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Blogue - 1

Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Ao iniciar a minha colaboração no BLOGUE ZAS-TRAS!, quero antes de mais, apresentar as minhas efusivas saudações velocipédicas... Velocipédicas, mesmo, porque a definição é, (no nosso caso de ginasistas), absoluta e integralmente justificada, porque:

O vocábulo Velocipédico, integrava a denominação oficial do Clube, quando da sua Fundação;

Da Comissão fundadora do Ginásio Clube Figueirense, fazia parte um personagem, nascido na Figueira, ilustre praticante de ciclismo, em cuja modalidade atingiu um prestígio de alto nível internacional;

Meu pai, foi ele também, corredor de bicicleta do Ginásio, com cuja camisola correu 3 Voltas a Portugal;
E por fim, também eu fui atleta do ciclismo e, ainda hoje me mantenho ligado á modalidade, nacional e internacionalmente.

Estas são portanto as razões que me dão... razão para apresentar as minhas Saudações, "velocipédicamente".

Saudações apresentadas, demos então, declaradamente, início à minha primeira colaboração no BLOGUE ZAS-TRAS!, para cuja finalidade elegi como Tema a VOLTA A PORTUGAL em Bicicleta deste ano que, (como muitas vezes, na sua história), voltou a fazer etapa na Figueira da Foz.

Assim sendo, começo por fazer uma apreciação que não tem a ver com os aspectos técnico ­atléticos, mas sim, analisando-a tendo como base o conceito de Festa Nacional do Ciclismo, no qual a prova era tida, e eu a vivi, como corredor... Conceito esse, que já vinha das décadas anteriores e se prolongaria até aos anos 90.

Partindo então desse pressuposto, devo dizer que o acontecimento, na actualidade, deixa muito a desejar!

No meu tempo a Volta a Portugal durava duas ou mesmo três semanas, durante as quais a corrida, além de levar a pugna desportiva e o espectáculo à porta das pessoas, passava por todas as zonas do país, indo do Algarve ao Minho! O caris genuinamente popular, que nesse tempo, caracterizava a Volta, reforçava, todos os anos, o seu próprio prestígio!

A intenção de conferir à nossa VOLTA, o nível e prestígio de Prova Internacional - UCI, acabou por descaracterizá-la e despromove-la, em termos nacionais... Desde logo, pela obrigatoriedade de não poder ultrapassar os 10 dias de duração, o que, obviamente, impede uma Volta que percorra um mais alargado espaço do território nacional.

Por outro lado, não permite que o ciclismo português, com todas as limitações dum país pobre, tenha a sua prova de alto nível, acessível a todos os seus corredores e equipas... Sejam elas mais ou menos bem apetrechadas nas suas estruturas, logísticas, desportivas e atléticas e sobretudo, financeiras.

Agora realizamos uma prova de poucos dias... para poucos atletas portugueses! Pois na verdade, o efectivo do pelotão da Volta a Portugal, nos últimos anos, regista normalmente uma percentagem de corredores estrangeiros, sempre na ordem dos 70%!

Entretanto, é curioso assinalar que no dia em que foi dada a partida a esta Volta a Portugal, em Oeiras, terminou, também em Oeiras, a Volta a Portugal (dita) do Futuro... à qual podemos dar o nome de Volta a Portugal dos menos favorecidos!

Note-se entretanto, a seu favor, que essa prova proporcionou uma altamente competitiva e espectacular prova desportiva, cuja média horária final o comprova, com elucidativa evidência.

Acrescentaria, como sugestão, que era só fazer as duas voltas numa só!... Com a preocupação de fazer alinhar à partida poucas ou nenhumas equipas estrangeiras!...

Como justificação final desta minha maneira de pensar, faço questão de recordar e evidenciar que, de resto, as equipas portuguesas que participaram nestas duas Voltas a Portugal … correm habitualmente em conjunto, nas restantes provas do Calendário Nacional… Se assim é a nossa realidade, porque não realizar uma VOLTA A PORTUGAL, também para TODOS?

