Blogue - 1
Sexta-feira, Setembro 30, 2005Ao iniciar a minha colaboração no BLOGUE ZAS-TRAS!, quero antes de mais, apresentar as minhas efusivas saudações velocipédicas... Velocipédicas, mesmo, porque a definição é, (no nosso caso de ginasistas), absoluta e integralmente justificada, porque:
O vocábulo Velocipédico, integrava a denominação oficial do Clube, quando da sua Fundação;
Da Comissão fundadora do Ginásio Clube Figueirense, fazia parte um personagem, nascido na Figueira, ilustre praticante de ciclismo, em cuja modalidade atingiu um prestígio de alto nível internacional;
Meu pai, foi ele também, corredor de bicicleta do Ginásio, com cuja camisola correu 3 Voltas a Portugal;
O vocábulo Velocipédico, integrava a denominação oficial do Clube, quando da sua Fundação;
Da Comissão fundadora do Ginásio Clube Figueirense, fazia parte um personagem, nascido na Figueira, ilustre praticante de ciclismo, em cuja modalidade atingiu um prestígio de alto nível internacional;
Meu pai, foi ele também, corredor de bicicleta do Ginásio, com cuja camisola correu 3 Voltas a Portugal;
E por fim, também eu fui atleta do ciclismo e, ainda hoje me mantenho ligado á modalidade, nacional e internacionalmente.
Estas são portanto as razões que me dão... razão para apresentar as minhas Saudações, "velocipédicamente".
Saudações apresentadas, demos então, declaradamente, início à minha primeira colaboração no BLOGUE ZAS-TRAS!, para cuja finalidade elegi como Tema a VOLTA A PORTUGAL em Bicicleta deste ano que, (como muitas vezes, na sua história), voltou a fazer etapa na Figueira da Foz.
Assim sendo, começo por fazer uma apreciação que não tem a ver com os aspectos técnico atléticos, mas sim, analisando-a tendo como base o conceito de Festa Nacional do Ciclismo, no qual a prova era tida, e eu a vivi, como corredor... Conceito esse, que já vinha das décadas anteriores e se prolongaria até aos anos 90.
Partindo então desse pressuposto, devo dizer que o acontecimento, na actualidade, deixa muito a desejar!
No meu tempo a Volta a Portugal durava duas ou mesmo três semanas, durante as quais a corrida, além de levar a pugna desportiva e o espectáculo à porta das pessoas, passava por todas as zonas do país, indo do Algarve ao Minho! O caris genuinamente popular, que nesse tempo, caracterizava a Volta, reforçava, todos os anos, o seu próprio prestígio!
A intenção de conferir à nossa VOLTA, o nível e prestígio de Prova Internacional - UCI, acabou por descaracterizá-la e despromove-la, em termos nacionais... Desde logo, pela obrigatoriedade de não poder ultrapassar os 10 dias de duração, o que, obviamente, impede uma Volta que percorra um mais alargado espaço do território nacional.
Por outro lado, não permite que o ciclismo português, com todas as limitações dum país pobre, tenha a sua prova de alto nível, acessível a todos os seus corredores e equipas... Sejam elas mais ou menos bem apetrechadas nas suas estruturas, logísticas, desportivas e atléticas e sobretudo, financeiras.
Agora realizamos uma prova de poucos dias... para poucos atletas portugueses! Pois na verdade, o efectivo do pelotão da Volta a Portugal, nos últimos anos, regista normalmente uma percentagem de corredores estrangeiros, sempre na ordem dos 70%!
Entretanto, é curioso assinalar que no dia em que foi dada a partida a esta Volta a Portugal, em Oeiras, terminou, também em Oeiras, a Volta a Portugal (dita) do Futuro... à qual podemos dar o nome de Volta a Portugal dos menos favorecidos!
Note-se entretanto, a seu favor, que essa prova proporcionou uma altamente competitiva e espectacular prova desportiva, cuja média horária final o comprova, com elucidativa evidência.
Acrescentaria, como sugestão, que era só fazer as duas voltas numa só!... Com a preocupação de fazer alinhar à partida poucas ou nenhumas equipas estrangeiras!...
Como justificação final desta minha maneira de pensar, faço questão de recordar e evidenciar que, de resto, as equipas portuguesas que participaram nestas duas Voltas a Portugal … correm habitualmente em conjunto, nas restantes provas do Calendário Nacional… Se assim é a nossa realidade, porque não realizar uma VOLTA A PORTUGAL, também para TODOS?
