Treinadores
Quinta-feira, Agosto 25, 2005De uma forma pacífica tem-se, muito justamente, apreciado positivamente o desempenho de técnicos estrangeiros no comando técnico das selecções nacionais em algumas modalidades: caso mais mediático, o do futebol, com Luís Filipe Scolari. Mas há outros de reconhecido trabalho em Portugal: Orlando Samuels, cubano, no voleibol; Valentin Melnychuk, ucraniano, no basquetebol; Mats Olsson, sueco, no andebol. Naturalmente que existem portugueses no estrangeiro a dar boa conta do recado, como por exemplo os vários treinadores de futebol e de hóquei em patins. É um bom exemplo da universalidade do conhecimento e da competência que não conhecem língua nem nacionalidade. Podiam ser muito mais e noutras modalidades.
Acontece que a generalidade dos treinadores portugueses está em desvantagem em relação aos seus colegas além fronteiras, não por inferior competência técnica ou menor saber, mas pelo facto de não estar ainda devidamente regulamentado o seu regime de formação e certificação profissional. O poder político, objectivado nos sucessivos governos, não tem tido a coragem suficiente para efectuar este passo.
É necessário clarificar e definir de uma vez a carreira de treinador. Quantos níveis? O que é necessário para progredir? Que novas competência? Que novas responsabilidades?
Ainda deambulamos na dúvida entre a necessidade da experiência do “cheiro do balneário” do antigo praticante e a via académica pura e dura. Antigos praticantes com vontade de abraçar a carreira de técnico não faltam por aí. Capacidade do nosso ensino superior colaborar na formação dos técnicos também não merece qualquer dúvida. Basta, por exemplo, conhecer as diferentes participações de escolas como a Faculdade de Motricidade Humana, de Lisboa, Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, do Porto e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, em projectos internacionais de investigação na área de desporto para se perceber da sua real capacidade.
É urgente que se concilie a formação de treinadores pela via federativa e a formação pela via académica. É o caminho fundamental para termos treinadores de alto nível.
Para bem do desporto nacional.
EP