Complementando um pouco mais alguns aspectos que sumariamente abordei nesta minha primeira apreciação, começarei pelo caso com que, implicitamente, estou em desacordo, isto é, a integração da Volta a Portugal no Calendário Internacional UCI, com o Nível 2.1.

Embora parecendo que “dou uma no cravo e outra na ferradura", devo dizer que, no que toca ao interesse de proporcionar, (em território nacional), ao desporto português e ao ciclismo, em particular, algumas competições de alto nível internacional, estou perfeitamente de acordo. Entendo mesmo que Portugal deveria ter a sua própria Prova PROTOUR, que nos desse a oportunidade de anualmente podermos, em directo, contactar com a "nata" do ciclismo mundial, como por exemplo aconteceu com o CAMPEONATO DA EUROPA, em Lisboa - 1999, o CAMPEONATO DO MUNDO DE CICLISMO ARTÍSTICO, no Funchal, no mesmo ano, o CAMPEONATO DO MUNDO (ELITE - Profissional), em Lisboa - 2001 e o recente CAMPEONATO DO MUNDO de MASTERS, em Torres Vedras.

A minha única dúvida, neste aspecto tem a ver com o factor económico... Nós não temos capacidades para, rotinadamente, construir Estádios e realizar Campeonatos da Europa de Futebol, ou efectuar eventos similares, porém, seguramente, podemos ter a nossa anual Prova PROTOUR!...

... Digamos, por exemplo, reeditar um grande Premio Internacional de Sintra dos anos-70 / 80, (dos Van Impe, Ocaña, Agostinho, Acácio da Silva), ou talvez algo que se parecesse com a Volta ao Algarve de 2004 (com Armstrong, Azevedo e companhia). Isso, mas também a nossa Volta a Portugal, (dispensada das limitações de Calendário U.C.I.), para todos os nossos corredores Elite, indo a todos os recantos do Pais.


Alves Barbosa



Saudamos a primeira participação de Alves Barbosa neste Blogue e aproveitamos a oportunidade para nos associarmos à justa e merecida homenagem que recentemente lhe foi prestada em Sangalhos, a terra do Clube que sempre representou.

Primeiro herói da participação portuguesa na Volta a França (1956), vencedor de três Voltas a Portugal (e espoliado da vitoria noutra), Alves Barbosa continuou ligado à modalidade ao longo dos anos, como Técnico e Dirigente.

Sempre disponível para colaborar nas iniciativas de divulgação do Ciclismo e do Cicloturismo que se realizam por este país fora – a Figueira e o Ginásio muito lhe devem neste aspecto – Alves Barbosa distingue-nos com a sua participação no Zas-tras!, para o qual é sem duvida uma mais valia.

Ginásio Figueirense

Febre de piscinas

Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Divulgou o jornal “Expresso” na revista Única da edição do dia 17 de Setembro um artigo sobre a proliferação de piscinas por todo o país. Esta situação, conhecida por aqueles que acompanham a natação, ainda é mais escandalosa e dramática do que aquela que o artigo pretende dar a conhecer.

Em primeiro lugar porque existem piscinas concluídas, algumas até inauguradas, e que apesar de diariamente aquecidas, não estão abertas ao público. Mesmo que seja para um mergulho retemperador.

Em segundo lugar porque estas instalações, de bom nível, não têm contribuído para o desenvolvimento desportivo dessas localidades, demonstrado pelo aumento de número de praticantes, ou pelo nível de resultados desportivos. Em alguns casos até se tem dado uma regressão, tais são as condicionantes que se colocam aos clubes desportivos, impedindo-os desde modo de evoluir.

Na ambição de mostrarem “obra” alguns responsáveis realizam-na com níveis tão altos e tão caros que depois não se torna viável a manutenção destes novos “elefantes brancos”. Uma consequência imediata é o preço do aluguer por pista, normalmente muito alto para as capacidades financeiras da generalidade dos Clubes ou Associações.

