes, são sociedades anónimas que proporcionam a separação do que é actividade desportiva profissional do não profissional e permitem com maior clareza e transparência o relacionamento dos organismos públicos e as diversas entidades.

As autarquias devem incentivar na fase inicial esta criação, concedendo incentivos e promovendo parcerias para o aparecimento de condições de continuidade em projectos sólidos de futuro.

Orlando Simões

De Teresa Machado a Vanessa Fernandes

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Com vista à participação nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, o Comité Olímpico de Portugal (COP ) assinou, no passado dia 27 de Janeiro, contratos – programa com as federações desportivas envolvidas nos projectos Pequim 2008 e Esperanças Olímpicas.

O projecto Pequim 2008 integra nove modalidades, que representam 19 atletas, e ao projecto Esperanças Olímpicas pertencem vinte federações e 129 atletas.

A testemunhar esta cerimónia, que decorreu na sede social do COP, esteve presente o Secretário de Estado do Desporto.

Na altura, quando discursou, o Presidente do Comité Olímpico, classificou este momento de histórico para o COP e o movimento associativo, pois, pela primeira vez, e depois de uma luta de muitos anos, iria pertencer ao COP a gestão integral dos projectos olímpicos, apoiando – se numa estrutura organizacional que inclui técnicos multidisciplinares que farão um acompanhamento permanente da preparação dos atletas, articulando o seu trabalho com o das federações.

No decorrer deste ano, e passados uns meses da cerimónia atrás referida, a comunicação social deu – nos conta da situação da Teresa Machado e da Vanessa Fernandes, por motivos diferentes, o que nos obriga a reflectir sobre o passado e o futuro da alta competição.

No primeiro caso, a difícil situação da Teresa Machado ( atletismo ), atleta olímpica em final de carreira, com dificuldades de reinserção social, após muitos anos de dedicação quase exclusiva à sua preparação para campeonatos ( europeus e mundiais ) e Jogos Olímpicos.

Depois, a jovem Vanessa Fernandes ( triatlo ) que, após excelentes resultados internacionais na categoria de absolutos, já foi incluída no projecto Pequim 2008.

Recordo que no contrato – programa celebrado entre o IDP e o COP, e no qual estão contemplados os apoios do Estado, estão definidos estes objectivos para Pequim:

- presença de 18 modalidades, conquista de cinco medalhas e de 12 diplomas

Considerando que os diplomas são atribuídos aos atletas classificados até ao 8º lugar, isto demonstra quão ambiciosa é esta participação olímpica.

No desporto actual, todos os países querem sucessos, medalhas e participar nos Jogos mas, devido às quotas que são impostas pelo Comité Olímpico Internacional, só 10.000 atletas poderão estar presentes.

Sem querer aligeirar o rigor na preparação ou afastar – me do cumprimento das exigências nos critérios de integração de atletas no projecto, definidas para a participação em Beijing 2008, julgo que somente com uma profunda compreensão do verdadeiro alcance, significado e implicações do que é a conquista de uma presença olímpica, poderemos contribuir ( como pais, educadores e dirigentes ) para a tomada de decisões conformes com a via da dignificação e humanização da vida dos atletas de alta competição, quando do final da sua carreira desportiva.

Se o fizermos, certamente daqui a uns anos, a Vanessa Fernandes, não terá de enfrentar os problemas da Teresa Machado e o desporto jamais esquecerá este nosso contributo.


Fernando Estima

Investimento público e responsabilização

No âmbito das actividades realizadas com alguns dos meus alunos, desloquei-me recentemente à pista de remo de Montemor-o-Velho. Dois sentimentos contraditórios surgiram desta visita. Um primeiro sentimento de encanto, pela beleza do local e das condições que a natureza oferece para a prática do remo e canoagem. Um segundo sentimento de desencanto pela degradação a que chegaram as estruturas construídas há relativamente pouco tempo e custaram ao erário público algumas centenas de milhar de euros.
Que causas estarão por trás desta degradação?
Terá sido a estrutura mal concebida e a degradação ocorreu como consequência dessa concepção?
O caderno de encargos não contemplava mecanismos de manutenção e melhoria das instalações?
Terá havido falta de competência dos seus responsáveis?