Complementando um pouco mais alguns aspectos que sumariamente abordei nesta minha primeira apreciação, começarei pelo caso com que, implicitamente, estou em desacordo, isto é, a integração da Volta a Portugal no Calendário Internacional UCI, com o Nível 2.1.
Embora parecendo que “dou uma no cravo e outra na ferradura", devo dizer que, no que toca ao interesse de proporcionar, (em território nacional), ao desporto português e ao ciclismo, em particular, algumas competições de alto nível internacional, estou perfeitamente de acordo. Entendo mesmo que Portugal deveria ter a sua própria Prova PROTOUR, que nos desse a oportunidade de anualmente podermos, em directo, contactar com a "nata" do ciclismo mundial, como por exemplo aconteceu com o CAMPEONATO DA EUROPA, em Lisboa - 1999, o CAMPEONATO DO MUNDO DE CICLISMO ARTÍSTICO, no Funchal, no mesmo ano, o CAMPEONATO DO MUNDO (ELITE - Profissional), em Lisboa - 2001 e o recente CAMPEONATO DO MUNDO de MASTERS, em Torres Vedras.
A minha única dúvida, neste aspecto tem a ver com o factor económico... Nós não temos capacidades para, rotinadamente, construir Estádios e realizar Campeonatos da Europa de Futebol, ou efectuar eventos similares, porém, seguramente, podemos ter a nossa anual Prova PROTOUR!...
... Digamos, por exemplo, reeditar um grande Premio Internacional de Sintra dos anos-70 / 80, (dos Van Impe, Ocaña, Agostinho, Acácio da Silva), ou talvez algo que se parecesse com a Volta ao Algarve de 2004 (com Armstrong, Azevedo e companhia). Isso, mas também a nossa Volta a Portugal, (dispensada das limitações de Calendário U.C.I.), para todos os nossos corredores Elite, indo a todos os recantos do Pais.
Alves Barbosa
Saudamos a primeira participação de Alves Barbosa neste Blogue e aproveitamos a oportunidade para nos associarmos à justa e merecida homenagem que recentemente lhe foi prestada em Sangalhos, a terra do Clube que sempre representou.
Primeiro herói da participação portuguesa na Volta a França (1956), vencedor de três Voltas a Portugal (e espoliado da vitoria noutra), Alves Barbosa continuou ligado à modalidade ao longo dos anos, como Técnico e Dirigente.
Sempre disponível para colaborar nas iniciativas de divulgação do Ciclismo e do Cicloturismo que se realizam por este país fora – a Figueira e o Ginásio muito lhe devem neste aspecto – Alves Barbosa distingue-nos com a sua participação no Zas-tras!, para o qual é sem duvida uma mais valia.
Ginásio Figueirense
Estas são portanto as razões que me dão... razão para apresentar as minhas Saudações, "velocipédicamente".
Saudações apresentadas, demos então, declaradamente, início à minha primeira colaboração no BLOGUE ZAS-TRAS!, para cuja finalidade elegi como Tema a VOLTA A PORTUGAL em Bicicleta deste ano que, (como muitas vezes, na sua história), voltou a fazer etapa na Figueira da Foz.
Assim sendo, começo por fazer uma apreciação que não tem a ver com os aspectos técnico atléticos, mas sim, analisando-a tendo como base o conceito de Festa Nacional do Ciclismo, no qual a prova era tida, e eu a vivi, como corredor... Conceito esse, que já vinha das décadas anteriores e se prolongaria até aos anos 90.
Partindo então desse pressuposto, devo dizer que o acontecimento, na actualidade, deixa muito a desejar!
No meu tempo a Volta a Portugal durava duas ou mesmo três semanas, durante as quais a corrida, além de levar a pugna desportiva e o espectáculo à porta das pessoas, passava por todas as zonas do país, indo do Algarve ao Minho! O caris genuinamente popular, que nesse tempo, caracterizava a Volta, reforçava, todos os anos, o seu próprio prestígio!
A intenção de conferir à nossa VOLTA, o nível e prestígio de Prova Internacional - UCI, acabou por descaracterizá-la e despromove-la, em termos nacionais... Desde logo, pela obrigatoriedade de não poder ultrapassar os 10 dias de duração, o que, obviamente, impede uma Volta que percorra um mais alargado espaço do território nacional.