A falta de sensibilidade e desconhecimento da causa desportiva leva muitas vezes os responsáveis pela gestão destas instalações a tratarem de igual modo instituições com larga tradição e provas dadas na modalidade e grupos recém organizados sem qualquer experiência e conhecimento nesta área, o que naturalmente leva a situações de grande injustiça.

E estamos, desde o início, a falar de piscinas municipais, isto é, construídas com o dinheiro de todos nós.

EP

As provas convincentes - Comentário

Terça-feira, Setembro 27, 2005
Agradeço o contributo para o enquadramento da fundação dos Clubes desportivos da Figueira da Foz.

Quanto ao F.C. do Porto, mantenho integralmente as minhas dúvidas.

O seu próprio texto confirma o interregno de treze anos, sem qualquer actividade ou notícia …

Durante cerca de oitenta anos, o próprio F.C. do Porto situou a respectiva fundação no ano de 1906.

Ao recuar essa data para 1893, num autêntico passe de magia, transformou-se num Clube mais antigo que o Benfica (1904) e o Sporting (1906) …!

JS

As provas convincentes

Toda a apreciação está correcta, mas parece-me que é necessário indicar o seguinte:

a) A mais antiga agremiação desportiva local, deverá ter sido o Clube Moderno, com reuniões no Café Atlântico e cujos o seus estatutos, serviram de base às duas mais importantes agremiações desportivas locais;
b) A Associação Naval (1866) suponho que era a Associação Náutica só faziam parte pessoas endinheiradas. Durou pouco tempo.
Todavia, após a sua dissolução e anos mais tarde, quatro operários lembraram-se de formar a Associação Naval 1º de Maio;
c) Sem dúvida que o Club Ginástico, funcionando nos baixos da Assembleia Figueirense é o antecessor do Ginásio Clube Figueirense, porque parte dos seus fundadores são os mesmos;
d) A estes juntaram-se entre outros, os "sócios protectores", dissidentes da Naval, por não pertencerem à denominada "classe operária";
e) A objectividade dos estatutos de ambas as colectividades são as mesmas o que indica a existência de uma mesma raiz de intenções;
Em conclusão, e pela forma como foi colocada a questão, poder-se-iam recuar uns bons aninhos para indicar e provavelmente chegar à conclusão quase óbvia, que os dois clubes nasceram no mesmo dia.

Quanto ao F.C.Porto: nasceu efectivamente em 1893, mais propriamente em 28 de Setembro de 1893. O seu primeiro emblema foi uma bola com as inscrições FCP e designava-se Football Clube do Porto, Sociedade Sportiva.
E não se dedicava só ao futebol. A velocipedia, a natação, o remo e jogo do pau, faziam da parte daquela gente, muito misturada com a sociedade britânica, que frequentava as colónias balneares da Foz, Leça da Palmeira e Matosinhos.
António Nicolau de Almeida era bem relacionado com a aristocria portuense e tinha regressado da Inglaterra. Daí a sua paixão pelo sport. Em termos de futebol, houve apenas três ou quatro jogos, porque quando se casou com Hilda Rumsey, esta convenceu-o a abandonar o futebol por ser um desporto muito violento. Só o ténis permaneceu.
Como FCP, só voltam a haver notícias em 1906. Só que foi esta gente que esteve ligada a outras instituições como o Gimnásio Lauret, o Real Velo Club do Porto ou o aristocrático Clube Portuense.

Quanto às modalidades desportivas existentes, falta indicar uma importante: a esgrima, cujas armas estão no emblema do Ginásio Clube Figueirense.