Segundo informações do secretário de estado do desporto existe vontade política para tornar aquela infra-estrutura num centro nacional de canoagem e remo a estar concluído antes de Pequim 2008.
Este investimento, com certeza, de mais alguns milhares de euros, não pode ser feito sem se responder às questões enumeradas acima. Os recursos do país são escassos, os sacrifícios pedidos aos cidadãos portugueses são demasiado pesados, para se poder desbaratar sem consequências tantos euros.

EP

De que côr são as lágrimas de Zoro...?

Domingo, Dezembro 04, 2005
Pergunta-me o leitor menos atento a estas coisas da bola se equivocado não estarei e não se tratará antes do Zorro...

Não , seguramente que não ! , mas faz falta a estes casos...!

Zoro é um jogador de futebol da Costa do Marfim , preto na côr da sua pele , que joga em Itália , no Messina .

No último fim de semana , no jogo Messina - Inter , a c laque do Inter passou todo o desafio , sempre que Zoro tocava a bola , a gritar :"Uhu" "Uhu" "Uhu" ... imitando macacos...!

Zoro,a dado momento,quando se preparava para um lançamento lateral junto da claque do Inter , ouviu mais insistentemente ainda o som e ... e não resistiu !

Lavado em lágrimas , Zoro , de bola na mão , dirigiu-se ao árbitro para abandonar o jogo ...!

DE QUE CÔR SÃO AS LÁGRIMAS DE ZORO ...?

Foram os jogadores do Inter , Martins (preto , muito preto ,na côr da pele) e Adriano (escuro na côr da pele) , brancos , branquíssimos , no coração e alma , que demoveram Zoro do abandono que faria felizes a escória , a ralé que dizendo-se branca manifesta o mais escuro dos sentimentos - o racismo !

Foi para mim a imagem da semana e confesso que , com Zoro , chorei também porque , rasgado , me sangrava o coração : que maior agressão à cidadania ? Que maior agressão à humanidade ? Que maior agressão aos pilares civilizacionais da liberdade , igualdade e fraternidade ?

DE QUE CÔR SÃO AS LÁGRIMAS DE ZORO ...?

Mas trespassado pela violência da imagem dei por mim a pensar que a cena agressiva se repete pelos estádios de Inglaterra e Espanha com notícia pública e ... também , sejamos sérios , nos jogos de futebol em Portugal ! sem notícia pública !

Com o nosso silêncio cúmplice ! ... e aquele encolher de 0mbros que é como quem diz : é normal !

Não ! Não é normal . É anormal e porque de anormais se trata , porque da escória se trata , porque da ralé se trata , porque da marginalidade social se trata , há que punir severamente , punir violentamente os agentes desta acção , e individualmente !

Punir exemplarmente aqueles que , incapazes de mobilizar as massas para manifestações (como recentemente em Lisboa ) , se infiltram nas manifestações das massas (futebol) , condicionando-as !

DE QUE CÔR SÃO AS LÁGRIMAS DE ZORO ... ?

A imagem de Zoro despertou-me , abanou-me , estrassalhou-me a alma , sangrou-me o coração e trouxe-me à memória o poema de Gedeão "Lágrima de Preta" - quão actual !?

E leva-me à conclusão

DE QUE CÔR SÃO AS LÁGRIMAS DE ZORO , AFINAL !

JG

APRESENTAÇÃO PÚBLICA

Sábado, Dezembro 03, 2005

Na próxima quarta feira , dia 7 , o site oficial do Ginasio Clube Figueirense - www.ginasiofigueirense.com - e este Blogue , são apresentados públicamente no Salão Nobre da Assembleia Figueirense , pelas 18 horas.