Por outro lado, não permite que o ciclismo português, com todas as limitações dum país pobre, tenha a sua prova de alto nível, acessível a todos os seus corredores e equipas... Sejam elas mais ou menos bem apetrechadas nas suas estruturas, logísticas, desportivas e atléticas e sobretudo, financeiras.
Agora realizamos uma prova de poucos dias... para poucos atletas portugueses! Pois na verdade, o efectivo do pelotão da Volta a Portugal, nos últimos anos, regista normalmente uma percentagem de corredores estrangeiros, sempre na ordem dos 70%!
Entretanto, é curioso assinalar que no dia em que foi dada a partida a esta Volta a Portugal, em Oeiras, terminou, também em Oeiras, a Volta a Portugal (dita) do Futuro... à qual podemos dar o nome de Volta a Portugal dos menos favorecidos!
Note-se entretanto, a seu favor, que essa prova proporcionou uma altamente competitiva e espectacular prova desportiva, cuja média horária final o comprova, com elucidativa evidência.
Acrescentaria, como sugestão, que era só fazer as duas voltas numa só!... Com a preocupação de fazer alinhar à partida poucas ou nenhumas equipas estrangeiras!...
Como justificação final desta minha maneira de pensar, faço questão de recordar e evidenciar que, de resto, as equipas portuguesas que participaram nestas duas Voltas a Portugal … correm habitualmente em conjunto, nas restantes provas do Calendário Nacional… Se assim é a nossa realidade, porque não realizar uma VOLTA A PORTUGAL, também para TODOS?
Complementando um pouco mais alguns aspectos que sumariamente abordei nesta minha primeira apreciação, começarei pelo caso com que, implicitamente, estou em desacordo, isto é, a integração da Volta a Portugal no Calendário Internacional UCI, com o Nível 2.1.
Embora parecendo que “dou uma no cravo e outra na ferradura", devo dizer que, no que toca ao interesse de proporcionar, (em território nacional), ao desporto português e ao ciclismo, em particular, algumas competições de alto nível internacional, estou perfeitamente de acordo. Entendo mesmo que Portugal deveria ter a sua própria Prova PROTOUR, que nos desse a oportunidade de anualmente podermos, em directo, contactar com a "nata" do ciclismo mundial, como por exemplo aconteceu com o CAMPEONATO DA EUROPA, em Lisboa - 1999, o CAMPEONATO DO MUNDO DE CICLISMO ARTÍSTICO, no Funchal, no mesmo ano, o CAMPEONATO DO MUNDO (ELITE - Profissional), em Lisboa - 2001 e o recente CAMPEONATO DO MUNDO de MASTERS, em Torres Vedras.
A minha única dúvida, neste aspecto tem a ver com o factor económico... Nós não temos capacidades para, rotinadamente, construir Estádios e realizar Campeonatos da Europa de Futebol, ou efectuar eventos similares, porém, seguramente, podemos ter a nossa anual Prova PROTOUR!...
... Digamos, por exemplo, reeditar um grande Premio Internacional de Sintra dos anos-70 / 80, (dos Van Impe, Ocaña, Agostinho, Acácio da Silva), ou talvez algo que se parecesse com a Volta ao Algarve de 2004 (com Armstrong, Azevedo e companhia). Isso, mas também a nossa Volta a Portugal, (dispensada das limitações de Calendário U.C.I.), para todos os nossos corredores Elite, indo a todos os recantos do Pais.
Alves Barbosa
Saudamos a primeira participação de Alves Barbosa neste Blogue e aproveitamos a oportunidade para nos associarmos à justa e merecida homenagem que recentemente lhe foi prestada em Sangalhos, a terra do Clube que sempre representou.
Primeiro herói da participação portuguesa na Volta a França (1956), vencedor de três Voltas a Portugal (e espoliado da vitoria noutra), Alves Barbosa continuou ligado à modalidade ao longo dos anos, como Técnico e Dirigente.
Sempre disponível para colaborar nas iniciativas de divulgação do Ciclismo e do Cicloturismo que se realizam por este país fora – a Figueira e o Ginásio muito lhe devem neste aspecto – Alves Barbosa distingue-nos com a sua participação no Zas-tras!, para o qual é sem duvida uma mais valia.
Ginásio Figueirense