Joaquim Moreira dos Santos

A antiguidade dos Clubes desportivos

Sexta-feira, Setembro 23, 2005
Houve tempo em que era pacífico aceitar-se o seguinte ranking de antiguidade dos Clubes desportivos presentemente existentes no nosso País:

1- Associação Naval de Lisboa – fundada em 1856
2- Ginásio Clube Português ---------------- 1875
3- Clube Fluvial Portuense ---------------- 1876
4- Clube Naval de Lisboa ------------------ 1892
5- Associação Naval 1º de Maio ------------ 1893
6- Ginásio Clube Figueirense --------------- 1895

Todos fundados para a prática de Vela, Remo (modalidade que também se praticou no Ginásio C. Português) e/ou Ginástica, numa época em que eram estes, mais o Ciclismo e o Tiro, os desportos dominantes.

Este ranking fazia sentido, tinha um enquadramento histórico lógico.

Mas há dois Clubes que situam as respectivas fundações nestes anos do final do Século XIX.

São eles a Associação Académica de Coimbra, que reivindica o ano de 1887, e o F.C. do Porto, que recentemente recuou a data da sua fundação de 1906 para 1893.

Em qualquer dos casos tenho bastantes dúvidas!

Relativamente à Académica, a própria resenha histórica incluída no seu site oficial, suscita essas dúvidas, com trocas de nome e interregnos, sobretudo de 1892 a 1896.

Quanto ao F.C. do Porto, o vazio é notório entre 1893 e 1906. Por exemplo, no primeiro destes anos é indicado como Presidente António Nicolau de Almeida, e só no período 1907/10 se volta a referir novo Presidente, José Monteiro da Costa.

Quanto a actividades, nada…

Imagine-se que os Clubes da Figueira da Foz tentavam, desta forma difusa, antecipar as datas das respectivas fundações.

Então a Associação Naval 1º de Maio poderia recuar até 1866 (Associação Naval) e o Ginásio socorrer-se do Clube Ginástico (1889), cujos fundadores foram os mesmos…

De modo que fico aguardar provas mais convincentes!

JS

“Olh’ó Vítor Batista”

Terça-feira, Setembro 20, 2005
A música com que Vitorino imortalizou as, então, excentricidades do ponta de lança que pôs colegas, adversários e o arbitro à procura do brinco durante um jogo de futebol, veio-me à lembrança a propósito do recente caso Mccarthy no F.C.Porto.

O jogador terá aparecido no estágio prévio ao jogo com o Rio Ave com umas tranças, umas extensões de adorno do penteado, sendo que quando chamado à atenção convocou duas cabeleireiras para desfazerem o penteado … foi afastado do estágio e também não participa no primeiro jogo da Liga dos Campeões!

O treinador do Porto invoca o regulamento disciplinar, a administração do Porto sufraga uma tal posição – na época anterior houve penteados a mais e futebol a menos! – e os jornalistas desportivos louvam o rigor disciplinar do Sr. Adriaanse.

Entendo estas posições sustentadas, aliás, no quadro disciplinar próprio da entidade patronal no âmbito do contrato de trabalho desportivo, mas … mas e o direito à imagem, que é um direito da personalidade?

Note-se que os jogadores de primeiríssimo plano, em várias modalidades, vão salvaguardando contratualmente as contrapartidas pela exploração da sua imagem.

Mais, os clubes, quantas vezes, dividem com esses jogadores, a percentagem de cada um, clube e jogador, nos contratos publicitários a que o jogador dá a cara, cede a imagem.

O jogador transforma-se assim no veículo publicitário de um qualquer produto, de uma marca que promove mediante contrapartida económica.

Parece que foram esses aspectos que comprometeram o êxito desportivo dos galácticos no Real Madrid …

Portanto o rigor disciplinar é aqui uma das faces da mesma moeda, que tem na outra o direito à imagem do jogador, com diversos cambiantes, pessoais e comerciais!

Para o Vítor Batista o brinco era o gozo, a extravagancia, a excentricidade.

Daí que me dê gozo também cantar “Olh’ó Vítor Batista”!

JG

Espírito Desportivo II

Domingo, Setembro 18, 2005
Ainda a propósito do Espírito Desportivo, um exemplo cada vez mais raro:
O piloto Sébastien Loeb recusou ser, neste fim-de-semana, campeão mundial de ralis.
Durante o rali da Grã-Bretanha, e devido a um acidente, veio a falecer Michael Park, co--piloto de uma equipa adversária de Sébastien Loeb. Por respeito a Michael Park a sua equipa decidiu retirar-se da prova, facilitando a obtenção do título mundial a Sébastien Loeb. No entanto, este piloto, numa demonstração de grande desportivismo fez-se penalizar em dois minutos, terminando a prova em terceiro lugar, não sendo deste modo campeão mundial. Segundo o jornal Público o piloto afirmou: “Não consigo pensar em ser campeão do mundo nestas circunstâncias. É um desporto e eu defendo as regras. A partir do momento em que Marcus [Gronholm] abandonou, eu prefiro não ganhar".
O desporto profissional não é só feito de truques e de tricas. Um exemplo para reflectir.
Felizmente, ainda há verdadeiros desportistas…
EP

Após leitura do artigo de O.S.

Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Em primeiro lugar gostaria de saudar os responsáveis pela feliz iniciativa de criarem o Blogue Zás-Trás e estender essas saudações a todos os respectivos comentadores residentes.

Concordando na generalidade com o artigo do Professor Orlando Simões no nosso Blogue intitulado Papel do Município junto do Associativismo Desportivo.

Gostaria no entanto de acrescentar que na minha opinião no nosso Município desde Abril de 1974 que não me lembro de qualquer politica de desenvolvimento desportivo expressa com coerência.

A ilustrar este facto veja-se o caso presente da CMFF com os projectos que já desenvolve e com o património desportivo que entretanto criou é no mínimo estranho não possuir um Departamento de Desporto e Educação Física que coordene a tal Politica de Desenvolvimento Desportivo.

A atribuição de apoios, mais que justos ao associativismo desportivo figueirense deve estar claramente inserida na política de desenvolvimento desportivo do nosso Município bem como os critérios e regras inerentes a esses apoios.

Fernando Miranda

O Papel do Município junto do Associativismo Desportivo

O associativismo desportivo constitui hoje uma das principais áreas de intervenção das autarquias locais, considerando o papel interventivo que o associativismo tem no fomento e promoção da prática desportiva.
È notória hoje a existência de regulamentos locais sobre a temática do associativismo desportivo em cada município, no sentido de objectivar e tornar mais transparente, perante e legislação existente, a atribuição de comparticipações financeiras ao associativismo desportivo.
Os clubes, colectividades desportivas, constituem hoje na nossa sociedade células indispensáveis no campo desportivo e cultural do nosso País, constituindo em muitos casos, a única via de acesso à prática desportiva, desempenhando por este facto um papel nuclear no nosso sistema desportivo.
São nestes espaços que se organizam milhares de pessoas de todas as idades e de diferentes grupos sociais, a quem os clubes proporcionam as instalações de prática desportiva, onde igualmente a acção benévola dos dirigentes contribui para o bem estar físico e social junto da sua comunidade.
Desta forma, na nossa opinião, o direito estabelecido no Artigo 79º da Constituição da República Portuguesa, passará pela acção do associativismo desportivo, entendido este, como um conjunto de organizações colectivas de cidadãos, sem fins lucrativos, que visam promover a prática desportiva e o desenvolvimento do sistema desportivo.
Será quanto a nós determinante, que o associativismo tenha uma participação mais activa na elaboração dos regulamentos dos Municípios, para assim se poder concertar, de modo mais consentâneo, uma política de desenvolvimento desportivo ( a par com outras entidades ), com o objectivo de permitir o acesso à participação desportiva das populações, e garantir um enquadramento técnico qualificado, substituindo-se em muitos casos ao poder público.

Prof. Orlando Simões

O que nós queremos é futebol!

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

Em 11 de Março de 1945, uma avioneta lançou sobre o Estádio Nacional, completamente cheio, onde se realizava um Portugal-Espanha, 50 mil exemplares de um panfleto intitulado "O que nós queremos é futebol!" no qual se liam estas e outras preciosidades:

«No mundo envolvido em tremendo conflito, Portugal continua a constituir, neste sexto ano de guerra, um verdadeiro oásis de paz»
(...)
«Todos os povos da Europa, por exemplo, se batem hoje em destruidora luta, uns contra os outros, e as suas alegrias não são senão as das vitórias obtidas nos campos de batalha, alcançadas pela destruição do adversário
(...)
«Ante tais exemplos, nós podemos, na verdade, apreciar melhor o bem que temos, traduzido na paz que disfrutamos e na relativa abundância em que vivemos.
E, afinal, o que nós queremos é futebol - isto é, paz, alegria de viver, ordem nas ruas e nos espíritos, e podermos assistir sem receios de alarme aéreo ou interrupções por ataques de aviação, ao desafio todo...»

Numa altura em que as democracias estavam à beira de vencer a II Guerra Mundial, a ditadura salazarista, inquieta quanto ao futuro, servia-se mais uma vez das potencialidades do futebol para a sua propaganda.
Assim fez ao longo dos anos, usando e abusando do espectáculo futebolístico para fins políticos.
Juscelino Kubitschek, presidente eleito do Brasil, de visita a Portugal, teve o seu banho de multidão num jogo de futebol, e pouco antes do 25 de Abril Marcelo Caetano, já em situação precária, foi a Alvalade recolher os aplausos do público.

Trinta anos após a conquista da democracia, gostaria de constatar que o aproveitamento político do futebol tinha, não digo cessado (seria demasiada ingenuidade...) mas pelo menos diminuído...
Muito pelo contrário, cresceu e multiplicou-se, sob novas formas (estou quase tentado a dizer que se democratizou...), quantas vezes ao serviço de interesses económicos pouco recomendáveis!
Por isso, e para isso, nos são servidas diariamente, através da comunicação social falada e escrita, doses maciças de conversa mole e repetitiva sobre o espectáculo futebolístico e seus intérpretes.

Porque afinal... hoje como ontem... o que nós queremos é futebol!

JS

Espírito Desportivo

Domingo, Setembro 11, 2005
Numa altura em que a maior parte das modalidades competitivas iniciou mais uma época desportiva, não será mau recordar alguns pequenos aspectos que contribuem para um verdadeiro fair-play, muitas vezes esquecido com o calor e a vibração do entusiasmo competitivo.

Aqui vão, resumidamente, cinco aspectos para reflexão:

Respeito pelas regras da competição – praticar a actividade que mais se gosta de acordo com a letra e o espírito do regulamento, sem procurar uma outra interpretação que momentaneamente mais nos favoreça.

Respeito pelo árbitro e aceitação das suas decisões – a sua presença é essencial ao fenómeno desportivo. Podemos não estar totalmente de acordo com determinada decisão, mas devemos aceitá-la. Ser árbitro não é uma tarefa fácil. Experimentem…, mesmo entre amigos!

Respeito pelo adversário – sem adversário não há competição. Se quero ser respeitado, devo respeitar. Um adversário forte só dignifica e valoriza a nossa vitória ou derrota.

Desejo de igualdade – a supremacia sobre o adversário só tem valor quando a competição é realizada em igualdade de condições. Procurar êxito à custa de uma redução de meios do adversário revela pouco espírito desportivo.

Ser humilde na vitória e digno na derrota – festejar a vitória sem menosprezar o adversário, aceitar a derrota como uma faceta própria do desporto.

Todos, dirigentes, técnicos, praticantes, espectadores, têm a sua parte de responsabilidade em cumprir e fazer cumprir as regras do “fair-play”e espírito desportivo.

Que não são afinal, mais que regras de boa educação.
EP

As Mães de Coimbra e o Futebol

Segunda-feira, Setembro 05, 2005
Sentado numa esplanada figueirense ainda em Agosto, nesta “silly season”, fui surpreendido por uma mãe, das “melhores famílias”, de Coimbra, dirigindo-se a amigo comum:
- “Olha! E o filho mais velho já está nas escolas de futebol da Académica… É para ver se o pai se reforma mais cedo!”
Dizem-me que esta “mãe de Coimbra” brincava. De todo, não sei… é que a brincar têm-se dito as maiores verdades!

Pelos vistos estas “mães de Coimbra”, ao contrário das “mães de Bragança”, preocupam-se, não com os avanços escolares dos filhos, mas sim com o seu desempenho futebolístico, por forma a verem assegurada a reforma antecipada dos maridos…!
Sem comentários…!

Mas a observação merece-me três notas:
Nota um – Mais de 80% dos clubes de futebol das 1ª e 2ª Ligas nacionais tinham salários em atraso!
Nota dois – O Salgueiros acaba de extinguir o futebol sénior, depois do Campomaiorense em 2002, a que se seguiram o Portalegrense, o Alcains (2ªB, zona centro), o Arenense (3ª, série D), o Académico de Viseu (2ª), o Alverca (Divisão de Honra)…
Nota três – Moribundos estão, entre muitos outros, o Felgueiras, o Farense, o Tirsense…

As notas são para reflexão desportiva…sendo que a introdução era para a reflexão social, para que se avaliasse quão baixo desceu o nível cultural médio!

JG

Alta Competição

Quinta-feira, Setembro 01, 2005
Vanessa Fernandes é uma tri-atleta que tem apresentado excelentes resultados a nível internacional. É sem dúvida uma atleta de alta competição. Nos períodos de preparação mais intensa, treina três vezes por dia: das 6 às 8 horas da manhã, das 9 às 12 horas e a última sessão a partir das 16.30 horas.

Não nos iludamos! São as exigências próprias para quem quer competir e obter resultados ao mais alto nível.

A cidadã Vanessa Fernandes tem 19 anos, em idade de estudar, de preparar o seu futuro. Quais os sacrifícios a que tem de se submeter – e não estou a falar daqueles inerentes aos esforços físico e psicológico, que só alguns são capazes, – para ter disponibilidade para tantas horas de treino ao longo de um ano?

Conhecendo os apoios do estado, a sua situação económica assim como das empresas privadas nacionais, perguntamos: como é isto possível?
Não nos admiremos pois, por não termos mais atletas deste nível. Reconheçamos o valor dos nossos atletas de alta competição e saibamos compreendê-los e acarinhá-los em todos os momentos da sua carreira, no sucesso e no insucesso, no pódio e na derrota.
Para que não haja equívocos, a alta competição é mesmo muito exigente.

EP

O Professor José Esteves

Volto a ler "O Desporto e as Estruturas Sociais", cuja actualidade, passados muitos anos, continua a impressionar-me.
Anteriormente ao 25 de Abril, o seu autor, Professor José Esteves, era sem duvida a figura de maior consistência e relevo da oposição à ditatura, na área da Educação Fisica.
A publicação daquele livro (1ª edição em 1970) constituiu, no nosso país, a primeira abordagem sistematica do fenómeno desportivo como "faceta do fenómeno social total", perspectiva até aí praticamente desconhecida em Portugal.
José Esteves foi de certa forma ostracizado após a Revolução, o que encontra explicação no facto do poder sectorial ter permanecido, nos anos quentes de 74/75, nas mãos dos mesmos que ele anteriormente combatera, agora ao serviço de outra ideologia totalitária!
Isto obrigou-o a vir a público demarcar-se da demagogia então instalada e desmistificar as ficções que a mesma encobria...
Mas verdadeiramente importante é o seu pensamento ter sobrevivido intacto às mais diversas conjunturas, e os caminhos por si abertos, para estudo e reflexão, manterem-se inteiramente válidos face à realidade actual do nosso Desporto!
JS